Comitê Gestor vai elaborar Plano de Salvaguarda para as bonecas Karajá (Ritxòkó)

publicada em 04 de maio de 2012, às 14h26

 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Tocantins (Iphan-TO) já está articulando as ações para a criação do Comitê Gestor para elaborar e implantar o Plano de Salvaguarda do ofício e modos de fazer as bonecas Karajá (Ritxòkó). De acordo com o superintendente do Iphan-TO, Erialdo Pereira, estão envolvidas instituições estaduais, ceramistas, lideranças indígenas e pessoas da sociedade civil. “Esse plano deverá ter um amplo leque de ações visando a diversidade de aspectos e vai contribuir para a melhoria da qualidade de vida, mantendo a tradição frente às demandas externas e, ao mesmo tempo, estimulando o crescimento das condições de autonomia das ceramistas, além de fortalecer os mecanismos de reafirmação da identidade do Povo Karajá”, afirmou Pereira.

Ele ressalta ainda que a importância do Plano de Salvaguarda, onde se destacam as bonecas que são obras artísticas de referência significativa para o grupo, confeccionadas em cerâmica e pintadas com grande diversidade de grafismos - representações de formas humanas, da fauna regional, cenas do cotidiano e seus rituais. “As bonecas representam importantes instrumentos de socialização das crianças que, brincando, se vêem nesses objetos e aprendem a ser Karajá”, explicou o superintendente.

Exposição Ritxòkó
A partir desta sexta-feira, dia 4 de maio, a Exposição Ritxòkó: Arte e Cosmo pelas Mãos da Mulher Iny, com cerca de 150 peças das aldeias Hawaló, JK e Wrebia, estará na Feira Literária do Tocantins (Flit), nos municípios de Dianópolis, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso, Miracema, Guaraí, Pedro Afonso, Colinas, Tocantinópolis, Araguaína e Araguatins. A exposição retorna a Palmas, de 6 a 15 de julho, para a Feira Literária Internacional do Tocantins. Esta exposição foi aberta em abril pela Secretaria de Estado da Cultura do Tocantins e Sebrae-TO, no Dia do Índio, no Auditório do Palácio Araguaia, sede do Governo do Estado, em Palmas, organizada pela Secretaria de Estado da Cultura do Tocantins e Sebrae-TO.

A diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI-Iphan), Célia Corsino, participou da abertura da exposição e considerou o evento um ato político importante porque trouxe a público o reconhecimento do patrimônio que é a boneca Karajá. Segundo ela, a mostra revela que “o Governo do Estado de Tocantins confirmou sua vontade e disposição em participar da salvaguarda do patrimônio cultural do Povo Karajá, reconhecendo a cultura Karajá como um grande patrimônio do Estado”. Célia Corsino disse ainda que a exposição é uma homenagem à mulher Iny (Karajá), que entendeu a importância de um bem ser reconhecido. De acordo com a diretora do DPI-Iphan, “esse entendimento é fundamental em todo o processo porque garante que o Plano de Salvaguarda seja feito com ampla participação da comunidade detentora desse saber, e ninguém está autorizado, por essa comunidade, a criar um plano em gabinetes e apresentá-lo pronto”. Neste sentido, a presidente da Associação de Mulheres Iny, Lenimar Werreria, afirma que que “poderão ser produzidas potes ou outras peças dentro da modernidade, mas as bonecas Karajá (Ritxòkó) não serão produzidas de outra forma, só de acordo com a nossa tradição”.

Registro
O Iphan reconheceu o Ofício e os Modos de Fazer as Bonecas Karajá como Patrimônio Cultural do Brasil em janeiro de 2012. O Certificado do Registro foi entregue ao Povo Karajá durante o ritual Hetohoky, na Aldeia Santa Isabel do Morro (Ilha do Bananal/TO), no dia primeiro de abril. Participaram da solenidade o cacique da aldeia, Sansão Karajá e outras lideranças indígenas; a coordenadora Geral de Salvaguarda do DPI-Iphan, Tereza Paiva; pesquisadores do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG); o superintendente do Iphan-TO, Erialdo Pereira, uma representante do Iphan-GO, Maíra Correia; e a secretária de Cultura do Estado do Tocantins, Kátia Rocha. O evento recebeu apoio da Coordenação Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio do seu coordenador local, João Werreriá Karajá.

A proposta de registro como patrimônio cultural foi apresentada ao Iphan pelas lideranças indígenas de cinco aldeias: Buridina e Bdè-Burè, em Aruanã (GO); e Santa Isabel do Morro, Watau e Werebia, na Ilha do Bananal (TO), com anuência de membros das aldeias Buridina, Bdè-Burè e Santa Isabel do Morro. O registro teve como base a pesquisa Bonecas Karajá: Arte, Memória e Identidade Indígena no Araguaia, iniciada em 2009, e realizada por pesquisadores do Museu Antropológico da UFG, com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás, sob a coordenação das superintendências do Iphan em Goiás e Tocantins, e supervisão do DPI.

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