II Seminário de Fortaleza: CineTeatro sedia discussões sobre Patrimônio Cultural

A relevância da Política do Patrimônio Cultural Imaterial para construção das identidades que formam a sociedade brasileira. Este foi tema que abriu os trabalhos do segundo dia do evento que trata sobre os Desafios para o Fortalecimento da Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, realizado em Fortaleza (CE), e que segue até o dia 11 de novembro.  

O doutor professor emérito da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Ulpiano Bezerra, propôs reflexões sobre conceitos, dentre eles o de identidade. Ele afirma que a grande novidade da Constituição Federal de 1988 não está na inserção da categoria patrimônio cultural em si, mas sim o que esta nova categoria pressupõe e que estava ausente: e emoção as pessoas. O especialista ressalta que o Patrimônio estava centrado em “coisas” e, ao transferir a matriz do valor cultural do Estado para as práticas sociais de identidade e memória, a Constituição introduziu na arena a figura do sujeito, sendo outro atributo próprio do indivíduo a: emoção.

Promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o II Seminário de Fortaleza teve sequência com a conferência de Marcia Sant´Anna sobre Dilemas e Desafios da Salvaguarda dos Bens Culturais Imateriais. A Conselheira do Patrimônio Cultural, que também foi diretora do Instituto, coordenou os trabalhos do I Seminário de Fortaleza, realizado há 20 anos na capital cearense, quando então ocupava o cargo de superintendente do Iphan no estado. Emocionada, Marcia Sant´Anna agradeceu o convite e aos especialistas da área e técnicos do Iphan que tornaram possível iniciar e dar força às discussões para a elaboração da Política do Patrimônio Imaterial. 

Em sua palestra, Sant´Anna pontuou que, mesmo antes da aprovação da Convenção de 2003, a UNESCO propunha como modelo para os países membros, a política de salvaguarda de origem japonesa, que ficou mundialmente conhecida como Tesouros Humanos Vivos, centrada no reconhecimento de indivíduos e grupos produtores, praticantes de manifestações culturais como “patrimônios vivos”. Já a visão brasileira foi de patrimonializar o bem cultural e não as pessoas que o produzem, reconhecendo, assim, que a salvaguarda não depende somente delas, nem apenas da sua vontade e participação, mas também de certas condições materiais, ambientais, sociais, de circulação e consumo que possibilitam a existência, transmissão e reprodução desse bem.

Ao longo dos 17 anos de criação da Política de Salvaguarda Nacional, a especialista aponta entre as conquistas a boa recepção social e o grande interesse despertado pela salvaguarda de bens culturais imateriais, assim como o fortalecimento da autonomia dos produtores e detentores ao longo do processo de salvaguarda do bem cultural, a exemplo do samba de roda e da arte Kusiwa.

Já entre os desafios destaca-se o de integrar as políticas relativas às dimensões material e imaterial do patrimônio cultural, dividindo equilibradamente, entre elas, os recursos financeiros da instituição. Outro ponto levantado é a dificuldade de se levar, de uma maneira mais eficiente para a sociedade, o entendimento sobre o que é e quais são os Patrimônios Culturais do Brasil. Marcia ressalta que o caminho é longo para se chegar ao Registro e a Salvaguarda de um bem. “É necessário se fazer entender que isto não é uma mera titulação”, disse. 

Na última mesa do dia, Alessandra Ribeiro, Rosildo Rosário, Ana Cláudia Lima trouxeram as experiências de gestão participativa de salvaguarda.  

Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan

comunicacao@iphan.gov.br
Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br
Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
(61) 2024-5516- 2024-55 - 2024-5531
(61) 99381-7543
www.iphan.gov.br
www.facebook.com/IphanGovBr | www.twitter.com/IphanGovBr
www.youtube.com/IphanGovBr

II Seminário de Fortaleza - 09.11.17

  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17
    II Seminário de Fortaleza - Alessandra Ribeiro
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17II
    II Seminário de Fortaleza - Ana Claudia
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17III
    II Seminário de Fortaleza - Marcia Sant´Anna
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17IX
    II Seminário de Fortaleza - Participante 1
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17V
    II Seminário de Fortaleza - Participante 3
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17VI
    II Seminário de Fortaleza - Participante
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17VII
    II Seminário de Fortaleza - Participantes
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17VIII
    II Seminário de Fortaleza - Roda Alessandra Ribeiro
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17IX
    II Seminário de Fortaleza - Rosildo Rosario
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17X
    II Seminário de Fortaleza - Ulpiano Rodrigues
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17XI
    II Seminário de Fortaleza -Público
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17XII
    II Seminário Fortaleza Mestre Gilberto Calungueiro
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17XIII
    II Seminário Fortaleza Mestre Gilberto Calungueiro 1
  • CE_Eventos_II Seminário_de_Fortaleza _09_11_17XIV
    II Seminário Fortaleza Mestre Gilberto Calungueiro 3
Compartilhar
Facebook Twitter Email Linkedin