Iphan e IFSC realizam diligência no sítio arqueológico do Capão de Garopaba

 Parte do material arqueológico sob guarda do IFSC. Foto: MAGe/IFSC.

Docentes e alunos do IFSC Campus Garopaba participaram de diligência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em sítios arqueológicos no município de Garopaba. A atividade, realizada no dia 26 de junho, é resultado da curricularização da extensão na disciplina de História Ambiental do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental.

O litoral sul de Santa Catarina, onde está situado o Campus de Garopaba do IFSC, foi densamente povoado por populações pré-coloniais desde há aproximadamente 8 mil anos antes do presente. Dentre estas estão os sambaquieiros, sociedades de caçadores, coletores e pescadores que produziram os sambaquis, enormes estruturas funerárias construídas com conchas. Historicamente estes sambaquis foram destruídos e seu material utilizado em aterros, na indústria química e na construção civil. Ainda assim, é possível encontrar muitas destas estruturas pré-coloniais na região, algumas delas dentre os maiores sambaquis conhecidos pela arqueologia. Estes sítios arqueológicos são protegidos pela Lei Federal 3924/61, e sua vandalização deve ser denunciada ao IPHAN.

Ao desenvolverem um projeto de extensão proposto na Unidade Curricular de História Ambiental, sob responsabilidade do Professor Viegas Fernandes da Costa, as alunas do 1º semestre do curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental do IFSC, Letícia da Silva Balbueno, Luana Ferreto Dias e Jasmyne Ferreira Brito, depararam-se com um processo de erosão em sambaqui que estava expondo sepultamentos humanos e instrumentos líticos pré-coloniais. O objetivo das alunas era conhecer a situação da pesca artesanal da tainha na comunidade do Capão, em Garopaba. Ao entrevistar os pescadores do local, entretanto, estes comunicaram às alunas da situação na qual se encontrava o sambaqui após o período de intensas chuvas.

Esclarecidas nas aulas de História Ambiental a respeito dos procedimentos a serem adotados nestas situações, imediatamente as alunas fotografaram a área danificada do sambaqui e comunicaram o professor Viegas, que visitou o local, constatou os danos e acionou o IPHAN. O órgão enviou à cidade os arqueólogos Rossano Lopes Bastos e Hamilton Marcelo Morais Lins Júnior, que em conjunto com os professores do IFSC, João Henrique Quoos (Geografia) e Viegas Fernandes da Costa (História), no dia 26 de junho, estiveram no Sambaqui, documentaram seu estado, adotaram as medidas protetivas emergenciais e resgataram ossos humanos e outros materiais, colocados sob a guarda do IFSC Campus Garopaba. Estes materiais, por terem sido colhidos  em  situação de “fora de contexto”, serão utilizados nas atividades de educação patrimonial desenvolvidas no Campus. Participaram também da diligência as alunas Luana Ferreto Dias, Letícia da Silva Balbueno, Maria Clara Tassinari Lopes e Victória Jurquet, todas acadêmicas do Curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental, e pescadores locais.

Após a visita e os procedimentos de emergência adotados no sítio arqueológico, o IFSC colaborou com a produção de mapas identificando os locais de afloramento pluvial no sambaqui, e no assessoramento aos arqueólogos do IPHAN na vistoria a outros sítios arqueológicos localizados na cidade. Os mapas foram produzidos pelo professor de Geografia João Henrique Quoos, no Laboratório de Meio Ambiente e Geomática (MAGe) do IFSC.

Esta foi a terceira vez que o Campus Garopaba trabalhou em parceria com o IPHAN. As duas primeiras aconteceram em 2015, no sítio arqueológico da Ponta do Galeão (Garopaba) e nas Dunas da Ribanceira (Imbituba).

A importância da curricularização da extensão.

A diligência IPHAN/IFSC no sítio arqueológico do Capão de Garopaba mostra a importância da curricularização da extensão. O trabalho só foi possível a partir da presença das acadêmicas do CST de Gestão Ambiental junto à comunidade, e à compreensão, tanto dos pescadores tradicionais quanto das estudantes, da necessidade de se adotar medidas de salvaguarda emergencial do patrimônio arqueológico danificado. Para as estudantes que participaram do processo, desde a denúncia inicial até às vistorias e a produção dos mapas, foi uma experiência importante que aliou a teoria à prática e promoveu o encontro do ensino, da extensão e da pesquisa.

Para o Campus Garopaba estas parcerias com o IPHAN são muito importantes, na medida em que promovem o intercâmbio de conhecimentos e experiências, aprofundam a relação da Instituição com o território e outros órgãos de pesquisa e proporcionam aos estudantes espaços de aprendizagem junto à comunidade. Cumpre ressaltar que o gestor ambiental precisa estar atento às legislações referentes ao patrimônio histórico brasileiro e à necessidade da realização de laudos arqueológicos quando da realização de obras que promovam grandes impactos na paisagem. 

Os materiais coletados na diligência IPHAN/IFSC estão sob guarda provisória do Laboratório de Meio Ambiente e Geomática. O campus discute a criação de um Laboratório de Patrimônio e Identidades, que deverá se responsabilizar pelo armazenamento destes materiais.

Fonte: ALPHARRÁBIO (Viegas Fernandes da Costa)

Foto: Parte do material arqueológico sob guarda do IFSC. Acervo MAGe/IFSC

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