Livro lançado pelo Iphan em Aruanã (GO) resgata a cultura e as tradições do povo indígena Karajá

 

A Aldeia Buridina situada nas margens do Rio Araguaia, no município de Aruanã (GO), foi palco no dia 28 de agosto, do lançamento do livro Arte Iny Karajá Patrimônio Cultural do Brasil, obra que visa valorizar e promover a cultura, a arte e os mitos do povo indígena Karajá, assim como sua língua materna, denominada Inyrybè. Idealizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por meio de convênio celebrado com a Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) e executado pelo Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG), o evento contou com a presença do povo indígena Karajá (adultos e crianças), prefeito de Aruanã, Hermano de Carvalho, superintendente do Iphan-GO, Salma Saddi, diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Hermano Queiroz, além de outras autoridades locais e do Estado de Goiás.

A superintendente do Iphan-GO, Salma Saddi, enfatizou que a obra vai “ampliar a comunicação dos indígenas com as demais pessoas, que vão passar a conhecer a cultura, a arte e os mitos do povo Karajá. É uma comunidade que merece ser valorizada e reconhecida, e pelo Iphan terá sempre o nosso respeito e apoio”, ressaltou.

O livro elaborado pelos próprios indígenas, e já disponível online no site do Iphan, foi produzido na língua materna karajá e em português, sendo composto por quatro capítulos que abordam a divulgação da cultura de sete aldeias karajá, que se estendem pelos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará. Dentre os principais assuntos estão as celebrações e rituais; os ofícios, saberes e modos de fazer ritxòkó (bonecas karajá); e os seus locais de habitação. As narrativas trazem os mitos, histórias, e os costumes do povo Karajá, que são ilustradas por meio de desenhos feitos e pintados pelas crianças indígenas, acompanhadas de professores das escolas nas Aldeias.

O diretor Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Hermano Queiroz, explicou que o livro é resultado de um processo que começou anos atrás. “A política do patrimônio imaterial surge no contexto em que o Brasil precisava preservar e trazer à tona a diversidade cultural. Nossas verdadeiras raízes foram criadas por uma cultura que já ocupava o solo brasileiro muito antes da chegada dos portugueses: a cultura indígena, que deixou uma enorme influência nos costumes brasileiros, e que ao longo do tempo se tornou parte do dia-a-dia do nosso povo. O Iphan esteve sempre atento a preservar esses costumes. Esse livro é uma demonstração de amor de quem tem profunda consideração com a cultura indígena, é um trabalho de reconhecimento dessas tradições”, destacou.

A publicação é resultado do projeto “Bonecas de Cerâmica Karajá como Patrimônio Cultural do Brasil: Contribuições para a sua Salvaguarda”, que trabalhou ações de promoção da cultura indígena, seguido da formação de gestores nas comunidades, com o foco no gerenciamento dos bens culturais. Também buscou-se promover o intercâmbio e a troca de saberes entre as comunidades, com diversas atividades, como a realização de oficinas de capacitação, e por fim, o fortalecimento da língua Inyrybè, que resultou no livro bilíngue. 

Para o Cacique Raul Mauri dos Santos, da Aldeia Buridina, o livro representa a realização de um sonho. “Esse olhar do Iphan de preservar a nossa cultura, não deixar morrer os nossos costumes é algo que me surpreendeu muito”, disse.

Conhecida como “mãe de todos”, Indiana Wassuri, de 35 anos, estava atenta prestigiando o lançamento do livro. Ela vive na aldeia e possui cinco filhos que participaram do livro colaborando com as ilustrações. Indiana comemorou o resultado de todo esse trabalho.  “É o resgate da nossa cultura que ao passar dos anos foi se perdendo, e agora está sendo reconstruída com esse registro que ficará para sempre”.

Presente no lançamento, o prefeito de Aruanã, Hermano de Carvalho, demonstrou a alegria do Iphan ter escolhido a cidade para o lançamento do livro. “Para nós é uma imensa satisfação ter essa publicação que vai fortalecer a cultura indígena Karajá. São povos que fazem parte e integram a história da cidade”, disse. Com o crescimento do turismo em Aruanã, o prefeito complementou que a população que visitar a cidade vai ter a oportunidade de conhecer a fundo a cultura indígena por meio do livro.

Bonecas Karajá

Os Saberes e Práticas Associados ao Modo de Fazer Bonecas Karajá e a Ritxòkò: Expressão Artística e Cosmológica do Povo Karajá são registrados pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, desde 2012. Mais do que objetos lúdicos, as bonecas de cerâmica karajá produzidas pelas mulheres, são consideradas representações culturais que refletem no ordenamento sociocultural e familiar dos indígenas. Confeccionadas com argila ou barro – suù, principal matéria prima de fabricação, as bonecas são importantes instrumentos de socialização das crianças que se veem nesses objetos e assimilam a cultura, os mitos, os rituais da vida cotidiana e da fauna. No contato, as meninas observam a sua feitura, recebem ensinamentos e aprendem também as técnicas e saberes associados à sua produção, os usos e os valores que são transmitidos de geração a geração.

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