Fandango Caiçara

Grupo Mestre Romão de fandango.

O Fandango Caiçara - registrado pelo Iphan em novembro de 2012 - é uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva, cuja área de ocorrência abrange o litoral sul do Estado de São Paulo e o litoral norte do Estado do Paraná. Essa forma de expressão é um dos bens imateriais que compõe o Patrimônio Cultural do Brasil. Possui uma estrutura bastante complexa e se define em um conjunto de práticas que perpassam o trabalho, o divertimento, a religiosidade, a música e a dança, prestígios e rivalidades, saberes e fazeres. O Fandango Caiçara se classifica em batido e bailado ou valsado, cujas diferenças se definem pelos instrumentos utilizados, pela estrutura musical, pelos versos e toques.

Nos bailes, como são conhecidos os encontros onde há fandango, se estabelecem redes de trocas e diálogos entre gerações, intercâmbio de instrumentos, afinações, modas e passos viabilizando a manutenção da memória e da prática das diferentes músicas e danças. O fandango caiçara é uma forma de expressão profundamente enraizada no cotidiano das comunidades caiçaras, um espaço de reiteração de sua identidade e determinante dos padrões de sociabilidade local.

Articulando expressões coreográficas, musicais e poéticas, se configura por um conjunto de práticas que passam pelo trabalho e divertimento, música e dança, prestígios e rivalidades. Tal qual é vivenciado atualmente, nesta região, resultou de um específico processo histórico-social consolidado, sobretudo, a partir do final do século XIX, com a formação dos núcleos de povoamento chamados “sítios”. A partir dos modos de vida configurados nesses espaços, o fandango adquiriu seus contornos, estando ligado a atividades rurais baseadas na roça, na pesca e no extrativismo. 

O fandango para os “sitiantes-caiçaras”, se apresentava como o espaço da “reciprocidade”, onde o “dar-receber-retribuir” constituía a base de suas socialidades, marcada pelas dimensões familiares, de compadrio e vizinhança. Para as comunidades rurais e de pescadores estabelecidas nesse território, o lugar do fandango em suas vidas sociais e lúdicas além de estar ligado à organização do trabalho comunitário - o mutirão – relacionava-se também, ao conjunto de laços de sociabilidade produzidos na região.

De casamentos e batismos, festas de santos padroeiros e aniversários, até alianças de ajuda mútua e compadrios, observa-se dinâmicas sociais marcadas e conduzidas pelas cadências do fandango. De certo modo, a lógica do mutirão acompanhava as diferentes configurações deste fazer fandango, e, nesse contexto, de fato as divisões entre trabalho e divertimento sempre foram tênues. 

 

Documentos

Parecer do DPI
Parecer do Conselho Consultivo 
Certidão
Titulação do Fandango Caiçara

Leia mais

Mutirões e casamentos dos fandangueiros
Museu Vivo do Fandango
Dossiê do Fandango Caiçara
Video do Registro
Banco de Dados dos Bens Culturais Registrados
Contato

 

Fandango Caiçara

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    O Grupo de Fandango da Associação de Jovens da Jureia, em Barra do Ribeira (SP), segue a tradição de encontros entre vizinhos e as práticas intercomunitárias.
  • REG_IMAT_Fandando_Caicara
    O Fandango Caiçara se classifica em batido e bailado ou valsado, cujas diferenças se definem pelos instrumentos utilizados, pela estrutura musical, pelos versos e toques.
  • REG_IMAT_Fandando_Caicara
    Fabricação artesanal de tamancos usados nas danças de fandango.
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    Instrumentos musicais fabricados pelos irmãos Zé Pereira e Arnaldo Pereira.
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    Fabricação artesanal de instrumentos por Nelson Franco, o Picapau.
  • REG_IMAT_Fandando_Caicara
    Grupo Caiçara Cananeia, de fandango.
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    Baile caiçara.
  • REG_IMAT_Fandando_Caicara_Danca
    O Fandango Caiçara se classifica em batido e bailado ou valsado, cujas diferenças se definem pelos instrumentos utilizados, pela estrutura musical, pelos versos e toques.
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