Fernando de Noronha (PE)

O arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, é formado pelo topo das montanhas de uma cordilheira vulcânica e tem sua base a cerca de quatro mil metros de profundidade. 0cupa área de aproximadamente 26 quilômetros quadrados, com 21 ilhas, rochedos e ilhotas. Das ilhas na região, Fernando de Noronha é a que conta com as maiores colônias reprodutivas de aves marinhas e de variadas e exóticas espécies de peixes, esponjas, algas, moluscos e corais.

Histórico
Os primeiros registros na história foram feitos em 1500, pelo cartógrafo espanhol Juan de la Cosa e, em 1502, pelo português Alberto Cantino. A descoberta do arquipélago, no entanto, deu-se em 10 de agosto de 1503, pelo navegador espanhol Américo Vespúcio, participante da II Expedição Exploradora da costa brasileira, comandada por Gonçalo Coelho e financiada pelo fidalgo português Fernão (ou Fernan) de Loronha, um cristão novo arrendatário de pau-brasil.

Um ano depois, a ilha foi doada em forma de Capitania Hereditária ao financiador da expedição, que não a ocupou. Os primeiros a apossarem-se daquele pequeno paraíso em meio ao Atlântico foram os holandeses, em 1629, dando-lhe o nome de Pavônia, em homenagem ao arrendatário Michiel de Pavw. Depois da expulsão dos holandeses, em 1654, o arquipélago ficou novamente abandonado até 1736, quando foi invadido pelos franceses e rebatizado de Isle Delphine, numa clara referência aos golfinhos lá existentes.

Em 1737, por determinação dos portugueses, a Capitania de Pernambuco dominou a ilha, iniciando sua colonização e a construção de diversas fortificações. Com o conflito político da década de 1930, o Governo brasileiro requisitou o arquipélago para a implantação de presídio político, transformando-se depois em base avançada de guerra.

Como território federal, ficou sob o domínio militar de 1942 a 1987. Por força da Constituição de 1988, a ilha foi devolvida a Pernambuco, constituindo região geoeconômica, social e cultural do estado. É conduzida por um administrador nomeado pelo Governo pernambucano, com o aval da Assembleia Legislativa. A sede do distrito fica no Palácio São Miguel, situado na Vila dos Remédios, e tem como foro a comarca de Recife.

Patrimônio Natural
Entre as ilhas do Atlântico Sul tropical, Fernando de Noronha é a que abriga as maiores colônias reprodutivas de aves marinhas. Existe grande concentração delas no arquipélago, destacando-se a viuvinha grande, a trinta réis de manto negro e a viuvinha branca. Há também diversas espécies parentes dos pelicanos: mumbebo branco-grande, mumbebo marrom, mumbebo de patas vermelhas, catraia, rabo de junco de bico amarelo e bico-vermelho. Nas matas, vivem o sebito, o cucuruta e a arribação. As aves migratórias, em geral provenientes do hemisfério norte, chegam para descansar e se alimentar. São doze espécies de maçarico e batuíra, sendo a mais comum a vira-pedra.

Uma de suas maiores atrações do arquipélago é o espetáculo das dezenas de golfinhos nadando, assim como as praias, pontilhadas por recifes de coral formando piscinas naturais; as áreas sem recifes são ideais para a prática do surf. Na Baía de Santo Antônio encontram-se vestígios de um naufrágio, ponto muito procurado para o mergulho livre e de onde se pode descortinar uma das mais belas vistas das principais ilhas.

Fernando de Noronha dispõe de inúmeras piscinas naturais, que permitem o contato com a variada e exótica fauna marinha do arquipélago. Nas águas rasas, encontram-se os peixes coloridos, como donzela de rocas, sargentinho, coroca e moréias. Nas águas profundas, estão o frade, budião, ariquita, pirauna e o borboleta.  No fundo do mar, vivem os cações, as arraias e o pacífico lambaru.  

Os golfinhos da espécie Stenella longirostris, conhecidos como rotadores, podem ser observados em seu ambiente natural na baía dos Golfinhos. Esse é o único lugar do Atlântico onde ocorre a concentração desses animais. Diariamente, ao nascer do sol, grupos de rotadores deslocam-se para o interior da baía para descanso e reprodução, voltando para o alto mal à tarde, em busca de alimento (pequenos peixes e lulas). A circulação de embarcações e a prática de mergulho nessa área estão proibidas desde 1986, como medida de proteção à espécie. É preciso lembrar que a caça e a captura de golfinhos, botos e baleias em águas brasileiras são também proibidas por lei federal.

0s golfinhos rotadores têm esse nome pelo fato de executarem saltos com rotação do corpo fora da água. Podem atingir até dois metros de comprimento e pesar 90kg. Seu período de gestação e de aproximadamente dez meses e meio, nascendo um filhote de 80 centímetros. Possuem o dorso na cor cinza-escuro, com faixas medianas cinza-claro, e o ventre branco. São animais gregários, com comportamento social complexo. É comum deslocarem-se em grupos compostos por dois ou centenas de indivíduos de todas as idades e de ambos os sexos.

Importantes projetos ecológicos são desenvolvidos e normas rígidas de controle ambiental são seguidas, visando também a preservação do patrimônio histórico e arqueológico; a proteção das tartarugas marinhas que ali desovam - Projeto Tamar; o controle das aves marinhas e migratórias - Projeto Cemave; e o estudo e registro dos golfinhos - Projeto Golfinho Rotador.

No Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (Parnamar), criado em 14 de setembro de 1988, algumas atividades são proibidas, como: caça e pesca submarina; introdução de animais e plantas; coleta de sementes, raízes, frutos, conchas, corais, pedras, e animais; alteração da vegetação local; visita as praias do Leão e do Sancho, no período de janeiro a  junho, no horário das  18h  às  6h; acampamentos e pernoites;  mergulhos  e parada de  embarcações nas proximidades da baía  dos Golfinhos; visita a áreas públicas sem autorização; e escrita ou pichação em rochas, árvores ou placas.

Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PE)

  • Praia do Sancho
    A Praia do Sancho é coberta por vegetação nativa e limitada por uma alta falésia
  • Forte de Nossa Senhora dos Remédios
    O Forte de Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha, representou a principal estrutura de defesa da ilha principal
  • PE_Fernando_de_Noronha
    Montanhas de uma cordilheira vulcânica formaram o arquipélago de Fernando de Noronha (PE) com ilhas, rochedos e ilhotas.
  • PE_Fernando_de_Noronha
    Na região das ilhas de Fernando de Noronha (PE), estão colônias reprodutivas de aves marinhas e uma fauna marinha exótica.
  • PE_Fernando_de_Noronha
    O arquipélago Fernando de Noronha, em Pernambuco, foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial, em 2001.
Compartilhar
Facebook Twitter Email Linkedin