Patrimônio Imaterial - RJ

Estão registrados como bens culturais de natureza imaterial, no Estado do Rio de Janeiro, as manifestações culturais Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e samba enredo, o Jongo do Sudeste, a Festa do Divino Espírito Santo de Paraty, a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira. 

Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e samba enredo - No começo do século XX, a partir de influências rítmicas, poéticas e musicais do jongo, do samba de roda baiano, do maxixe e da marcha carnavalesca, consolidaram-se três novas formas de samba: o partido alto, vinculado ao cotidiano e a uma criação coletiva baseada em improvisos; o samba-enredo, de ritmo inventado nas rodas do bairro do Estácio de Sá e apropriado pelas nascentes escolas de samba para animar os seus desfiles de Carnaval; e o samba de terreiro, vinculado à quadra da escola, ao quintal do subúrbio, à roda de samba do botequim. Essas matrizes referenciais do samba no Rio de Janeiro são cultivadas há mais de 90 anos nessas comunidades, e significam mais do que uma forma de expressão, pois são modos de socialização e referenciais de pertencimento desses grupos. 

Festa do Divino Espírito Santo de Paraty - Inscrita no Livro de Registro das Celebrações desde 2013, essa manifestação cultural está enraizada no cotidiano dos moradores da cidade, é um momento de reiteração da identidade e determinante dos padrões de sociabilidade local. A Festa do Divino Espírito Santo, de origem portuguesa, foi disseminada no período da colonização e ainda hoje presente em todas as regiões do Brasil. Em Paraty, constitui-se por vários rituais e inicia-se no Domingo de Páscoa, com o levantamento do mastro. Suas manifestações e rituais ocorrem ao longo da semana que antecede o Domingo de Pentecostes, principal dia da festa. A celebração propicia momentos importantes, símbolos de caridade e de colaboração entre a comunidade, como o almoço do Divino, a distribuição de carne abençoada e de doces.

Jongo no Sudeste - É uma forma de expressão afro-brasileira que integra percussão de tambores, dança coletiva e práticas de magia. É praticado nos quintais das periferias urbanas e em algumas comunidades rurais dos Estados do sudeste brasileiro: Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O jongo consolidou-se entre os escravos que trabalhavam nas lavouras de café e cana-de-açúcar, principalmente no Vale do Rio Paraíba jongo de Campos, tambor da Fazenda Machadinha em Quissamã e jongo de Porciúncula. Trata-se de uma forma de comunicação desenvolvida no contexto da escravidão e que serviu como estratégia de sobrevivência e de circulação de informações codificadas sobre fatos acontecidos entre os antigos escravos por meio de pontos que os capatazes e senhores não conseguiam compreender. Também é conhecido pelos nomes de tambu, batuque, tambor e caxambu, dependendo da comunidade que o pratica. 

Roda de Capoeira e Ofício dos Mestres de Capoeira - A capoeira é um elemento estruturante de uma manifestação cultural, espaço e tempo, onde se expressam simultaneamente o canto, o toque dos instrumentos, a dança, os golpes, o jogo, a brincadeira, os símbolos e rituais de herança africana - notadamente banto - recriados no Brasil. Profundamente ritualizada, a roda de capoeira congrega cantigas e movimentos que expressam uma visão de mundo, uma hierarquia e um código de ética que são compartilhados pelo grupo. Os mestres são detentores dos conhecimentos tradicionais dessa manifestação e responsáveis pela transmissão de suas práticas, rituais e herança cultural. O conhecimento produzido para instrução do processo permitiu identificar os principais aspectos que constituem a capoeira como prática cultural desenvolvida no Brasil: o saber transmitido pelos mestres formados na tradição da capoeira e como tal reconhecidos por seus pares

Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) - Além dos inventários realizados para o processo de reconhecimento dos bens imateriais que ocorrem no Rio de Janeiro, a Superintendência do Iphan no Rio de Jandeiro concluiu os INRCs da Festa do Divino Espírito Santo em Paraty, Festas do Divino Maranhense no Rio de Janeiro, Festa de Nossa Senhora da Conceição, Região Comercial do Saara,  Rotas de Alforria, Feira de São Cristóvão, Rede Fitovida, e Identificação da Venerável Irmandade de São Benedito de Angra dos Reis. Estão em andamento os inventários dos Terreiros Tradicionais de Candomblé e Umbanda e da Folia de Reis, ambos abrangendo todo o Estado do Rio de Janeiro.

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