Rio de Janeiro, paisagens cariocas entre a montanha e o mar

Uma natureza absolutamente singular e magnífica foi o que os europeus encontraram quando, no século XVI, avistaram a Baía de Guanabara e fundaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Seus arredores caracterizados pela combinação entre o mar, as montanhas e a floresta, ao longo de mais de quatro séculos de história, foi e tem sido palco de grandes e importantes eventos históricos do Brasil.

A partir de 1992, o conceito de paisagem cultural foi adotado pela Unesco e incorporado como uma nova tipologia de reconhecimento dos bens culturais. Anteriormente, os sítios reconhecidos nessa categoria eram relacionados a áreas rurais, sistemas agrícolas tradicionais, jardins históricos e outros locais de cunho simbólico. A cidade do Rio de Janeiro passou, em 1o. de julho de 2012, a ser a primeira área urbana no mundo a ter reconhecido o valor universal da sua paisagem urbana.

A paisagem cultural da cidade do Rio de Janeiro é única no mundo e representa um exemplo excepcional dos desafios, das contradições e da criatividade do povo brasileiro. A harmonia entre a paisagem natural e a intervenção do homem, incluindo o uso e as práticas em seu espaço e suas manifestações culturais, tornou o Rio de Janeiro internacionalmente conhecido.

Histórico - A reação portuguesa a ataques de outros países e da pirataria europeia à Baía de Guanabara durou de 1560 a 1567 (século XVI). Em 1565, Estácio de Sá fundou, entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. No primeiro núcleo urbano, transferido da Vila Velha para o Morro do Castelo, foram erguidos o Colégio dos Jesuítas, a Igreja Matriz e a Casa da Câmara. A cidade, inicialmente, era um porto açucareiro. Ainda no século XVII, a pecuária e a lavoura de cana-de-açúcar impulsionaram o seu progresso.

Com o porto escoava a produção do ouro das Minas Gerais, no século XVII, sua importância político-econômica cresceu. Surgiram, então, a Praça Colonial, a Casa dos Contos e a da Moeda, o paço, e os armazéns reais. Na segunda metade do século XVIII, em 1763, o Rio de Janeiro tornou-se sede do governo-geral do Brasil-Colônia e capital do Vice‐Reino do Brasil - que até então era Salvador (BA) - e começou a ser remodelado pelo engenheiro sueco Jacques Funk.
 
Determinante para a transformação da cidade, e para a formação do Brasil, foi a mudança da Corte Portuguesa, em 1808, fato que não encontra similar em todo o mundo. Além de representar novos horizontes políticos e econômicos, especialmente a partir da abertura dos portos brasileiros, a presença da Corte colocou fim ao isolamento intelectual e cultural da cidade. Após a Proclamação da República, em 1889, o Rio de Janeiro manteve seu posto de sede política e administrativa e era, à época, a maior cidade do país, com mais de 500 mil habitantes.

No alvorecer do século XX, a capital brasileira inaugurou uma fase de remodelação urbana, com a abertura das grandes avenidas, entre outras mudanças urbanas. A partir de 1912, o velho centro foi rasgado por uma nova avenida ladeada por edifícios em estilo belle époque parisiense, a avenida Central, que logo foi oficializada como avenida Rio Branco. Novos bairros e edificações surgiram - o Teatro Municipal, a Cinelândia, o caminho aéreo do Pão de Açúcar -, e muitas demolições aconteceram, como a da Igreja de Nossa Senhora de Copacabana para abrigar o Forte de Copacabana.

O século XX foi marcado pelo movimento modernista, os governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek, além da ditadura militar (a partir de 1964). Com a transferência da capital para Brasília, no Planalto Central, em 1960, o Rio de Janeiro perdeu a condição de centro político, mas manteve-se como metrópole mundialmente conhecida por sua excepcional interação entre cultura e natureza.

Patrimônio - O desenvolvimento da cidade do Rio tem sido moldado por uma criativa fusão entre natureza e cultura. Além de ser um dos cenários mais belos do Brasil, o Rio de Janeiro é também local onde as manifestações culturais ali produzidas expressam a síntese do viver carioca que se tornou internacionalmente popular: o samba, a bossa nova, o futebol, o carnaval de rua e as tradicionais festividades religiosas. Paisagem e modo de viver que se veem registrados em relatos de viagem, músicas, obras literárias, filmes e imagens, do século XVI até a atualidade.

Esses aspectos expressam os critérios indicados que caracterizam os valores universais excepcionais do bem inscrito, que é integrado por quatro componentes localizados desde a zona sul do Rio de Janeiro ao ponto oeste de Niterói, no Grande Rio. Estão incluídos monumentos como o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, o Jardim Botânico e famosa praia de Copacabana, além da entrada da Baía de Guanabara. Os bens cariocas incluem também o forte e o morro do Leme, o forte de Copacabana e o Arpoador, o Parque do Flamengo e a enseada de Botafogo.

Em todos eles estão presentes a manutenção do uso público, social e de lazer estabelecido originalmente em cada uma, por serem áreas de propriedade do governo brasileiro transformadas em parques, como o Parque Nacional da Tijuca, o Parque do Flamengo e o Monumento Natural do Pão de Açúcar; ou áreas de domínio público tuteladas pelo Iphan, como os fortes da entrada da Baía de Guanabara e o Jardim Botânico, ou pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac), como o paisagismo com os mosaicos de pedra portuguesa de Burle Marx na Praia de Copacabana.

A integridade das diferentes áreas é observada a partir da importância e da função que exercem na vida da cidade. Diversas medidas de proteção ambiental e do patrimônio cultural foram implementadas desde o século XIX, com a desapropriação das fazendas localizadas nas serras da Carioca e da Tijuca e o seu reflorestamento, que trouxeram benefícios ambientais à cidade e interferiram no uso e na morfologia das diversas áreas que integram o Sítio.

A inscrição do Rio de Janeiro na categoria de paisagem cultural, por seu valor universal excepcional, foi um passo importante para consolidar as ações de proteção e preservação de uma interação única entre a cultura e a natura, em uma metrópole densamente ocupada.
 

Dossiê de candidatura
Avaliação Icomos
Plano de Gestão - Versão em inglês

 

Rio de Janeiro - paisagens cariocas entre a montanha e o mar (RJ)

  • Pão de açúcar
    Os morros do Pão de Açúcar, Urca, Cara de Cão e Babilônia formam o esporão sul da barra da Baía de Guanabara
  • Rio de Janeiro Vista aérea
    A Paisagem Cultural da Cidade do Rio de Janeiro representa a harmonia entre a paisagem natural e a intervenção do homem
  • Rio de Janeiro Vista aérea
    A cidade do Rio de Janeiro foi a primeira área urbana no mundo a ter reconhecido o valor universal da sua paisagem
  • RJ_Rio_de_Janeiro_Pao_de_acucar
    O belo cenário do Rio de Janeiro, primeira área urbana no mundo premiada com a chancela da UNESCO de paisagem cultural de valor universal.
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