Em celebração aos 81 anos, Iphan põe em foco o Patrimônio Cultural do Norte do país

Mercado Ver o Peso

Dia 13 de janeiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) completa 81 anos. E abre o ano de promoção do Patrimônio Cultural do Norte brasileiro. Uma região de mais de 3,8 milhões de km2 de extensão, onde encontramos dezenas de edificações e monumentos preservados, belezas do patrimônio natural, mais de 5 mil sítios arqueológicos, além de expressões culturais como o Círio de Nazaré, no Pará, e a Arte Gráfica Wajãpi, do Amapá, que são, ainda, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Em prosseguimento à proposta de levar o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade para todo o país, em outubro deste ano, uma capital nortista receberá o tradicional evento do Patrimônio. A cerimônia será em ritmo de Carimbó e contará com outras expressões culturais do Norte, como o Boi-Bumbá de Parintins, cujo Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) está em fase de conclusão, para o seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil.

Neste ano, o Iphan irá, ainda, promover Seminário para discutir o Patrimônio Cultural do Norte. E editar uma edição especial da Revista do Patrimônio, com artigos especialmente dedicados à cultura e bens do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.


Os festejos envolvem vários rituais de devoção religiosa e expressões culturaisDiálogo com as comunidades

Em 2018, o instituto lança o desafio de promover a compreensão do Patrimônio Cultural como vetor de desenvolvimento social local, em uma interlocução direta com a comunidade, setor público, pesquisadores e detentores das práticas culturais. A proposta é convidar a todos a ampliar o debate, e trabalhar o Patrimônio como um ativo para o desenvolvimento social, econômico e sustentável.

O Iphan busca uma aproximação com os moradores de Centros Históricos e comunidades locais, a fim de promover o uso social do patrimônio. O objetivo é romper as fronteiras entre os trabalhos de preservação e salvaguarda do Patrimônio Cultural e engajar as comunidades na responsabilidade compartilhada de gestão dos bens culturais.

“É nas práticas sociais que se gera valor”, destaca Ulpiano de Meneses, conselheiro do Conselho Consultivo do Iphan. “Queremos repovoar o patrimônio urbano, e nele reintroduzir o seu protagonista”. Por isso o destaque às raízes nortistas, onde se vê uma forte inter-relação entre comunidade, cultura e paisagem, elementos indissociáveis da identidade cultural do nosso povo. 

O Norte de 2018
Entre as ações do Iphan na região, estão em curso duas obras do Avançar Cidades Históricas, em Manaus: a revitalização das praças Adalberto Vale e Tenreiro Aranha, importantes pontos turísticos do Centro da cidade, onde investimos mais de R$ 2 milhões. Em Belém, serão liberados outros R$ 2 milhões para o restauro do Solar da Beira, espaço cultural do Mercado Ver-o-Peso.

Casa de Chico Mendes
Arte Kusiwa Pintura Corporal
Teatro Amazonas
Carimbó
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré Locomotiva
Sítio Arqueológico Pedra Pintada
Modo de Fazer Boneca Karajá (Rtixòkò)

Acre

Um dos destaques do patrimônio acreano é a casa onde viveu o líder ambientalista Chico Mendes, em Xapuri. Trata-se de um imóvel simples, que obedece a um sistema construtivo tradicional da região, ainda de uso frequente. O INRC inventariou ainda a Ayuhasca, bebida sacramental de origem indígena produzida a partir da decocção de duas plantas nativas da Floresta Amazônica: o cipó Banisteriopsis caap/jagube e folhas do arbusto Psychotria viridis/chacrona.

Amapá

A Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reflete a cosmologia do grupo indígena, suas crenças religiosas e práticas xamanísticas. Para decorar corpos e objetos, os Wajãpi do Amapá utilizam tinta vermelha do urucum, suco do jenipapo verde e resinas perfumadas. Eles representam onças, sucuris, jiboias, peixes e borboletas nos mais variados padrões gráficos. No interior do Estado, encontra-se a Vila Serra do Navio, projetada pelo arquiteto Oswaldo Bratke e considerada como um marco do modernismo brasileiro, foi tombada como Patrimônio Cultural do Brasil, em abril de 2010. O patrimônio arqueológico amapaense também merece destaque, com seus poços funerários de artefatos cerâmicos encontrados pela expedição do naturalista Emílio Goeldi, em 1895. Pesquisas arqueológicas mais recentes demonstram que ocupações antigas se deram por populações heterogêneas que apresentavam uma diversidade cultural bem marcada, como pode ser observado nas cerâmicas e urnas funerárias de Maracá, nos megalitos de Calçoene, na presença da fase Koriobo, ou ainda nas cerâmicas Marajoara encontradas no Estado.

Amazonas

Representante do patrimônio imaterial, a Cachoeira de Iauaretê ou Cachoeira da Onça é um lugar sagrado para os povos indígenas que habitam a região banhada pelos rios Uaupés e Papuri, no Alto Rio Negro. Várias pedras, lajes, ilhas e paranás simbolizam episódios de guerras, perseguições, mortes e alianças descritos nos mitos de origem e narrativas históricas. Esses lugares remetem à criação das plantas, dos animais e de tudo o que seria necessário à vida no local e à sobrevivência dos descendentes dos primeiros indígenas que viveram na região. Entre os bens tombados no Estado, está o suntuoso Teatro Amazonas, que reflete toda a riqueza da época em que a borracha, matéria-prima da indústria mundial, era cada vez mais requisitada. Um dos principais cartões postais da cidade, foi construído ao final do século XIX. Nos mais de 10 quilômetros do Encontro das Águas, é possível observar as águas escuras e transparentes do Rio Negro correndo ao lado das águas turvas e barrentas do Rio Solimões, no Amazonas. O bem é reconhecido desde 2010, por sua excepcionalidade, considerando seu alto valor paisagístico do fenômeno natural.

Pará

Em Belém, os bairros Cidade Velha e Campina reúnem cerca de 2.800 edificações protegidas. Desde 1940, são preservados a Coleção Arqueológica e Etnográfica do Museu Paraense Emílio Goeldi e o acervo da Igreja da Sé. O Círio de Nossa Senhora de Nazaré, do Pará, é uma procissão que atrai milhões de pessoas de todo o Brasil. A celebração de devoção representa a lenda da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, encontrada em 1700 por um caboclo denominado Plácido. Considerado uma das maiores concentrações religiosas do mundo, o Círio consta na Lista Representativa do Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco.

O Carimbó, forma de expressão reconhecida pelo Iphan, mantém sua tradição em quase todas as regiões do Pará, e tem se reinventado constantemente. Seus instrumentos, sua dança e música são resultados da fusão das influências culturais indígena, negra e ibérica; e a memória coletiva dos mestres carimbozeiros, que transmitem a dança de geração em geração. O Modo de Fazer Cuias do Baixo Amazonas, no Pará, desenvolvido entre comunidades indígenas da região há mais de dois séculos, é um ofício praticado atualmente por mulheres de comunidades ribeirinhas, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil.

Rondônia

Em Rondônia, o Forte Príncipe da Beira está localizado às margens do rio Guaporé, em uma região estratégica para a defesa das fronteiras entre o Brasil e a Bolívia, disputadas por Espanha e Portugal, durante o período do Brasil Colonial, no século XVII. Abandonado durante décadas, suas ruínas foram encontradas pela expedição do Marechal Cândido Rondon durante a implantação das linhas telegráficas na região. Tombado pelo Iphan, em 1950, é considerado uma das maiores fortificações do Brasil. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, capital de Rondônia, é parte do Patrimônio Ferroviário do país. Inaugurada no dia 1º de agosto de 1912, tem sete quilômetros de sua extensão sob proteção do Iphan.

Roraima

A construção do Forte de São Joaquim (1775-1778), na margem esquerda do rio Branco é um marco na ocupação de Roraima. O comandante do Forte, Manuel da Gama Lobo D'Almada, levou a pecuária de gado para a região, e foi em torno da sua fazenda que se desenvolveu o povoamento de Boa Vista, elevado à categoria de cidade em 1926, e hoje capital do Estado. A cidade cresceu em sentido oposto ao rio, em uma planície com vegetação de campos abertos chamada de “lavrado”. A arquitetura das áreas mais antigas, localizadas às margens do rio Branco, tem como referência o estilo eclético de fins do século XIX e início do XX. Em 1944, a empresa Riobrás Industrial Ltda. ganhou o concurso de projetos para a implantação de um plano urbanístico para a capital do então Território Federal do Rio Branco e elaborou uma planta em formato de leque. O Iphan estuda o tombamento do conjunto urbanístico de Boa Vista, e as ruínas do Forte São Joaquim, no município do Bonfim.

Tocantins

A primeira ação de proteção do patrimônio cultural, no Estado de Tocantins, foi realizada em 1987 com o tombamento do conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Natividade. A cidade se destaca por sua arquitetura vernacular, com formas singelas, em um conjunto harmonioso de casario colonial. O Povo Indígena Karajá que habita as margens do rio Araguaia também tem seu patrimônio cultural preservado pelo Iphan. Os Saberes e Práticas Associados ao modo de fazer Bonecas Karajá e a Ritxòkò: Expressão Artística e Cosmológica do Povo Karajá são bens registrados desde 2012, e são consideradas representações culturais que comportam significados sociais profundos, reproduzindo o ordenamento sociocultural e familiar dos Karajá.

Candidatos a Patrimônio Mundial
Periodicamente, os países signatários da Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural indicam novos bens capazes de ser declarados Patrimônio Mundial. Esse inventário é chamado de Lista Indicativa e serve como um instrumento de planejamento de preparação de candidaturas a Patrimônio Mundial, da Unesco. Entre os bens da região norte inscritos nesta lista estão:

O Mercado Ver-o-Peso, em Belém, era um posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos. Atualmente se constitui como um grande mercado aberto e ponto turístico da cidade.

Os teatros Amazonas e da Paz, construídos em finais do século XIX, localizados na região amazônica brasileira, respectivamente nas cidades de Manaus e Belém, são expressivos monumentos implantados nos dois maiores centros urbanos da região, como símbolos do apogeu econômico alcançado e representado por um modelo de civilidade europeizada, então reproduzido nos trópicos em função do auge do Ciclo da Borracha na América do Sul.

O Forte de Príncipe da Beira, em Costa Marques, Rondônia, é considerado a maior edificação militar portuguesa construída fora da Europa, no Brasil Colonial. A Fortaleza de São José, em Macapá, foi inaugurada em 19 de março de 1782, dia do seu padroeiro, São José. Funciona, hoje como um espaço de cultura e lazer.

Os Geoglifos do Acre, estruturas de terra escavadas no solo que representam figuras geométricas, visualizados em vista aérea, encontrados ao longo dos rios Acre e Iquiri, são exemplares singulares do patrimônio arqueológico brasileiro. Há mais de 300 geoglifos no Estado, que representam o quão singular é a história da região.

Mais informações para a imprensa
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Patrimônio Cultural do Norte

  • NAC_IPHAN_sede_81anos_1
    Casa de Chico Mendes, em Xapuri (AC)
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_2
    Teatro Amazonas, em Manaus (AM)
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_3
    Arte Kusiwa - Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_9
    Carimbó
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_8
    Carimbó
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_4
    Modos de Fazer Cuias do Baixo Amazonas
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_5
    Mercado Ver o Peso, em Belém (PA)
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_6
    Madeira-Mamoré, em Porto Velho (RO)
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_7
    Saberes e Práticas Associados ao modo de fazer Bonecas Karajá (Rtixòkò), no Tocantins
  • NAC_IPHAN_sede_81anos_10
    Sítio Arqueológico Pedra do Pereira, em Roraima
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