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Fortaleza de Santa Cruz (Niterói, RJ)


Outros Nomes:Fortaleza Velha


Descrição:Localizada na barra da Baía de Guanabara, no promontório à direita de quem nela penetra, ao sopé do Pico que faz parelha com o Pão de Açúcar. Este impressionante monumento arquitetônico militar tem suas origens ligadas a tentativa de colonização, em 1555, empreendida por Nicolau Durand de Villegaignon, denominada historicamente como "França Antártica". Nesta ocasião foram montadas, nesta área, pelos invasores franceses, duas bocas de fogo a fim de controlar o principal canal de entrada da Baía de Guanabara. Expulsos os franceses foi criada no local uma bateria - a de Nossa Senhora da Guia - que cruzava fogo com as baterias de São João e da Laje na Entrada da barra. Em 1567 o local foi ocupado por Mem de Sá, que ampliou o forte, transformando-o no principal ponto de defesa da Baía de Guanabara. No ano de 1599 a nova bateria impediu a entrada da esquadra holandesa, chefiada por Oliver Van North, e até 1711 continuou a proteger a Baía da Guanabara das invasões estrangeiras. Em 1612 foi erguida a primeira edificação do complexo, a capela de Santa Bárbara, e que recebeu, inicialmente, o nome de "Oratório de Nossa Senhora da Guia". No seu interior ela abriga a imagem de Santa Bárbara, que mede 1,73m de altura e é ornada com pedras preciosas. Sofreu outras reformas, em 1632 sua denominação foi mudada para Fortaleza se Santa Cruz da Barra. Em 1711, o então governador Castro de Morais desguarneceu a Fortaleza, e a esquadra de Duguay-Troin conseguiu penetrar na Baía, tomou a Fortaleza e exigiu vultoso resgate para deixar a cidade do Rio de Janeiro. Em 1763, o vice-rei Conde da Cunha mandou vir da Europa os engenheiros João Henrique Boher e Jackes Furk, para que efetuassem uma série de reformas que garantissem à fortaleza mais potência de fogo, quando foram construídas, sobre a primitiva bateria à flor da água, duas ordens de baterias em casamatas abobadadas, e que são encimadas por um terraço com uma terceira bateria, esta a barbeta. No século XIX, as invasões já não eram mais um problema mas, em 1863, ocorreu o aprisionamento de navios brasileiros pelo navio inglês Harpy, durante a chamada questão Christie. Esse episódio fez com que alguns cuidados fossem tomados, dentre eles a construção, até 1870, de três novas baterias: a Bateria 25 de março, situada no plano inferior; a bateria 2 de dezembro, situada no nível intermediário; e a Bateria Santa Tereza que localiza-se no plano superior. No entanto, se a preocupação com os ingleses mostrou-se exagerada, nem por isso os canhões da fortaleza permaneceram silenciosos no século passado. A resistência à Revolta da Armada fez a fortaleza disparar contra os navios revoltosos, e contra a fortaleza de Villegaignon, que também havia aderido à Revolta. Consta que apenas o Aquidaban, um encouraçado que veio afundar em Florianópolis conseguiu, e por duas vezes, furar o bloqueio da Baía. A Fortaleza de Santa Cruz é considerada dos mais primorosos conjuntos de arquitetura de fortificações de todo país. Edificada em pedra sobre uma ponta rochosa, com planta poligonal, definida por suas muralhas, em cujo interior desenvolveu-se as edificações. As ruas internas estão calçadas de paralelepípedos, inclusive a praça. As muralhas do trecho mais avançado para o mar possuem duas linhas de aberturas quadrangulares que correspondem, no interior, a série de arcos com cercadura de cantaria. Os quartéis, que se desenvolvem junto às muralhas, são de pedra com paredes inclinadas. Constituem em uma das prisões mais temidas do Brasil, não só no período colonial, como no regime militar de 1964: estiveram presos André Ortigas, caudilho uruguaio, Frutuoso Rivera, primeiro presidente do Uruguai, Bento Gonçalves, Garibaldi, José Bonifácio, Euclides da Cunha, Plínio Salgado, Juarez Tavora, Eduardo Gomes, Henrique Teixeira Lott e Miguel Araes. Juarez Tavora e Eduardo Gomes foram dois dos protagonistas da única fuga, em 1930, que se tem notícia. Atualmente, encontra-se aberta a visitação pública em visitas guiadas.


Uso Atual:Museu Militar


Endereço: Estrada Eurico Gaspar Dutra, Jurujuba - Niterói - RJ

Livro Histórico
Inscrição:122 Data:4-10-1939
     
Livro de Belas Artes
Inscrição:274 Data:4-10-1939
     
 

Nº Processo:0207-T-39


Observações:O tombamento abrange todo o conjunto de edificações situado após o portão contíguo ao canal.