Pesquisa arqueológica estuda presença do homem pré-histórico no Centro Oeste

Ferramentas líticas achadas em sítio no Paranoá (DF) – raspador plano-convexoComo era a vida do ser humano na região de Brasília (DF) há cerca de 11 mil anos? Como ele vivia, como fazia suas ferramentas de trabalho? Essas são algumas questões que, atualmente, arqueólogos estão pesquisando a partir de vestígios de ferramentas encontrados Região Administrativa do Paranoá. A descoberta desse sítio arqueológico, em 28 de abril de 2017, está na fase de curadoria e análise. A descoberta aconteceu durante a primeira fase de um trabalho de licenciamento ambiental, de acordo com a portaria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No Brasil, todo empreendimento deve seguir a Legislação Ambiental onde diversos órgãos, entre eles o Iphan, avaliam o impacto sobre o meio ambiente que possam atingir bens culturais. 

Os vestígios encontrados são compostos por núcleos, lascas e instrumentos produzidos a partir do quartzito. As peças coletadas em campo estão associadas tecnologicamente aos grupos pré-históricos que habitavam o Planalto Central há milhares de anos, durante uma sequência arqueológica conhecida como Tradição Itaparica, que ocorreu entre 11 a 6,5 mil anos atrás. A Tradição Itaparica já foi encontrada na região entre o cerrado e a caatinga, em estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso de Sul, Tocantins, Pará, Piauí e Sergipe.

Naquela época, o homem produzia suas ferramentas a partir da transformação da pedra. O quartzito, portanto, é um geoindicador por ser uma matéria-prima de qualidade. As pedras eram lascadas e se tornavam ferramentas que serviam para caçar animais e também para o tratamento ou processamento da carne e ossos. Um exemplo de ferramenta é o raspador, uma espécie de faca afiada apenas de um lado. O sítio foi considerado pelo Iphan como de alta relevância para a região, pois apresenta importante componente arqueológico para a compreensão da complexidade do contexto caçador-coletor antigo da região, demonstrado na análise tecnológica aplicada nos vestígios recuperados.

Um grande achado está chamando a atenção dos arqueólogos: fragmentos de carvão. Isso é importante porque, a partir desse material, será possível uma datação precisa deste sítio arqueológico. A partir das rochas não é possível saber quando as ferramentas foram feitas, a não ser por estimativa. Porém, materiais orgânicos, como fragmentos de carvão, servem como indicativo para uma datação precisa. Neste caso, o carvão pode ter sido resultado de fogueiras ou queimadas naturais e foi encontrado no mesmo nível de outros objetos, isto é, a cerca de 40 centímetros de profundidade. 

Os materiais agora serão enviados para um laboratório nos Estados Unidos, onde serão submetidos ao processo de análise de datação radiométrica. A técnica irá medir a radiação presente em elementos orgânicos. Por meio deste procedimento é possível estimar a idade de quando a fogueira foi feita e, também, a data das ferramentas encontradas.

Educação patrimonial
Na segunda quinzena de março, alunos dos cursos de Biologia e Geologia da Universidade de Brasília (UnB) irão conhecer o sítio acompanhados do arqueólogo Edilson Teixeira de Souza, responsável pela descoberta do sítio. A visita faz parte de um programa de educação patrimonial, uma das exigências do Iphan no processo de licenciamento ambiental. Na ocasião, os alunos vão conhecer o que é arqueologia, como ela é estudada, o que encontraram no sítio e como são os procedimentos de metodologia e escavação. O objetivo é contribuir para o conhecimento dos universitários.

Ainda nesta frente de atuação, o projeto de pesquisa prevê ações com os trabalhadores do empreendimento. Será feita uma capacitação para que os operários entendam o trabalho de arqueologia para que eles possam também ajudar a identificar novos achados.

No âmbito da política de gestão do patrimônio arqueológico, quando a pesquisa for encerrada, o relatório do arqueólogo responsável pelo trabalho de campo será encaminhado à Superintendência do Iphan no Distrito Federal para análise e manifestação conclusiva. As peças encontradas serão acondicionadas no Museu de Geociência do Instituto de Geociências da UnB, que é a instituição de guarda e endosso institucional de achados arqueológicos no Distrito Federal. A previsão é que o estudo seja concluído ao final de 2018, quando então deverá ser montada uma exposição para dar visibilidade aos achados e retorno do conhecimento produzido à comunidade brasiliense, conforme exigência da Instrução Normativa Iphan nº 1/2015.

Escavações feitas em sítio arqueológico descoberto no Paranoá (DF)

O sítio
O sítio tem uma área estimada entre 10 a 15 hectares. Encontra-se próximo da margem esquerda de um córrego associado à parte da área onde ocorrem afloramentos quartzíticos, que serviram de fonte de matéria-prima para a confecção das ferramentas. Apesar do intenso processo de perturbação sofrido pela área nas últimas décadas, o sítio apresenta relevante potencial de pesquisa para a compreensão do horizonte caçador-coletor na região. 

Licenciamento ambiental
O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente. Está previsto na Instrução Normativa IPHAN nº 1/2015 e Portaria Interministerial nº 60, de 24 de março de 2015, envolvendo várias áreas do governo federal, estadual e municipal inclusive o Iphan, uma vez que o patrimônio cultural é uma das dimensões do meio ambiente, compreendido além da dimensão dos aspectos meramente naturalísticos. Vale lembrar que o patrimônio cultural acautelado tem como característica sua natureza finita, portanto, não renovável.

 

Mais informações para a imprensa
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Sítio Arqueológico no Paranoá (DF)

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    Ferramentas líticas achadas em sítio no Paranoá (DF) – raspador plano-convexo
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    Escavações feitas em sítio arqueológico descoberto no Paranoá (DF)
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