No 8M, o Iphan-AC homenageia arqueólogas notáveis

No Dia Internacional da Mulher, dia de luta por direitos e empoderamento feminino, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Acre escolheu homenagear cinco mulheres notáveis que contribuíram para a Arqueologia no Brasil e no Mundo. Conheça-as!

DORAH PINTO UCHÔA

Dorah Pinto Uchoa

Professora e pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, Dorath Pinto Uchoa pode ser considerada um dos alicerces da arqueologia brasileira. Sócia-fundadora da Sociedade de Arqueologia Brasileira, atuando como presidente na gestão 1985 -1987, graduou-se em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1967), obteve título mestre em História e doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (1973).

De forma vibrante e devotada, Dorath lutou pela preservação do patrimônio histórico e arqueológico em diversas esferas políticas, dentre elas o CONDEPHAAT - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico -, órgão da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, do qual foi conselheira, representando a USP, por dez anos.

Suas pesquisas em sítios litorâneos, sobretudo no campo da antropologia biológica, tornaram-na uma referência na arqueologia brasileira. Em sua tese de doutorado intitulada “Arqueologia de Piaçagüera e Tenório: análise de dois tipos de sítios pré-cerâmicos do litoral paulista”, Dorath discutiu o modo de vida de grupos caçadores-coletores a partir da análise do seu repertório material e dos padrões funerários. O estudo constitui um marco na história da disciplina, razão pela qual a SAB, em 2007, editou sua tese na série “Clássicos da Arqueologia”.

Dorath Pinto Uchoa tinha uma personalidade vibrante, que contagiava todos a sua volta. Sua voz firme jamais se calou diante de qualquer ameaça ao patrimônio arqueológico. Sua trajetória acadêmica e política estão gravadas na história da Arqueologia no Brasil.

 

NIÈDE GUIDON

Niède Guidon

Pesquisadora e presidente da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), Niède Guidon é uma das principais referências da arqueologia brasileira. Licenciada em História Natural pela Universidade de São Paulo e doutora em arqueologia pré-histórica pela Sorbonne, integra, desde 1973, a Missão Franco Brasileira, coordenando as pesquisas arqueológicas na área do Parque Nacional Serra da Capivara. Suas descobertas deram reconhecimento internacional e protagonismo científico ao Brasil, especialmente ao Piauí, colocando a região no topo das discussões sobre a história do povoamento americano.

Afora as pesquisas arqueológicas, Niède criou várias estruturas de apoio social as comunidades locais, através de projetos nas áreas de educação, saúde, arte e ecologia. Suas ações junto à comunidade feminina têm ajudado a promover uma inversão de valores no semiárido piauiense. Ciente da realidade cruel e machista da região, Niède opta declaradamente por empregar mulheres, incorporando-as em atividades diversas junto à da FUMDHAM e ao Parque Nacional Serra da Capivara. Ao garantir autonomia para mulheres que sempre foram submissas, subservientes e dependentes dos homens, Guidon tem ajudado a quebrar paradigmas, promovendo a valorização, o respeito e o empoderamento feminino e criando novos parâmetros para uma sociedade mais justa e igualitária.

 

MARY LEAKEY

Mary Leakey

Mary Leakey foi uma arqueóloga e antropóloga britânica, considerada uma das maiores referências nas pesquisas paleoantropológicas do século XX. Seu interesse pela pré-história despertou desde cedo, quando desenvolveu o hábito de colecionar, ilustrar e classificar ferramentas que encontrava.

Coordenou, durante mais de trinta anos, pesquisas arqueológicas na África Oriental, especialmente no Quênia, Tanzânia e Etiópia, sendo os resultados de seus estudos fundamentais para o atual conhecimento das origens do homem. Descobriu, em 1947, os primeiros fósseis do Proconsul, um gênero de primatas fósseis que viveram no Mioceno, entre 14 a 18 milhões de anos atrás. Em 1959, descobriu o crânio de um "Zinjanthropos" (Australopithecus Boisei) com cerca de 1.75 milhões de ano que posicionou o continente africano como o berço da humanidade. Sua descoberta, em 1978, do rastro de pegadas em Laetoli (Tanzânia) forneceu evidência direta de que os hominídeos já caminhavaram em postura ereta há cerca de 3 milhões e meio de anos.

Ao longo de sua carreira de décadas como arqueóloga, os projetos de Mary Leakey foram financiados parcialmente National Geographic Society. Mary morreu em 9 de dezembro de 1996, em Nairobi, no Quênia, e é considerada um dos principais nomes da paleoantropologia mundial.

 

ANNA ROOSEVELT

Anna Roosevelt

Anna Roosevelt é uma arqueóloga americana, professora na Universidade de Illinois, em Chicago. Bacharel em História, Clássicos e Antropologia pela Universidade de Stanford e PhD em Antropologia pela Columbia University, é uma das principais pesquisadores sobre os paleoíndios da bacia amazônica. Desenvolveu trabalhos significativos na Ilha do Marajó e na Caverna de Pedra Pintada, ambas no estado do Pará.

Em 1991, publicou Moundbuilders of the Amazon: Arqueologia Geofísica na Ilha de Marajó, Brasil, onde desafiou a teoria então em voga de que a Amazônia pré-colombiana era um "paraíso contrafeito" incapaz de sustentar uma cultura humana cada vez mais complexa. Roosevelt postulou que esta sociedade pré-colombiana era "uma das realizações culturais indígenas notáveis", com uma população e território elevados, agricultura de subsistência intensiva, bem como obras públicas. Essas descobertas e argumentos levaram a debates contínuos na arqueologia e na antropologia sul-americanas.

Na década de 1990, Roosevelt liderou a escavações na Caverna da Pedra Pintada, encontrando evidências de que a ocupação da Amazônia remonta idades muito mais recuadas do que é convencionalmente admitido; e promovendo subsídios para o entendimento dos processos de migração e ocupação das civilizações amazônicas em períodos anteriores ao contato.

 

BETTY MEGGERS

Betty Meegers

Betty Meggers foi uma arqueóloga americana considerada uma das pioneiras na arqueologia brasileira em função de suas pesquisas realizadas na Amazônia. Bacharel em Arqueologia pela Universidade da Pensilvânia, mestre pela Universidade de Michigan e doutora pela Universidade de Columbia, foi uma das fundadoras do PRONAPA (Projeto Nacional de Pesquisas Arqueológicas) e PRONAPABA (Projeto Nacional de Pesquisas Arqueológicas na Bacia Amazônica).

Atuou junto ao Smithsonian Institution, criou e presidiu a Fundação Taraxacum, realizando estudos relacionados aos povos pré-colombianos da América do Sul, especialmente da região amazônic, em parceria com pesquisadores do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, México e Estados Unidos. Desenvolveu pesquisas relacionadas aos processos de adaptação, expansão e evolução dos modos de vida das populações amazônicas pré-colombianas, estabelecendo hipóteses e teorias sobre os processos de migração e ocupação dos povos da floresta.

Conhecida por seu vigor, firmeza e personalidade marcante, morreu em 2012 nos EUA. Suas pesquisas e publicações continuam vigentes até os dias de hoje, estimulando reflexões e debates e contribuindo para o entendimento da pré-história sul-americana.  

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