OSCAR NIEMEYER – O Arquiteto do Brasil

publicada em  06 de dezembro de 2012, às 11h40

 

“Discuti, discordai à vontade. Sois críticos, a insatisfação é vosso clima. Mas de uma coisa estou certo – e a vossa presença aqui é testemunha disto – com Brasília se comprova o que vem ocorrendo em vários setores das nossas atividades; já não exportamos apenas café, açúcar, cacau – damos também um pouco de comer à cultura universal”.

Com tais palavras, em 1959, o urbanista Lucio Costa saudou alguns dos mais importantes críticos de arte, surpreendentemente reunidos no canteiro de obras da nova Capital. Oscar Niemeyer circulava entre eles; era o arquiteto de Brasília, mas já estava consagrado como O Arquiteto do Brasil.

Perceba-se como tudo ocorreu rapidamente: a obra pioneira da sede do Ministério da Educação e Saúde Pública (atual Palácio Gustavo Capanema, RJ) fora projetada em 1936. O elegante Pavilhão Brasileiro da Feira de Nova York seria erguido em 1939. O revolucionário Conjunto de Pampulha inaugurara-se em 1944. Em todos os exemplos, Oscar Niemeyer desenvolveu uma maneira particular de se fazer arquiteto, de explorar o caráter nacional das exigências programáticas e de definir uma determinada expressão para a arquitetura moderna brasileira. Ao seu lado estavam outros arquitetos e, especialmente, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, criado em 1937 e dirigido por Rodrigo de Melo Franco de Andrade. Com o Iphan, Oscar Niemeyer conheceu o Brasil; pelas mãos do Dr. Rodrigo, o arquiteto leu “os gregos e os clássicos portugueses” e, pelo Patrimônio, foi apresentado às cidades mineiras e para a obra de Aleijadinho.

No Brasil, tradição e modernidade caminharam lado a lado. Lucio Costa apontou a estrada com uma recomendação: “monumentos antigos autênticos e obras novas genuínas são em essência a mesma coisa”. Oscar Niemeyer soube trilhar essa estrada com maestria, como demonstram os hotéis de Ouro Preto (1939) e de Diamantina (1951).  Entre as duas obras, projetou a Igreja de São Francisco de Assis da Pampulha (1940), repleta de alusões ao passado; e participou da equipe internacional que desenhou a sede das Nações Unidas em Nova York (1947), sempre apostando em um futuro melhor para a humanidade.

Em 1957, mais uma vez ao lado de Lucio Costa, projetou Brasília, “convicto de que se tratava de uma tarefa gigantesca e necessária, de uma tarefa fundamental para o nosso país”. Missão que cumpriu com toques de genialidade, como atestam os palácios da Alvorada (1956), do Congresso Nacional (1958) e das Relações Exteriores (1962). Quando o Arquiteto completou 100 anos, o Instituto tombou 24 de suas obras (que se somaram às outras seis protegidas anteriormente, incluindo Brasília e Pampulha). Era uma forma de se admitir oficialmente e de se reconhecer nacionalmente a extraordinária qualidade do trabalho desenvolvido por Oscar Niemeyer e a importância de suas obras para a cultura brasileira.

Oscar Niemeyer fez muito e de tudo. Fez bem sempre e o melhor, em tantos lugares. Mesmo quando debruçado em sua prancheta, reservou tempo para pensar na vida e no mundo injusto que sempre lutou para transformar.

Viveu muito; mas necessitava mais tempo... Foi coerente até o fim. Fez a sua parte. E, do ponto de vista de sua particular arquitetura, “tratou de dar de comer à cultura universal”.

Nós, em nome do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, agradecemos.

Veja a galeria com obras de Niemeyer

 

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