Fazenda cafeeira do século XIX é restaurada no Médio Paraíba (RJ)

A Santa Eufrásia consiste em uma das mais antigas fazendas cafeeiras do Rio de JaneiroQuando, em 1834, Ezequiel de Araújo Padilha fundou uma fazenda em Vassouras, dificilmente previu que, quase 200 anos depois, a propriedade se transformaria em um ícone de seu tempo. Na última quinta-feira, 1º de agosto, a Fazenda Santa Eufrásia foi reinaugurada após um processo de restauração fiscalizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A continuidade da Santa Eufrásia – nomeada em homenagem à mãe do fundador bem como à santa de mesmo nome – deve-se em parte às obras que, ao longo do tempo, tanto conservaram algumas de suas características originais quanto promoveram intensas transformações.

Durante o evento, também foi lançado o livro Fazenda Santa Eufrásia – A Restauração de um patrimônio, que narra a história da propriedade e descreve as particularidades da restauração. Na ocasião, o público pôde fazer visitas guiadas à casa principal, cujo restauro combinou técnicas tradicionais com procedimentos modernos de engenharia.

O Iphan não apenas atuou na fiscalização como também intermediou um termo de compromisso com a Transportadora Associada de Gás/Petrobras (TAG). O documento previu que os reparos fossem realizados como medida compensatória à construção de um gasoduto nas terras da fazenda. Essa ação, por sua vez, foi executada pela sucessora da TAG, a Nova Transportadora do Sudeste SA (NTS), que contratou a Construtora Biapó e o Centro de Estudos e Pesquisa 28 para promover o restauro.

As obras começaram em fevereiro de 2018 e terminaram em abril de 2019. Pela primeira vez no estado foram utilizados dormentes de polímero. Essas peças costumam ser feitas de madeira, mas o novo material tem vida útil mais prolongada e longas dimensões, o que, no caso da madeira, o mercado não oferece mais sem emendas. Nesse processo destaca-se ainda o aprendizado de técnicas tradicionais de construção por parte da população local, feito que pode ter desdobramentos positivos para outros bens culturais da região.

Na abertura do evento, a superintendente substituta do Iphan-RJ, Mônica da Costa, analisou que “a Santa Eufrásia é prova viva de que preservação e desenvolvimento podem e devem caminhar lado a lado”. Nesse sentido, a cavalariça e quartos da casa principal foram adaptados para a hospedagem de turistas. Também foi reconstruído um antigo armazém.

No decorrer dos trabalhos, o projeto Canteiro Aberto atraiu quase 400 pessoas interessadas em visitar as obras. Tais encontros ainda ofereceram apresentações de grupos locais de Jongo e da Folia de Reis. De modo análogo, a reinauguração contou com a participação da banda do Programa Integração pela Música (PIM), que oferece ensino musical gratuito para crianças da rede pública da região.

A Fazenda

Característica do século XIX, a casa sede abriga um acervo expressivo, que compreende em torno de 680 peças classificadas e catalogadas pelo Instituto. Mobiliário, louças e pratarias compõem a variada coleção, na qual se destacam uma liteira e três carruagens. O conjunto, tombado em 1970, também inclui um bosque com árvores centenárias e de madeira de lei, assim como uma represa, criada para mover a roda d’água do antigo engenho. 

Detalhe da cavalariça, um dos edifícios mais degradados antes da restauração

Vassouras e outros 14 municípios dos arredores compõem o Vale do Café, região que no século XIX chegou a produzir 75% do café consumido no mundo. Grandes concentrações de terra voltadas à monocultura e mão de obra escrava são marcas dessa conjuntura histórica. Com o declínio da economia do café, os herdeiros do fundador da Santa Eufrásia não conseguiram quitar as dívidas. A propriedade, então, foi hipotecada e permaneceu estagnada por anos.

Já em 1905, o Coronel Horácio José de Lemos comprou a fazenda com o propósito de alargar o escopo da atuação: investiu na agricultura, na pecuária, assim como transformou as terras em ponto turístico. Parte dos herdeiros atuais descendem diretamente deste proprietário, o que contribui para que a memória da fazenda seja transmitida oralmente pelos que vivenciaram o seu passado.


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Reinauguração da Fazenda Santa Eufrásia (RJ)

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    A fazenda concilia preservação da memória do século XIX com técnicas modernas de restauração
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    Acervo da propriedade reúne louças e móveis do século XIX
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    Paisagem e entorno notáveis levaram o conjunto a ser reconhecido pelo Instituto por seu valor histórico e paisagístico
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    Exposição de imagens com etapas da obra chamou a atenção do público
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    Reinauguração da fazenda atraiu colaboradores do processo de restauração
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