Patrimônio Material - Conjuntos Urbanos Tombados - SP

Até o início do século XVIII, a cultura paulista foi marcada pela interação entre o europeu e o indígena nativo, mas, a partir daí, os africanos tiveram participação significativa no processo de formação da cultura do Estado. No entanto, foi com a intensificação da migração interna e da imigração de contingentes populacionais vindos de outros continentes, a partir de meados do século XIX, que se definiu a personalidade e o perfil do multiculturalismo paulista, tal como hoje é conhecido. Os conjuntos urbanos tombados (cidades históricas), no Estado de São Paulo, são Carapicuíba, Iguape, a Vila de Paranapiacaba, e São Luiz do Paraitinga.

Carapicuíba - Aldeamento jesuíta fundado em 1580, o conjunto arquitetônico e urbanístico da Aldeia de Carapicuíba - na região metropolitana de São Paulo - foi tombado pelo Iphan, em 1940. Para impedir que os índios permanecessem no local, a cidade foi parcialmente destruída pelos próprios jesuítas. Mas, foi reconstruída em 1727, e é a única das 11 aldeias de catequese fundadas pelo padre José de Anchieta que sobreviveu ao tempo e a explosão populacional, como ocorreu em São Paulo de Piratininga, atual capital do Estado, a cidade de São Paulo. A aldeia é um largo marcado pela igreja, presença principal da paisagem urbana. A capela de Nossa Senhora das Graças, erguida em 1615, pelos jesuítas, e reconstruída em 1736 como Capela de São João Batista, está entre os monumentos protegidos pelo Iphan em Carapicuíba. 

Iguape - O conjunto histórico e paisagístico de Iguape foi tombado pelo Iphan, em 2011. Iguape é o primeiro sítio urbano do Estado de São Paulo a ser protegido pelo Instituto como Paisagem Cultural, e possui o maior casario colonial preservado do Estado de São Paulo, com diversas casas, casarões e igrejas em vielas estreitas de paralelepípedos. Ao mesmo tempo, e sobretudo na arquitetura, está representado o esforço de adaptação dos imigrantes japoneses à vida no Brasil. Iguape situa-se no litoral do Vale do Ribeira, entre marcos geográficos que integram a área tombada, como o Morro da Espia, o Canal do Valo Grande e o braço de mar chamado Mar Pequeno. Além do centro, também estão protegidos o antigo sistema portuário fluvial e marítimo, e diversas áreas da zona rural de Registro, marcos da imigração japonesa no Brasil. A fundação do povoado, em 1538, é atribuída ao aventureiro espanhol Ruy Garcia Moschera.

Vila Ferroviária de Paranapiacaba - Localizada na região sudeste do município de Santo André, no limite entre o Planalto Paulista e a Serra do Mar, a vila foi tombada pelo Iphan, em 2008, e integra a região metropolitana de São Paulo. O município possui 55% do seu território em área de mananciais que compõem o cinturão verde da capital paulista, com vegetação de Mata Atlântica. Em Tupi-Guarani, paranapiacaba significa “lugar de onde se pode ver o mar”. É o registro da influência da cultura inglesa na região, com destaque para a arquitetura e a tecnologia. Duas povoações cresceram em torno da construção da Ferrovia Santos-Jundiaí: Vila Velha e Vila Martim Smith, que formam a atual Paranapiacaba. 

Em Vila Velha, a ocupação urbana foi espontânea, a partir da implantação do canteiro de obras da ferrovia, enquanto a Vila Martin Smith resultou de um plano urbanístico considerado extremamente inovador para a época. Com ruas largas de traçado ortogonal e regular, edifícios padronizados, casas com recuo frontal e jardins, e vias hierarquizadas, e enquadrada pela Serra do Mar. Dentre as edificações protegidas estão o Museu do Funicular, que abriga a exposição permanente de fotos e diversos objetos de uso ferroviário, o Mercado de Secos e Molhados, atual Centro Multicultural, e Castelinho, atual Museu do Castelo, situado entre Vila Velha e a Vila Martin Smith. 

São Luiz do Paraitinga - O centro histórico de São Luiz do Paraitinga - no Vale do Paraíba -, possui arquitetura em estilo colonial e preserva características da época dos barões do café. O tombamento realizado pelo Iphan, em 2012, incluiu casarões, capelas, praças, coretos e fontes, ladeiras, ruas e largos, abrangendo mais de 450 imóveis. A área total de preservação visual ultrapassa os seis milhões de metros quadrados. A proteção pública abrange o rio Paraitinga, além das ruas e áreas seriamente afetadas pela enchente de 2012.  O conjunto tombado está classificado em dois setores: Centro Histórico I, com 171 sobrados de uso residencial, a maioria do século XIX, com tipologias do império; e o Centro Histórico II, constituído por 262 casas de um ou dois pavimentos, de uso residencial e pequeno comércio. Os sobrados e casas grandes presentes no núcleo histórico são o resultado da riqueza do café, mas a importância do município histórico de pouco mais de 10 mil habitantes deve-se, também, à sua paisagem natural.

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