Patrimônio Mundial - DF

Brasília foi o primeiro conjunto urbano construído no século XX a ser reconhecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Patrimônio da Humanidade, e representa uma das maiores realizações urbanísticas do século passado. O projeto criado pelo urbanista Lúcio Costa começou a ser construído em 1957 e foi inaugurado em 21 de abril de 1960, apesar de que apenas algumas das edificações mais representativas (como o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto) e alguns blocos residenciais nas superquadras (ainda em processo de urbanização) estivessem, efetivamente, concluídos.

O então presidente Juscelino Kubitschek enfrentou forte oposição quanto à mudança da capital do Rio de Janeiro para o interior do país. Informava, contudo, que a cidade materializaria uma aspiração histórica nacional de interiorização e desenvolvimento do Brasil que remontava ao período colonial, haja vista que, por diversas vezes, aventou-se a possibilidade – e necessidade – de transposição da capital. Promotor de um plano de governo tão grandioso quanto ousado, conhecido como Plano de Metas, JK atribuía grande importância à construção da Nova Capital, chamando-a de “Meta Síntese”.

Assim, em 30 de setembro de 1956 era publicado no Diário Oficial da União o edital para o Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil. Um júri internacional, do qual fazia parte o arquiteto Oscar Niemeyer, decidiu pela proposta de Lucio Costa (que, aliás, fora servidor do Iphan durante décadas). Seu projeto evocava conceitos do Movimento Moderno para arquitetura e urbanismo, como o racionalismo empregado no desenho da cidade, em que as funções urbanas se encontram relativamente separadas, embora interconectadas por uma malha viária que era, ao mesmo tempo, rodoviária (presente nos dois grandes eixos que se cruzam) e doméstica (que envolve as superquadras).

Originalmente, a composição dos espaços de Brasília levou em conta a integração entre o urbanismo, a arquitetura e as artes plásticas. Na Praça dos Três Poderes, por exemplo, há esculturas de elevada expressão artística e simbolismo como “Os guerreiros”, de Bruno Giorgi (conhecida como Os dois Candangos), e “A Justiça”, de Alfredo Cheschiatti. A própria composição dos principais edifícios tem grande apelo estético, como os palácios do Itamaraty e da Justiça, que contam com jardins projetados por Burle Marx. São conhecidos dos candangos os painéis de Athos Bulcão, que ornam fachadas de edifícios bastante conhecidos, como a Igrejinha e o Teatro Nacional.

Mas fato é que a cidade, pensada para ter cerca de 500 mil habitantes, cresceu vertiginosamente. Diversas regiões administrativas (antes conhecidas como cidades satélites) compõe hoje o aglomerado urbano polinucleado do Distrito Federal, de modo que, mesmo na poligonal de tombamento, há diversidade morfológica que se diferencia do Plano Piloto, como a Candangolândia, a Vila Planalto, o Cruzeiro, o Sudoeste etc.

Portanto, o chamado Conjunto Urbanístico de Brasília, poligonal tombada pelo Governo do Distrito Federal, pelo Iphan, e protegido como patrimônio da humanidade pela UNESCO, tem seu reconhecimento baseado tanto na grande relevância de seu acervo modernista, expresso nas edificações, no desenho urbano e outras expressões artísticas, como pelo testemunho de um momento importantíssimo na história do Brasil, a mudança da capital federal. 

Carta do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco que insere Brasília na lista de Patrimônio Mundial em 11 de dezembro de 1987

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