Brasília (DF)

Brasília é a materialização de uma aspiração histórica da nação brasileira. Logo após eleito presidente, Juscelino Kubitschek realiza, em 1957, o concurso nacional para o Plano Piloto de Brasília. O vencedor foi o arquiteto e urbanista Lucio Costa, que em conjunto com o também arquiteto e urbanista Oscar Niemeyer, conceberam uma das maiores realizações culturais do século XX.  Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília cumpriu sua missão histórica de promover a integração do território brasileiro e de interiorizar o desenvolvimento. 

A cidade foi o primeiro conjunto urbano do século XX a ser reconhecida pela Unesco, em 1987, como Patrimônio Mundial. A principal característica de Brasília é a monumentalidade, determinada por suas quatro escalas: monumental, residencial, bucólica e gregária e por sua arquitetura inovadora. O conjunto urbanístico de Brasília, construído em decorrência do Plano Piloto traçado para a cidade, por Lucio Costa, foi inscrito no Livro de Tombo Histórico pelo Iphan em 14 de março de 1990.
 
As ideias de transferência da capital do Brasil remontam ao período colonial.  Em 1761, o Marquês de Pombal, então primeiro-ministro de Portugal, propunha mudar a capital do império português para o interior do Brasil Colônia. Mais tarde, a centralização da capital foi defendida pelos Inconfidentes. Em 1813, o jornalista Hipólito José da Costa, fundador do Correio Braziliense, redigiu artigos em defesa da interiorização e, em 1823, José Bonifácio, o Patriarca da Independência, refere-se à futura cidade como Brasília. Igualmente, o historiador e diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen, fez proposta análoga na segunda metade do século XIX. 

A primeira institucionalização da ideia veio com a Constituição Republicana de 1891, que fez referência a uma área no Planalto Central a ser “demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal”. Essa demarca-ção teve início em 1892, com a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil que ficou conhecida como Missão Cruls - chefiada pelo astrônomo Luís Cruls, então diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro.

No entanto, a interiorização da capital do Brasil somente voltou a ser discutida após o fim do Estado Novo, em 1945. Ratificando as conclusões da Missão Cruls, a Comissão de Localização da Nova Capital, criada no governo do presidente Dutra (1946-1951), definiu o território do Distrito Federal. O relatório então apresentado incluiu um plano elaborado por José de Oliveira Reis, Raul Pena Firme e Roberto Lacombe, professores de urbanismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Em 1950, foi realizado o levantamento aerofotogramétrico de uma área de aproximadamente 5,8 mil quilômetros quadrados, que corresponde ao atual Distrito Federal. Durante o governo de Getúlio Vargas (1951- 1954), a Comissão examinou as diferentes alternativas para o assentamento urbano neste território e definiu o sítio da cidade, propondo batizá-la de Vera Cruz, o primeiro nome do país. 

Eleito Presidente da República, Juscelino Kubitscheck de Oliveira estabeleceu a construção de Brasília como meta-síntese de seu Plano de Metas. Em 1956, foi criada a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e publicado o edital do Concurso do Plano Piloto, que estabeleceu os contornos do Lago Paranoá e a localização do futuro aeroporto e do Palácio da Alvorada, residência do Presidente da República. 

Brasília, a atual capital do Brasil, foi concebida, projetada e construída entre 1957 e 1960, data de sua inauguração. Seu conjunto urbanístico se constitui no principal artefato urbano produzido em consonância com os princípios urbanísticos e arquitetônicos do Movimento Moderno. Inserida no projeto nacional de modernização do país conduzido pelo então Presidente Juscelino Kubitschek, sua construção e consolidação como capital do Brasil compõem um fenômeno geopolítico e social de grande desdobramento para a história brasileira. 

Em sua concepção, destaca-se a excepcional correspondência entre o projeto urbanístico de Lucio Costa e a arquitetura de Oscar Niemeyer, cuja imagem mais forte resulta do cruzamento entre os Eixos Monumental e Rodoviário, que define o seu esquema urbano e enfatiza o caráter representativo dos espaços públicos da Praça dos Três Poderes e da Esplanada dos Ministérios, expresso nas formas do edifício do Congresso Nacional e do modo de morar concebido, definido pela Unidade de Vizinhança e suas Superquadras. 

Na sua arquitetura inovadora encontram-se palácios, edifícios públicos, pontes, jardins, painéis e esculturas, que reúnem o melhor da arquitetura e da arte brasileira dos anos 1950, 1960 e 1970 nas quais se incluem: o Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional (na Praça dos Três poderes), o Palácio do Itamaraty, Palácio da Justiça, Catedral Metropolitana, Teatro Nacional, Museu e a Biblioteca Nacionais (na Esplanada dos Ministérios), Torre de TV e Memorial JK (no Eixo monumental), Palácio da Alvorada, Catetinho e outras edificações e monumentos em diversos setores da cidade. 

A integração entre o urbanismo, a arquitetura e as artes plásticas é uma das principais características de Brasília. Na Praça dos Três Poderes, há esculturas de elevada expressão artística e simbolismo que compõem o cenário da praça: Os guerreiros de Bruno Giorgi (também conhecida como Os dois candangos) e A justiça de Cheschiatti. Destacam-se, também, os painéis de Athos Bulcão presentes em vários edifícios (Teatro Nacional, Congresso Nacional e Palácio do Itamaraty, entre outros).  Ao Meteoro do artista Bruno Giorgi, que marca o espelho d’água do Palácio Itamaraty, juntam-se os Evangelistas de Alfredo Ceschiatti, que compõem o conjunto da Catedral Metropolitana. 

Além do Museu Nacional, que reúne importante acervo de arte moderna, diversas instituições sediadas em Brasília, como o Congresso Nacional, Palácio do Itamaraty, Banco Central, Caixa Econômica Federal e Centro Cultural do Banco do Brasil possuem acervos notáveis abertos ao público, com obras de Marianne Perretti, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Emanuel Araújo, Franz Weissman, Manabu Mabe, Maria Martins, Mary Vieira, Pedro Américo, Rubem Valentim, Sérgio Camargo e  Victor Brecheret, entre outros.
 
Na Esplanada dos Ministérios, estão o Palácio Itamaraty, a Catedral, o Teatro Nacional e o Museu Nacional da República. Constituem ainda marcos arquitetônicos as duas únicas edificações projetadas por Lucio Costa em Brasília, a Torre de Televisão e a Plataforma da Rodoviária que, localizada no cruzamento dos eixos, são os locais mais utilizados pela população da cidade. O paisagismo de Burle Marx embeleza os jardins do Palácio do Itamaraty, do Setor Militar Urbano e da Superquadra 308 Sul.

Atualmente, com cerca de 2,6 milhões de habitantes, Brasília é uma das maiores metrópoles do Brasil. Além de sediar o Governo Federal e ser um grande centro prestador de serviços, com acervo arquitetônico, urbanístico e paisagístico de grande beleza e singularidade. É uma cidade-parque, densamente arborizada, emoldurada pelo Lago do Paranoá. 

Fontes: Arquivo Noronha Santos/Iphan

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