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Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Sabará, MG)



Descrição:Diante da destruição, em época imprecisa, de documentos relativos à matriz, não é possível compor uma cronologia das obras de construção, como também esclarecer a autoria do projeto, supondo-se que nela tenham trabalhado profissionais portugueses. Consta a tradição que teria sido edificada a partir de 1700, e provavelmente funcionou inicialmente numa capela provisória, até a inauguração da igreja definitiva, cuja inauguração pelo menos parcial teria ocorrido em 1710. Documento existente no Arquivo Público Mineiro, datado de 24 de julho de 1714, refere-se à nova igreja como ainda em construção a essa época. A suntuosa ornamentação interna se deveu ao empenho do padre José de Queiroz Coimbra, falecido a 12 de setembro de 1784, tendo sido vigário da paróquia por mais de sessenta anos. Documento da Irmandade do Amparo datado de 8 de julho de 1753, alude à interferência do referido vigário para a aquisição em Lisboa de seis castiçais de prata e uma cruz destinados ao altar dessa confraria, existente na matriz de Nossa Senhora da Conceição, sabendo-se que o mesmo viria a ser substituído por um outro em 1768, contratado com Veríssimo Vieira da Mota. e que deveria ser executado de acordo com o retábulo de Nossa Senhora do Carmo também existente na matriz. Em 1822, conforme se depreende do relatório de visita do bispo de Mariana, D.Frei José da Santíssima Trindade, a igreja se encontrava bem paramentada, ostentando riqueza em sua ornamentação. Na mesma ocasião foi mencionada de forma elogiosa pelo naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire, que atribuiu a autoria dos quadros representando passagens da vida de Cristo, existentes no coro, ao mesmo artista que executou as pinturas da igreja de Ouro Preto. A igreja apresenta o partido tradicional das edificações religiosas do início do século XVIII, com planta subdividida em secções com cobertura autônoma, composta por nave, capela-mor e, lateralmente, corredores, capela do Santíssimo e parte das sacristias. Possui estrutura autônoma de madeira, paredes em adobe na fachada e taipa nas paredes laterais e internas, e cobertura do corpo em duas águas com telhas curvas. A fachada, em linhas despojadas, mostra cunhais e enquadramento dos vãos em madeira, porta central com folhas almofadadas e duas janelas de guilhotina dispostas diagonalmente em relação à mesma. O frontão é ondulado, arrematado ao centro por pequena cruz e lateralmente por torres sineiras de secção quadrangular, encimadas por cobertura piramidal de telhas em quatro águas, tendo como arremates símbolos da igreja em ferro trabalhado. Quanto à ornamentação, a igreja constitui-se numa das mais suntuosas de Minas Gerais pela exuberância da talha dourada que reveste seu interior, traduzindo diferentes momentos do barroco. Internamente é composta por três naves, com arcos de separação em cedro, recobertos por talha dourada, em motivos fitomorfos, cuja ornamentação se eleva até a cimalha real. O piso da nave central é de campas e o teto artesoado em caixotões, com pinturas bastante simples contendo símbolos da ladainha de Nossa Senhora, emolduradas por filetes dourados. Apresenta oito altares nas naves laterais, sendo três de cada lado e dois colaterais ao arco-cruzeiro, compostos por colunas torsas ou salomônicas, obedecendo ao estilo nacional português, característico da primeira fase do barroco em Minas, lembrando que um desses altares (o segundo da direita) só foi contratado em 1768 com Veríssimo Vieira da Mota. A capela-mor possui piso em campas, tribunas laterais com balcões de madeira torneada e forros em caixotões. No teto e paredes da capela-mor vêem-se quinze quadros representando os chamados mistérios do Rosário, cuja composição é marcada por figuração mais elaborada e complexa. O altar-mor filia-se a um estilo mais evoluído, apresentando um coroamento à maneira de dossel, com a presença de anjos e maior movimentação plástica. Ladeiam o trono, dois nichos encimados por dosséis proeminentes. O arco-cruzeiro é em madeira entalhada e dourada, apresentando formas de maior variedade e elaboração, com figuras de simbologia religiosa em relevo. As sacristias possuem piso em tabuado liso, e forro em painéis com pintura alusiva ao Novo Testamento. A exemplo da igrejinha de Nossa Senhora do Ó, a matriz de Sabará manifesta em sua decoração traços de influência oriental, devida talvez à colaboração de artesões oriundos das possessões portuguesas na Ásia, que podem ser vistos nas pinturas existentes nas portas de comunicação entre a capela-mor e as sacristias laterais. Essas peças foram bastante valorizadas com a restauração realizada por volta de 1964, recuperando-se a policromia original de uma das portas. O coro, com seu teto trabalhado em quadros emoldurados a ouro, integra-se ao programa decorativo da igreja. Deve-se destacar, entretanto, a presença dos púlpitos considerados os mais belos das igrejas mineiras do período. Apoiados em consolos recobertos de talha dourada, apresentam guarda-corpos vazados, ao invés de tambores fechados, e são guarnecidos por balaústres torneados, tendo esculpida em cada ângulo uma cariátide. Complementam a ornamentação da igreja valiosas peças de mobiliário, alfaia e imaginária, destacando-se, pelas dimensões e apuro de acabamento, as cômodas ou arcazes de madeira escura existentes nas sacristias. Deve-se mencionar ainda, a imagem da padroeira que teria vindo de Portugal, por volta de 1750. Texto extraído de: BARROCO 8.



Endereço: Rua Marquês de Sapucaí - Sabará - MG

Livro de Belas Artes
Inscrição:111 Data:13-6-1938
     
 

Nº Processo:0067-T-38


Observações:O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN.