Patrimônio Material - BA

Dos conjuntos urbanos (cidades históricas) tombados pelo Iphan no Nordeste, 10 estão na Bahia e retratam o processo de ocupação do território baiano até final do século XIX. Representam esse momento as cidades tombadas de Cachoeira, Itaparica, Porto Seguro e Santa Cruz de Cabrália, onde a cana de açúcar, e depois o fumo, foram a base de sustentação econômica. A interiorização do território, que se intensifica no final do século XVII, está representada por Rio de Contas, Mucugê, Igatu (no município de Andaraí), Lençóis e Monte Santo. Estas cidades guardam a memória do período da mineração de diamante no Brasil, fundamental para a ocupação dos sertões, e revelam a importância da religiosidade na estruturação desse território. 

Na Lista de Bens Materiais Tombados e Processos em Andamento (1938 a 2017), que reúne informações sobre todo o Brasil, estão os bens tombados pelo Iphan, no Estado da Bahia.  

Cachoeira - Mesmo ofuscados pelas atividades de prospecção e refino de petróleo, na segunda metade do século XX, alguns municípios ainda possuem o esplendor da época colonial. A maior expressão do barroco do Recôncavo é a cidade de Cachoeira, com lindos casarões e igrejas. Cachoeira, que está na margem esquerda do rio Paraguaçu, forma com a cidade de São Félix - margem direita -, um só organismo urbano. A área tombada possui 670 edificações e, além do acervo colonial, a Ponte D. Pedro II, o mercado, a ferrovia e a hidrelétrica são importantes marcos culturais. Em 1756, a riqueza produzida em Cachoeira pela cana de açúcar e pelo fumo ajudou a reconstruir Lisboa, totalmente destruída por um terremoto.  A cidade foi pioneira no movimento emancipador do Brasil, com os batalhões patrióticos liderados por, Rodrigo Antônio Falcão Brandão (Barão de Belém) e Maria Quitéria de Jesus (a mulher-soldado), dentre outras personalidades da história nacional.

Igatu - O Iphan tombou em 2000 o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da Vila de Igatu - distrito do município de Andaraí - também conhecido como Xique-Xique do Igatu, Cidade de Pedras, e como a "Machu Picchu Baiana" - em uma referência à histórica cidade peruana de pedra. O tombamento abrange as ruínas de habitações de pedra localizadas entre a ponte sobre o rio Coisa Boa e a margem esquerda em direção à trilha do antigo garimpo local, com aproximadamente 200 imóveis. Igatu é considerada um museu vivo da história da mineração de diamante no Brasil. A cidade viveu o apogeu e a decadência do garimpo, deixando os sinais de sua história na arquitetura e no estilo de vida dos moradores atuais. Próxima ao rio Piaba, afluente do rio Paraguaçu, limita-se com o Parque Nacional da Chapada Diamantina. 

Itaparica - A Ilha de Itaparica situa-se na Baía de Todos os Santos e sua ocupação se deu desde os primeiros tempos da colonização portuguesa. Por sua localização estratégica, foi alvo de ataques de holandeses que ocuparam o local e construíram um forte para defendê-la. Em 1704, após a saída dos holandeses, os portugueses construíram o Forte de São Lourenço, no mesmo local.  O Iphan tombou o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Itaparica em 1980. Apesar das transformações ocorridas ao longo dos anos, Itaparica conserva suas características originais, destacando-se pela uniformidade dos muitos edifícios de um só pavimento. Os sobrados são em pequeno número, onde se sobressai a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento. Itaparica desenvolveu-se ao longo das praias e em direção à Fonte da Bica, unidade de água mineral que abastece a ilha e é nacionalmente comercializada. Desde 1919, a cidade tem o título de Estância Hidromineral. 

Lençóis - Situada na Serra do Sincorá, área do Parque Nacional da Chapada Diamantina, o conjunto arquitetônico e paisagístico de Lençóis foi tombado em 1973.  Estão sob a proteção do Iphan 570 imóveis. Entre 1845 e 1871, a cidade foi a maior produtora mundial de diamantes e a terceira cidade mais importante da Bahia. Como importante entreposto comercial recebeu, até, um vice-consulado da França, para facilitar o comércio com este país. Seu acervo arquitetônico é formado, basicamente, por casas e sobrados da segunda metade do século XIX. As construções têm diferentes técnicas, entre as quais predomina a utilização do adobe ou pedra, e estruturas independentes de madeira com vedação em taipa de mão. A descoberta de minas de diamantes na África do Sul, em 1865, e a simultânea escassez de pedras na região levaram ao abandono do comércio e do garimpo.

Monte Santo - O conjunto arquitetônico, urbanístico, natural e paisagístico de Monte Santo foi tombado pelo Iphan, em 1983, e representa um dos maiores marcos dos movimentos religiosos sincréticos no Nordeste - um dos "montes sacros" do Brasil. A cidade está localizada no sopé da serra, na base do Monte Santo. Registros históricos indicam que Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro - líder religioso e criador de Canudos - esteve em Monte Santo, por volta de 1892, e realizou reparos e melhorias na Via Sacra, acompanhado por milhares de seguidores. Cinco anos mais tarde, Monte Santo se converteria na principal base militar da sangrenta Guerra de Canudos. Tais episódios serviram para consolidar a ocupação de Monte Santo e aumentar seu mistério e fama. 

Mucugê - Uma das cidades mais antigas da Chapada Diamantina, centro de exploração de ouro e diamantes, Mucugê é patrimônio brasileiro desde 1980. O conjunto tombado pelo Iphan é constituído por casas térreas e sobrados característicos da segunda metade do século XIX, além de duas igrejas. Na área protegida está o Cemitério de Santa Isabel, conhecido como “cemitério bizantino”, onde há um conjunto de mausoléus com fachadas que reproduzem miniaturas de igrejas e capelas. Conhecida como a primeira região baiana onde foram encontrados diamantes de real valor, e chegou a ter mais de 30.000 habitantes entre 1844 e 1848. Rico em paisagens naturais, como cachoeiras, vales e cânions, o patrimônio cultural da cidade agrega, ainda, as histórias de lutas pela posse do garimpo, contra a invasão da Coluna Prestes e dos coronéis. 

Porto Seguro - O conjunto arquitetônico e paisagístico da Cidade Alta de Porto Seguro foi tombado pelo Iphan, em 1968. Todo o município e, em especial, o Monte Pascoal, é Monumento Nacional, desde 18 de abril de 1973, com a assinatura do Decreto nº 72.107. Um novo tombamento ocorreu em 2000 para adequar a área protegida aos termos do decreto abrangendo, aproximadamente, 800 imóveis. O Monte Pascoal, com 536 metros de altitude e localizado na área que hoje é o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, foi o primeiro ponto da costa brasileira avistado e o local de desembarque dos portugueses, em 1500. Destaca-se, também,  o Marco do Descobrimento, situado em uma praça na Cidade Alta. Atualmente, o Marco está sobre uma plataforma, protegido por uma redoma de vidro e com quatro rampas de acesso, cujo desenho se refere à Cruz de Malta, símbolo da coragem e das virtudes cristãs. A colonização da região de Porto Seguro - onde viviam os índios Tupiniquim - confunde-se com a própria história do Brasil.

Rio de Contas - Tombado pelo Iphan, em 1980, o conjunto arquitetônico de Rio de Contas reúne praças e ruas que ainda apresentam o traçado antigo, com monumentos públicos e religiosos em pedra, casario em adobe e igrejas barrocas. Área tombada reúne 287 edificações, com os monumentos religiosos e públicos em pedra. As casas apresentam elementos que lembram a decoração surgida, mais tarde, em Paraty, no Rio de Janeiro, com fachadas que eram tradicionalmente brancas com esquadrias azuis. Rio das Contas situa-se ao sul da Chapada Diamantina e surgiu como um centro de mineração de ouro, transformando-se em verdadeira Capital Regional. Durante o século XIX, todo o tráfego para o sudoeste da Bacia do Rio São Francisco era feito pelo Caminho real, entre Goiás e Mato Grosso.

Salvador -  O conjunto urbanístico e arquitetônico contido na poligonal do centro histórico de Salvador - declarado Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco em 1985 - é um dos mais importantes exemplares do urbanismo ultramarino português. Com seus becos e ladeiras, acolhe um dos mais ricos conjuntos urbanos do Brasil, implantado em acrópole e distinguindo-se em dois planos as funções administrativas e residenciais (no alto) e o porto e o comércio (à beira-mar). Entre 1938 e 1945, vários monumentos do centro histórico foram tombados pelo Iphan, para garantir a preservação do Largo do Pelourinho e do seu entorno imediato. Os espaços públicos de Salvador - Praça Municipal, Terreiro de Jesus, Caminho de São Francisco, Largo do Pelourinho, Largo de Santo Antônio e Largo do Boqueirão - decorrentes dos traçados de suas ruas, ladeiras e becos formam um dos mais ricos conjuntos urbanos de origem portuguesa. 

São Félix - O tombamento do conjunto urbanístico e paisagístico da cidade de São Félix ocorreu em 2010. Localizada no Recôncavo Baiano e banhada pelo rio Paraguaçu, a cidade mantém uma interação histórica, urbanística e paisagística com Cachoeira, situada na outra margem do rio. Uma ponte de ferro, construída por ingleses e inaugurada por D. Pedro II em 1859, liga os dois sítios históricos. Ao longo do século XIX, durante a República, São Félix ficou conhecida como “Cidade Industrial” por ter sido a maior exportadora de charutos do País, e em função do desenvolvimento econômico recebeu a antiga Estrada de Ferro Central da Bahia, em 1881. Também destacou-se durante as lutas e mobilização social para a Independência da Bahia. Na Praça Inácio Tosta, está a casa onde morou o poeta abolicionista Castro Alves (1847 - 1871), autor do livro Espumas Flutuantes e que nasceu na vizinha cidade de Cachoeira. 

 

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