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Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Sabará, MG)


Outros Nomes:Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo


Descrição:Deve-se à Ordem Terceira do Carmo a iniciativa da construção da igreja, cujas obras foram contratadas com o mestre Tiago Moreira, autor do risco, sendo a pedra fundamental lançada a 16 de junho de 1763. Quatro anos depois, procedeu-se a entronização da imagem de Nossa Senhora do Carmo. Entretanto, em 1768, a Ordem decidiu modificar o projeto original do frontispício, assinando mais tarde, em 1771, novo contrato com o mesmo Tiago Moreira para introdução de modificações na fachada que consistiram no emprego da pedra de cantaria nos pilares das torres, cunhais e enquadramento dos vãos. As obras compreenderam o período de 1771/1774 e contaram com a participação de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a quem se atribui a autoria dos trabalhos de escultura que ornamentam o frontispício, especialmente a portada. As obras de talha dos altares foram contratadas com Francisco Vieira Servas, datando de 1778 o ajuste do segundo retábulo do arco-cruzeiro (Santo Elias) e de 1806, o do altar-mor, o qual contou com a colaboração de Joaquim Fernandes Lobo. Antônio Francisco Lisboa e seus oficiais foram responsáveis também pelos trabalhos de escultura dos púlpitos, coro e balaustradas, conforme documentos datados de 1779 e 1781, sendo igualmente de sua autoria as imagens de São João da Cruz e São Simão Stock, concluídas em 1779. Quanto à pintura e douramento, deve-se sua autoria ao pintor Joaquim Gonçalves da Rocha, que executou inclusive o painel do teto da nave, conforme ajustes datados de 1812 e 1816. Em 1828, foi feito o desaterro de área próxima ao templo, que se achava ameaçado por infiltração de água. Decidiu-se no mesmo ano a construção das catacumbas, cuja benção ocorreu em 1847. A igreja do Carmo apresenta partido retangular, com planta composta em duas secções. A primeira corresponde à nave, alargada na fachada pelas bases das torres laterais, e a secção posterior à capela-mor, sacristia e consistório, estes dois últimos projetando-se lateralmente, à maneira de corredores. Trata-se de uma construção em alvenaria de pedra, com torres quadradas, encimadas por cúpula de alvenaria e arremates em forma piramidal, com cunhais, pilares das torres e enquadramento dos vãos em cantaria (quartzito). A fachada é constituída por porta principal em madeira almofadada, destacando-se no frontão esculturas ornamentais em pedra-sabão azulada, portada e sobreverga das janelas do coro. Todos os trabalhos ornamentais em pedra-sabão ali executados são atribuídos ao Aleijadinho e seus oficiais, verificando-se, entretanto, que os ornatos da cimalha e das sobrevergas das janelas não apresentam o mesmo apuro técnico conferido à portada. Nesta, os anjos laterais e o querubim central dão excepcional realce à composição central. Supõe-se ter Aleijadinho executado pessoalmente a portada, cabendo-lhe apenas a autoria do risco nos demais elementos ornamentais. Internamente, tanto a nave como a capela-mor apresentam piso em campas e forros curvos, de tabuado liso, com pintura decorativa. Estas são separadas por grades de madeira torneada, de desenho modulado, que se repetem na balaustrada do coro, de autoria de Aleijadinho. O arco-cruzeiro é em pedra de cantaria. A sacristia e o consistório possuem pisos e forros em tabuado liso, estes com pintura decorativa. O coro, de autoria de Aleijadinho, chama atenção pela sua concepção arrojada, cujas linhas moduladas, acentuam o efeito de profundidade e monumentalidade. É guarnecido por bela balaustrada em madeira torneada, com colunas e ornatos dos suportes de gosto rococó. Destacam-se, lateralmente, duas expressivas esculturas de atlantes. Também de autoria do Aleijadinho, os púlpitos possuem enquadramento das portas e suportes em pedra trabalhada e tambores em madeira com superfícies onduladas, com esculturas em baixo-relevo reproduzindo cenas do Novo Testamento nas faces centrais. Dos três altares existentes, os dois do arco-cruzeiro caracterizam-se pela boa qualidade da talha e decoração de gosto rococó. Já o altar-mor, executado somente em 1806, embora sob o risco do mesmo autor dos anteriores, o entalhador Francisco Vieira Servas, não apresenta o mesmo apuro técnico. No campo da pintura, o painel central do teto da nave, emoldurado por muro parapeito, representa o episódio de Santo Elias sendo transportado para o céu num carro de fogo. No teto da capela-mor, painel representando Nossa Senhora entregando o escapulário a um santo da Ordem, emoldurado por muro parapeito onde se salientam figuras religiosas e nas paredes, painéis em barra pintada, simulando azulejos. No arco-cruzeiro, pintura com a figura da Virgem sentada sobre nuvens e no teto da sacristia, pintura simbólica, tendo ao centro o Espírito Santo. As pinturas principais são de autoria de Joaquim Gonçalves da Rocha, existindo, porém, indícios de acréscimos e repinturas. No conjunto de imagens, destacam-se as de São João da Cruz e de São Simão Stock, alojadas nos altares do arco-cruzeiro, esculpidas pelo Aleijadinho. Texto extraído de: Barroco - 8.



Endereço: Rua Marquês de Sapucaí - Sabará - MG

Livro de Belas Artes
Inscrição:116 Data:13-6-1938
     
 

Nº Processo:0067-T-38


Observações:O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN.