Iniciada pesquisa sobre as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil

A manifestação cultural conhecida por seus ritmos musicais, danças e instrumentos tradicionais já passa por um intenso processo de mobilização social e será pesquisada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em cooperação com a Associação Respeita Januário a partir do Seminário Forró e Patrimônio Cultural.  Mais de 250 forrozeiros e entusiastas do forró lotaram o auditório do Centro Cultural Cais do Sertão e as salas do Paço do Frevo, ambos no Recife (PE), durante o Seminário Forró e Patrimônio Cultural, que deu início à pesquisa sobre as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil.

O evento realizado pelo Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPI-Iphan), em parceria com a Associação Respeita Januário e a Superintendência do Iphan-PE, contou, entre os dias 8 a 10 de maio com a presença de músicos, dançarinos, produtores, autoridades, pesquisadores, gestores públicos e culturais, além dos representantes do Iphan de todo o Nordeste e de Estados com forte presença das matrizes do forró, como São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Espírito Santo. 

Nas boas vindas aos participantes, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, ressaltou a importância dessa expressão cultural na vida de milhões de brasileiros. "A cultura nos une e nos fortalece! E a beleza do forró é que ele traz uma dupla dimensão: canta e toca tão profundamente a cultura brasileira, trazendo à tona as mazelas que enfrentamos, mas ao mesmo tempo canta a beleza da vida, os amores, os mitos, as crendices, a fé, a religiosidade de um povo", afirmou. O A pesquisa vai investigar a complexidade das Matrizes Tradicionais do Forró com suas dimensões melódicas, harmônicas, rítmicas e coreográficas, além dos modos de fazer instrumentos musicais, dos contextos sociais e culturais em que a manifestação está inserida, bem como as particularidades dos lugares onde tais referências culturais são mais simbólicas. Para que o dossiê resultante da pesquisa contemple a história, os atuais desafios e as perspectivas de continuidade das práticas sociais que formam as Matrizes Tradicionais do Forró, o DPI-Iphan busca a participação ativa das comunidades e atores sociais que mantém viva a tradição no país.

O Seminário Forró e Patrimônio Cultural reuniu forrozeiros, artistas, músicos, artesãos, e dançarinos, além de gestores públicos e culturais, produtores e pesquisadores de todo o Nordeste e de Estados com forte presença nordestina, que há décadas acolhem e ajudam a fortalecer as Matrizes Tradicionais do Forró, como São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Espírito Santo. A programação contemplou discussões sobre a história, os atuais desafios e panorama de continuidade da expressão cultural, bem como a complexidade das Matrizes Tradicionais do Forró com suas dimensões melódicas, harmônicas, rítmicas e coreográficas, além dos modos de fazer instrumentos musicais, dos contextos sociais e culturais em que a manifestação está inserida, bem como as particularidades dos lugares onde tais referências são mais simbólicas.   

As mesas de discussões abordaram o Processo de Registro; Forró, dança e Patrimônio; Forró mídias e acervos; além do Compartilhamento de experiências na salvaguarda de bens culturais imateriais e as Perspectivas para a Salvaguarda. Porém, para demonstrar, na prática, alguns dos saberes que formam as matrizes tradicionais do forró, o Iphan reuniu, no Paço do Frevo, mestres, artistas e público para escutas compartilhadas, momento no qual os saberes de renomados instrumentistas da sanfona, rabeca, fole de oito-baixos e zabumba puderam ser demonstrados e debatidos entre os detentores desses ofícios e o público interessado. 

Seu Luizinho Calixto, original de Campina Grande, falou sobre como começou a tocar a sanfona com oito anos. Aos 18, já tinha gravado seu primeiro disco e hoje, com 62, possui mais de 20 discos gravados e é considerado um mestre da sanfona de oito baixos. Seu Luizinho foi um dos participantes das escutas compartilhadas que fazem parte da programação do evento. Para ele, a pesquisa e a possibilidade do Forró se tornar Patrimônio Cultural do Brasil vai trazer impactos positivos para a continuidade de seu instrumento, pois o uso e prática estão cada vez mais raros. “O Registro será uma água na lavoura do forrozeiro, para que a gente e as próximas gerações possam colher e continuar semeando esses frutos”. 

A Pesquisa
Para que um bem seja registrado pelo Iphan é necessário demonstrar sua relevância para a memória nacional, sua continuidade histórica e de que forma este carrega as referências culturais de grupos formadores da sociedade brasileira. É o que explica Marina Lacerda, coordenadora de Registro do Iphan.

A pesquisa sobre as Matrizes Tradicionais do Forró será feita pelo Iphan em colaboração com a Associação Respeita Januário e terá três fases: 

Na primeira, as idas a campo ocorrerão em junho e julho de 2019, período festivo com muita dança e música na região Nordeste. Na segunda, além da pesquisa documental, serão entrevistados músicos, dançarinos, donos de estabelecimentos, fabricantes e reparadores de instrumentos musicais, entre outros, além de produção de documentos audiovisuais para buscar entender os detalhes dessa prática. Na última fase, com os levantamentos já realizados, será realizada nova ida a campo nos festejos juninos para finalização da pesquisa. A previsão é que todo o material seja entregue até o final de 2020.

Encerrando o evento, o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI-Iphan), Hermano Queiroz, convidou para subir ao palco todos os representantes do Iphan nos Estados, assim como os técnicos do DPI, para que pudessem ser visualizados pelos partipantes. A intenção do diretor era a de que os detentores pudessem identiicar a quem buscar para contribuir com a pesquisa sobre as Matrizes Tradicionais do Forró.

O processo de Registro das Matrizes Tradicionais do Forró 
Em setembro de 2011, a Associação Cultural Balaio do Nordeste encaminhou ao Iphan o pedido de registro das Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil. Desde então o Instituto buscou, em parceria com a Associação, o Fórum Nacional Forró de Raiz e outras instituições parceiras, incentivar encontros, fóruns e audiências públicas para discutir o processo de reconhecimento, abordando os potenciais, significados e limites da política de Patrimônio Cultural. As diretrizes apontadas no Encontro Nacional para Salvaguarda das Matrizes do Forró, ocorrido em João Pessoa (PB) em setembro de 2015 são o fundamento para a pesquisa a ser realizada pela Associação Respeita Januário em cooperação com o Iphan. Confira a entrevista com a presidente da Associação Cultural Balaio do Nordeste, Joana Alves.

Formas de expressão como Patrimônio imaterial
Para que um bem seja registrado pelo Iphan é necessário possuir relevância para a memória nacional, continuidade histórica e fazer parte das referências culturais de grupos formadores da sociedade brasileira. Entre os patrimônios imateriais inscritos no Livro do Registro das Formas de Expressão estão as Matrizes do Samba do Rio de Janeiro, o Tambor de Crioula do Maranhão, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano e o Frevo. 

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