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Solar do Jambeiro (Niterói, RJ)


Outros Nomes:Palacete Bertholdy; Casa à Rua Presidente Domiciano, 195


Descrição:Retrato típico de uma época de luxo e extravagância, o sobrado conhecido como Solar do Jambeiro é um notável exemplar da arquitetura residencial urbana da segunda metade do século XIX, conservando ainda hoje características da construção original. A casa assobradada, edificada originalmente em pedra e cal está localizado no centro de amplo parque densamente arborizado, separado da via pública por amplo gradil de ferro fundido apoiado em pedra de cantaria, e foi dividida internamente em inúmeros cômodos para abrigar uma grande família. Todas as três fachadas - a principal e as duas laterais - são revestidas por azulejos portugueses de estampilha. Azulejos de outros tipos, de feitios e desenhos especiais, emolduram as portas e janelas, bem como os cunhais, as frisas e as barras, de tal forma que são desprovidas de azulejos apenas as guarnições dos vãos e a bacia corrida, que contorna as três fachadas, e que são de cantaria. Os beirais formam rodos nos cunhais, são de telhões de louça do Porto, e se apresentam em estado perfeito de conservação. Os guarda-corpos das sacadas e os lambrequins que circundam as varandas, foram importados da Europa e refletem a influência da Revolução Industrial Inglesa no Brasil deste período. O casarão foi construído a partir de 1872 por um rico português, residente no Rio de Janeiro, de nome Bento Joaquim Alves Pereira. Após a conclusão da obra, o solar foi alugado ao médico Júlio Magalhães Calvet e, de maio de 1887 à março de 1888, foi ocupado pelo pintor Antônio Parreiras que lá inaugurou uma exposição individual. Em 1892, o solar foi vendido, por 50 contos de réis, ao diplomata dinamarquês Georg Christian Bartholdy. Em função de longas ausências em missões diplomáticas, o novo proprietário também alugou a propriedade diversas vezes. Em 1903, o solar sediou o Clube Internacional - uma agremiação de caráter recreativo e cultural que reunia a sociedade niteroiense com as colônias estrangeiras. Depois, o diplomata e sua esposa, Celina Olga Bartholdy, ocuparam a casa ali residindo por mais vinte anos. Após a morte do diplomata sua filha, Vera Fabiana Gad, comprou a parte dos seus três irmãos (Wanda, Sievert e Pedro) residindo no solar até falecer em 16 de janeiro de 1975. Nesse momento, o único filho de Vera Gad, Egon Falkenberg e sua esposa Lúcia, tornaram-se herdeiros da propriedade, e com a morte destes o solar permaneceu com os filhos do casal. Nos últimos anos, o imóvel esteve fechado, o que facilitou a sua deterioração. Nesta época, o uso restringiu-se ao arrendamento da área externa para eventos, na sua maioria totalmente inadequados à preservação deste importante patrimônio histórico. Em 12 de agosto de 1997, o Solar do Jambeiro foi desapropriado pela Prefeitura Municipal de Niterói, no intuito de resguardar sua integridade física e restaurar seus aspectos históricos e arquitetônicos, que motivaram seu tombamento.



Endereço: Rua Presidente Domiciano, 195 - Niterói - RJ

Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico
Inscrição:065 Data:25-4-1974
     
Livro de Belas Artes
Inscrição:514 Data:25-4-1974
     
 

Nº Processo:0899-T-74


Observações:O tombamento abrange o parque arborizado pertencente a edificação.