Praça São Francisco, na cidade de São Cristóvão (SE)

Primeira capital do atual estado de Sergipe, São Cristóvão foi fundada em 1590, sendo considerada a quarta cidade mais antiga do Brasil. Durante a invasão holandesa, de 1630 a 1654, a cidade foi praticamente destruída. O processo de reconstrução foi lento e a arquitetura religiosa teve papel preponderante na nova configuração.

A Praça São Francisco, localizada na cidade, é um conjunto monumental excepcional e homogêneo, composto de edifícios públicos e privados que representam o testemunho único do período durante o qual as coroas de Portugal e Espanha estiveram unidas, entre 1580 e 1640. A Praça constitui um assentamento urbano que funde os padrões de ocupação do solo seguidos por Portugal e as normas definidas para urbes estabelecidas pela Espanha.

Vários edifícios históricos da cidade são tombados individualmente pelo Iphan, entre 1941 e 1942, como a Igreja e Convento de São Francisco, a Igreja de Nossa Senhora das Vitórias, a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, o Conjunto Carmelita, a Igreja de Nosso Senhor dos Passos e o sobrado de Balcão Corrido da Praça da Matriz, entre outros exemplares da arquitetura civil e religiosa. Em 1967, o conjunto urbano de São Cristóvão foi tombado. A Praça São Francisco foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em 3 de agosto de 2010.

Histórico
São Cristóvão é a antiga capital de Sergipe Del Rey. Demonstra o processo de ocupação da região e o desenvolvimento de cidades fundadas durante o reino do Rei Felipe II, durante o período de 60 anos quando Portugal esteve sob o domínio da coroa Espanhola.

O modelo de ocupação e assentamento do território usado pela Espanha e por Portugal em suas colônias americanas entre os séculos XV e XVII foi distinto. Portugal estabeleceu uma rede de comércio marítimo, e estava pronto para ocupar os territórios da costa da África e da Ásia, antes de estabelecer acordos comerciais coloniais com o Brasil. Portugal ocupou a costa brasileira e fundou cidades portuárias, como pontos de conexão da Metrópole com suas outras colônias. Os planos urbanos desses assentamentos respeitavam a topografia ao adaptar o desenho urbano às condições locais.

A história de São Cristóvão está relacionada à colonização de Sergipe, quando, devido à forte resistência dos povos indígenas, era vital estabelecer uma comunicação constante entre Salvador e Olinda, os dois centros urbanos mais importantes da colônia. Também foi crucial por assegurar o acesso livre dos principais rios, geralmente bloqueados pelos contrabandistas franceses.

Com a intenção de reforçar a colônia em seus conflitos com os indígenas brasileiros e os contrabandistas franceses, Crisóvão de Barros fundou a cidade de São Cristóvão no istmo formado pelo rio Poxim, na atual região de Aracaju. O terreno estava garantido para ele pelo Rei Felipe II com a expectativa de ser dividido entre os colonos, encorajando o seu processo de ocupação. A cidade foi transferida em 1594-95 e, novamente em 1607, para a sua localização atual.

São Cristóvão se tornou a capital de Sergipe, o centro comercial e administrativo entre Salvador e Recife e o ponto de partida para a colonização do interior até meados do século XIX. Em 1855 a capital do estado foi transferida para a cidade de Aracaju. São Cristóvão, com suas igrejas, conventos e casarões seculares continua a ser um testemunho do passado de Sergipe e do Brasil.

Patrimônio
Implantada de acordo com o comprimento e a largura exigida pela Lei IX das Ordenações Filipinas, a Praça São Francisco incorpora o conceito de Praça Maior tal como empregado nas cidades coloniais da América hispânica, inserida no padrão urbano português de cidade colonial em uma paisagem tropical. Por isso, pode ser considerada uma simbiose notável do planejamento urbano de cidades de origem ibérica. Edifícios institucionais civis e religiosos relevantes, sendo o principal deles o complexo da Igreja e Convento de São Francisco, cercam a praça.

A integridade da propriedade está assegurada uma vez que em seus limites estão compreendidos os atributos necessários para transmitir seu valor universal excepcional, que estão intactos e completos e não se encontram sob ameaça. A praça e as construções associadas contidas no sítio inscrito são autênticas em retratar sua importância histórica e social para a vida da cidade. As obras realizadas no conjunto têm mantido suas características, melhorando a infraestrutura, comodidade e segurança dos pedestres.

 

Declaração retrospectiva
Dossiê de candidatura
Avaliação Icomos

 

Praça São Francisco em São Cristóvão (SE)

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    A Praça constitui um assentamento urbano que funde os padrões de ocupação do solo seguidos por Portugal e as normas definidas para cidades estabelecidas pela Espanha
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    A Praça São Francisco é um conjunto monumental excepcional e homogêneo, composto de edifícios públicos e privados
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    Edifícios institucionais civis e religiosos relevantes, sendo o principal deles o complexo da Igreja e Convento de São Francisco, cercam a Praça São Francisco
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