Curso de Extensão 'Arqueologia: conhecendo os Geoglifos do Acre' qualifica mais de 80 pessoas

O Curso de Extensão Arqueologia: conhecendo os Geoglifos do Acre, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-AC) em conjunto com a Universidade Federal do Acre (UFAC), a Universidade de Valência-ESP e o Governo do Estado, reuniu mais de 80 inscritos para as aulas ministradas no campus da universidade acreana. Os alunos receberam conhecimento a partir das aulas teóricas ensinadas pelos professores e doutores em arqueologia, Agustín Diez Castillo e Ivandra Rampanelli, e puderam colocá-lo em prática durante a visita que realizaram aos Geoglifos da propriedade Nossa Senhora de Nazaré, localizada na Vila do Incra, na Estrada de Porto Acre (Rodovia AC-010).

As aulas destacaram à importância de valorizar e preservar o Patrimônio do Estado. Os docentes e pesquisadores levantaram informações a respeito dos sítios arqueológicos, expuseram informações históricas, técnicas e estruturais e imagens de satélite e fotográficas do Geoglifos, analisaram as hipóteses de pesquisadores e explicaram o que esse bem patrimonial representa para a sociedade amazônica, além de apresentarem a evolução da arqueologia no Acre e a diversidade da arqueologia na Espanha.

Os alunos chegaram para a aula prática empolgados. Não teve cansaço que os impedissem de caminhar “no meio da mata” por descobertas no sítio arqueológico. No decorrer da atividade de campo, os participantes do curso realizaram pesquisas, medições, identificações e registros dos Geoglifos junto ao Iphan.

“Realizar esse curso tem como objetivo também repassar as informações para que os alunos conheçam o Patrimônio e esse Patrimônio seja valorizado pelos alunos, pois esses alunos repassarão essas informações para outras pessoas e, assim, começa a comunicação, e de uma certa forma começa a Educação Patrimonial. O conhecimento desse bem patrimonial é necessário para que todos valorizem esse Patrimônio no estado do Acre e todos conheçam. A partir desse conhecimento que começa a valorização”, frisou Ivandra.

O professor da Universidade de Valência-ESP, Agustín Diez Castillo, acredita que a troca de conhecimentos entre instituições de diferentes países do mundo contribui para a formação de profissionais qualificados e, como consequência, o Acre é o maior beneficiado.

“É uma tendência mundial e não apenas algo local. Penso que é bom para o Patrimônio do Acre que venham professores visitantes de outros países. É uma experiência de vida para mim, uma experiência magnífica ministrar esse curso e poder ver os Geoglifos de perto e, agora mesmo, estarmos pensando em novas maneiras de podermos investigá-los. Isso que realmente é importante”, ressaltou o docente espanhol.

Um dos participantes do curso foi o filósofo Isaac Melo. Para ele, os nossos ancestrais tinham totais condições mentais e físicas para construir as estruturas. “Os Geoglifos estão presentes para demonstrar que nós tivemos uma cultura tão avançada como qualquer outra grande cultura do mesmo período. Nós imaginamos: ‘Será? Quem construiu? Foram alienígenas? ’. Acredito que é a capacidade humana. Se outros povos no mesmo momento fizeram coisas incríveis, como os egípcios e outras civilizações, por quê que o nosso povo não é capaz de fazer essas estruturas? Percebe-se que elas têm uma perfeição numérica, percebe-se que há um domínio da técnica e da matemática impressionantes, da engenharia, então isso significa que não era um povo qualquer. Era um povo que tinha um conhecimento avançado para a sua época”, disse.

Após três aulas teóricas, a ansiedade dos alunos aumentava com a proximidade do grande dia. A oportunidade de conhecer o Geoglifo veio no quarto dia de curso, numa quinta-feira, dia 26 de outubro. “Estava ansioso para conhecer, assim como já estou ansioso para conhecer os próximos. As aulas teóricas nos preparam para estarmos aqui. Antes do curso não tínhamos tantas informações sobre os Geoglifos, mas depois de algumas aulas chegamos preparados para primeira visita, o primeiro contato”, contou Tayllow Gomes da Silva, do 6° período do curso de História.

A estudante Poliana de Melo Nogueira, que está a um passo de se formar em História/Licenciatura e já avalia um possível tema para mestrado, apreciou o patrimônio e aproveitou o curso para aprofundar seus estudos acerca do assunto. “Já tinha visto imagens, então fiquei muito interessada em conhecer mais e fazer pesquisas a respeito do tema. Já pensei também em fazer o mestrado sobre os Geoglifos”, informou.

Pensamento reforçado por Rafael Ferreira Gomes, que mesmo estando apenas no 2° período de História/Licenciatura, já avista na área uma possibilidade de seguir carreira. “No futuro os ensinamentos transmitidos hoje, pelos professores, podem nos ajudar. Quem sabe um dia faremos essas escavações? Podemos sim no futuro estarmos realizando esses estudos que hoje recebemos”, disse.

O curso de Extensão Arqueologia: conhecendo os Geoglifos do Acre atendeu às expetativas da participante Naiana Silva e Silva, do 8° período de História/Bacharelado. “Valeu muito a pena participar. Foi possível entender a necessidade de valorizar o nosso patrimônio, divulgá-lo e ao mesmo tempo preservá-lo. O Geoglifo é parte importante da história da sociedade amazônica”, afirmou.

A experiência de visitar e estudar sobre os Geoglifo foi bem retratada por Eloysa Angelliny dos Reis Silva, que se formou recentemente em História/Licenciatura: “Foi maravilhoso participar, pois aprendemos muito com os professores. Hoje qualquer um de nós que participamos do curso conseguimos identificar um Geoglifo, e podemos ter certeza olhando as imagens de satélite ou em alguma viagem de avião ou pelas imagens fotográficas feitas por um drone, entre outras alternativas”, comemorou.

Na última aula do curso, a professora Ivandra Rampanelli relatou as suas experiências acadêmicas, como o mestrado e doutorado, e apontou os caminhos a serem percorridos para quem pretende seguir a carreira profissional de arqueólogo (a). Os alunos ainda tiveram um convidado especial: o professor Jacó César Picolli, que trabalha na área desde 1979. O antropólogo contou como se envolveu com a arqueologia e ressaltou a importância da Educação Patrimonial visando à preservação e valorização do Patrimônio do Estado.

A pesquisadora afirmou que o Patrimônio do Estado e o Estado do Acre ganham com a criação de cursos voltados para a arqueologia e os Geogligos. “Esse curso tem como intuito repassar as informações que a gente tem sobre os Geoglifos, repassar as informações de quais trabalhos faltam nesses Geoglifos para que eles possam futuramente fazer monografias, no final do curso da graduação, para que eles possam se interessar na arqueologia para fazer um mestrado na área ou até mesmo um doutorado futuramente. Então, formar profissionais na área para que atuem aqui no estado do Acre porque existem muitos Geoglifos e poderá existir um para cada pesquisador", ressaltou.

Satisfeito com a atuação dos alunos, o professor Agustín parabenizou os participantes e disse ser prazeroso ensinar arqueologia a pessoas interessadas na valorização do Patrimônio. “Estou impressionado com a forma como nossos alunos estão sendo ativos nas redes sociais sobre a visita. Foi um prazer compartilhar com os estudantes o curso de arqueologia do Acre, principalmente, quando eles gostam do que se vê”, concluiu.

 

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