Campo Grande (MS)

O complexo ferroviário da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB), em Campo Grande, foi tombado pelo Iphan, em 2009. Importante para o desenvolvimento no Centro-Oeste brasileiro no início do século XX, o conjunto da EFNOB possui 22,3 hectares e 135 edifícios em alvenaria e madeira, erguidos em datas diferentes a partir da ampliação das atividades ferrovia e ainda mantém parte dos trilhos que não foram retirados da área urbana de Campo Grande, capital do Estado de Mato Grosso do Sul. 

Entre os imóveis estão as residências, escritórios, oficinas, uma escola, a caixa d’água, e a estação construída a partir de 1914, com ampliações em 1924 e 1930. As casas para os operários, tanto as de 1930 quanto o conjunto da Rua dos Ferroviários, datadas de 1951, eram geminadas, sendo a maioria feita de madeira. Para os funcionários intermediários e graduados, as construções eram de alvenaria, em terreno único, e as residências destinadas aos de nível hierárquico mais alto tinham um melhor acabamento.  

O complexo abrigava áreas para bar, apoio, bilheteria, administração de cargas, serviços médicos e depósito. O tombamento considerou a relevância cultural do complexo ferroviário, em âmbito nacional, devido ao seu sentido geopolítico e de integração nacional, aproximação política e econômica do sul do Mato Grosso com São Paulo, e a urbanização do início de Campo Grande. A ferrovia favoreceu a transferência do eixo econômico Cuiabá e Corumbá, por meio da navegação no rio Paraguai, para Campo Grande e São Paulo. 

Destaca-se a rotunda de manutenção, construção semicircular, de 1951, com 110 metros de diâmetro, que continha oficinas, área de lavagem e depósito de peças, em um complexo de amplas coberturas que marcam a sua imponência. A área tombada abrange edificações representativas da evolução socioeconômica de Campo Grande após o advento da ferrovia. Também foi tombado um trecho de pouco mais de um quilômetro da via férrea que empreende grande curva a oeste a fim de retornar na direção de Corumbá. Esse é um elemento marcante na referência visual e na configuração urbana dessa área. 

A importância da EFNOB e de suas estruturas, para o patrimônio cultural brasileiro, vincula-se à dimensão estratégica nacional de que um país desenvolvido passava necessariamente pela integração de seus territórios, o que poderia ser feito com o trem. Campo Grande, com a construção da ferrovia, passou a desempenhar um papel de fundamental na articulação dos fluxos econômicos que procediam de Corumbá, Cuiabá e da zona cafeeira de São Paulo. 

No final do século XIX e início do século XX, a necessidade de garantir a comunicação no extenso território brasileiro forneceu o grande impulso do desenvolvimento do setor de transporte no território nacional. Nesse cenário de expansão, foi iniciada a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB), ligando Santos, no litoral paulista, às fronteiras do Brasil com a Bolívia, em Corumbá, atualmente no Estado do Mato Grosso do Sul. 

Na construção do complexo ferroviário houve a reprodução, com maior precisão e em maiores dimensões, do processo de planejamento urbano adotado, em linhas gerais, em todas as cidades que nasceram próximas ou quase no leito da via férrea. No início da década de 1910, os estudos realizados por técnicos da Companhia EFNOB indicaram que a sede da ferrovia devia ser construída em um centro com residências, comércio, órgãos públicos, órgãos do complexo ferroviário e, na periferia, alguns bairros residenciais. A EFNOB foi incorporada pela empesa estatal Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), em 1957 e, atualmente, a concessão pertence à Companhia América Latina Logística, criada em 1997. 

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