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Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto, MG)



Descrição:Coube à Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis a iniciativa da construção da capela de São Francisco, obtendo-se em 1771 a licença régia necessária para a edificação do templo. Antes mesmo, porém, já em 1765, foram iniciadas as obras de terraplanagem e, em 27 de dezembro de 1766, foi arrematada a obra de alvenaria pelo mestre pedreiro Domingos Moreira de Oliveira, obedecendo ao risco de Antônio Francisco Lisboa. As indicações sobre as técnicas e materiais que seriam empregados na construção, foram minuciosamente detalhados no ato de arrematação. Como de costume no período, sua construção iniciou-se pela capela-mor, estando a mesma praticamente concluída em 1771. A abóbada foi construída entre 1772 e 1774, época em que foi também realizada sua ornamentação em talha e e estuque, sob a direção do Aleijadinho. No mesmo período o artista concluiu os púlpitos em pedra-sabão inseridos no arco-cruzeiro. O retábulo do altar-mor, em função do qual foi organizada toda a decoração da capela, só seria executado entre 1790 e 1794. Concluída a capela-mor, os administradores da obra optaram em seguida pela execução do frontispício, cuja portada, arrematada em 1744, teve seu risco executado por Aleijadinho. Em 1787, as torres sofreram um acréscimo e no ano seguinte foram feitos os telhados do templo. Finalmente, em 1794, Domingos Moreira de Oliveira conclui a obra de alvenaria. Entretanto, quase toda a parte de douramento e pintura, assim como a execução da talha dos altares da nave ainda estava por fazer. A Manuel da Costa Athaíde coube a pintura e douramento da capela-mor, a pintura do forro da nave e dos painéis a óleo da nave e capela-mor, as quais se realizaram entre 1801 e 1812. A construção dos altares da nave, também projetados por Aleijadinho, se estendeu de 1829 a 1890, tendo Lourenço Petrício concluído o douramento do último da série. O cemitério da Ordem foi construído entre 1831 e 1838 por Manuel Fernandes da Costa e José Ribeiro de Carvalho. A Igreja de São Francisco de Assis é considerada pelos especialistas como a obra-prima da arte colonial brasileira. A singularidade da planta reside na supressão dos corredores da nave e maior integração dos corredores da capela-mor ao conjunto, como também na posição das torres, que fecham-se para trás no corpo da igreja, projetando o frontispício. A novidade se manifesta ainda nas formas circulares das torres, até então sem precedentes, coroadas por flechas de proporções audaciosas. O frontispício, de grande efeito arquitetural, concentra o efeito ornamental na portada e no medalhão superior. Germain Bazin considera a portada da igreja de São Francisco, a obra-prima do Aleijadinho. À esquerda do espectador, sua ornamentação consiste em um anjo sustentando uma cruz ornada, circundada por uma glória, e à direita, outro anjo, com os braços estendidos, aponta para a composição central. Nessa, dois brasões trazem as armas franciscanas e as do reino de Portugal. Ornando o medalhão superiormente, a Virgem, de mãos postas. Entre os brasões e o medalhão vê-se o braço estigmatizado de São Francisco e o braço do Cristo. O conjunto é encimado pela coroa de espinhos. Os brasões são arrematados por asas de anjos, flores de girassol e rosas, atributos de Maria. Outra inovação de Aleijadinho em São Francisco de Assis reside no vedamento do óculo, o qual assume função puramente ornamental. Nele está representada a visão de São Francisco no Monte Alverne. Vista de perfil, a igreja mostra a disposição distinta de cada corpo do edifício, verificando-se que a concepção do projeto arquitetônico beneficia o monumento como um todo. Da mesma forma, todo o interior é composto para um efeito de conjunto. Na nave, contornada por cornija de pedra, os seis altares laterais, executados tardiamente em meados do século XIX, funcionam apenas como complemento da decoração das paredes laterais. Germain Bazin considera difícil reconhecer o desenho do Aleijadinho nesses altares que, segundo ele, foram provavelmente simplificados para maior facilidade de execução. As imagens que guarnecem os nichos dos altares são quase todas de roca. O arco-cruzeiro assume função monumental, constituindo-se no ponto de junção do edifício. Nele foram incorporados os púlpitos de pedra, enquadrados por duas pilastras com arquitraves altas e de perfil, dispostas obliquamente. Assim, os arcos, o altar, os púlpitos, formam uma composição. Esses púlpitos constituem as primeiras obras documentadas do Aleijadinho enquanto escultor de baixos-relevos em pedra-sabão, servindo de base aos estudiosos para o estudo das características de seu estilo. A concepção geral do lavabo da Sacristia é atribuída ao Aleijadinho, embora fuja ao seu estilo habitual. Trata-se de obra possivelmente executada a partir de um risco mais antigo, dentro dos padrões do barroco D. João V. A decoração da capela-mor consiste em um projeto unitário do Aleijadinho, cuja proposta se concretiza de forma perfeita com a introdução de figuras em relevo na ornamentação do forro. Verifica-se, entretanto, através de diferenças nítidas de qualidade, a participação de auxiliares, notadamente na execução dos quatro medalhões da abóbada, com as figuras de Santo Antônio de Pádua, São Conrado, São Boaventura e Santo Ivo. O retábulo apresenta a forma concebida para o altar-mor da Fazenda do Jaguara. O Tema Celeste da Coroação é aí mais rico e a Trindade completa-se com a Visão da Virgem da Imaculada Conceição. O início do arco é demarcado por dois anjos em adoração, projetados para fora, equilibrando-se sobre fragmentos de entablamento enrolado com volutas. O coroamento do arco é complementado por dois anjos nus voando. Quanto à pintura, merece destacar a pintura do forro em abóbada, de autoria de Manuel da Costa Athaíde, onde o artista empregou duas técnicas diferentes: a têmpera para os elementos de arquitetura ilusionista e o óleo para o medalhão central, onde está representado o tema da Glorificação da Virgem. Nos quatro cantos figuram em púlpitos os doutores da igreja. São também de Manoel da Costa Athaíde a série de painéis a óleo que decora os quatro chanfros da nave e paredes da capela-mor, assim como as barras de pintura simulando azulejos, com episódios alusivos à vida de Abraão, no registro inferior das paredes da capela-mor. O registro mais antigo encontrado sobre obras de restauração refere-se ao lajeamento do adro e demolição da antiga escada de acesso, em fins do século XIX. No decorrer do século XX, a edificação passou por sucessivas obras de conservação levadas a efeito inicialmente pela antiga Inspetoria de Monumentos Nacionais e, posteriormente, pelo IPHAN, assinalando-se a construção de um cemitério anexo à capela-mor em 1935 e a reconstrução do mesmo em 1946/47 pelo IPHAN.



Endereço: Bairro de Antônio Dias - Ouro Preto - MG

Livro de Belas Artes
Inscrição:106 Data:4-6-1938
     
 

Nº Processo:0111-T-38


Observações:O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN.