Parque Nacional do Iguaçu (PR)

Adilson Borges
 

A área é considerada a maior reserva de floresta pluvial subtropical do mundo

O Parque Nacional do Iguaçu foi criado pelo Decreto-Lei nº 1.035, de 10 de janeiro de 1939, durante o governo do então presidente da República, Getúlio Vargas. Apesar de não ter sido tombado como patrimônio nacional, é protegido como Parque Nacional, por sua característica predominantemente paisagística e ecológica. O parque é dirigido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal responsável pela gestão das unidades de conservação do Brasil. Localiza-se a 637 quilômetros da capital do Estado, Curitiba, na região de tríplice fronteira – Brasil, Argentina e Paraguai. Em 28 de novembro de 1986, foi inscrito na Lista do Patrimônio Natural Mundial, pela Unesco.

O reconhecimento do parque surgiu em 1916, depois da passagem por lá de Alberto Santos Dumont. Ao se deparar com a exuberância e a beleza do lugar, o pai da Aviação comprometeu-se a reivindicar, junto ao governador do Estado do Paraná, a desapropriação da área. Três meses depois de sua partida, foi aprovado o Decreto nº 653, de 28 de julho de 1916, que declarou de utilidade pública uma área de 1.008 hectares. Em 1939, passou a ocupar uma área de aproximadamente 185 mil hectares em solo brasileiro que, com o Parque Nacional Del Iguazu, em território argentino, somam 260 mil hectares. 

Histórico - A denominação Iguaçu vem do Guarani (i - água; guaçu - grande) e foi dada pelos índios Kaingang, antigos habitantes desse fantástico ecossistema. Em 1542, a área foi ponto de passagem das expedições espanholas que, comandadas por Dom Álvaro Nuñes Cabeza de Vaca, seguiam em direção à bacia do rio da Prata. Mais tarde, por volta do século XVII, o local acolheu importantes missões de padres jesuítas espanhóis. A região foi objeto de disputa entre Portugal e Espanha por mais de dois séculos.

Durante os séculos XVII e XVIII ocorreram inúmeros embates entre bandeirantes paulistas, com objetivo de escravizar os indígenas e expandir as fronteiras do império português; espanhóis, defendendo o território atribuído pelo Tratado de Tordesilhas; jesuítas, defendendo um projeto de evangelização e de organização social dos indígenas, que lhes assegurava uma certa autonomia e liberdade; e os índios, com a colaboração dos jesuítas, lutando contra a sanha exploratória dos dois primeiros.

A garantia de que esse território seria português e integrado ao mapa do Brasil veio com o Tratado de Madri (1750), celebrado entre Portugal e Espanha. Em 1765, foi sugerida a criação de um estabelecimento militar na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina para garantir o domínio português sobre a área. No entanto, na região, que continuou relegada e esquecida, ocorreram novos fatos ligados às disputas entre espanhóis e portugueses, numa saga que se arrastaria até fins do século XIX.

Patrimônio - O valor ambiental e a beleza das paisagens fazem dessa unidade de conservação um patrimônio inigualável. Além de estar assentado sobre o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas mundiais de água subterrânea, o parque é considerado uma das últimas reservas florestais da Mata Atlântica e a maior reserva de floresta pluvial subtropical do mundo. O Parque Nacional do Iguaçu, segundo mais antigo do Brasil e o maior fora da Amazônia, foi reconhecido pela Unesco devido à importância dos remanescentes de Mata Atlântica e pelo espetacular conjunto das quedas d’água que formam as Cataratas do Iguaçu, um dos recantos turísticos mais visitados do país, e referência internacional de gestão de áreas e parques protegidos.

Entre as muitas espécies faunísticas, algumas estão ameaçadas de extinção como a onça-pintada e o jacaré-de-papo amarelo, e outras são bastante raras como a jacutinga, o gavião-real e o papagaio-de-peito-roxo. Os números referentes à diversidade faunística do parque impressionam: são 257 espécies de borboletas, 18 de peixes, 12 de anfíbios, 41 espécies de serpentes, oito de lagartos, 340 de aves e 45 de mamíferos, atraindo a atenção de vários pesquisadores que ali encontram fonte para relevantes trabalhos científicos. 

A flora também é bastante diversificada: além de diversas orquídeas e bromélias, a área abriga espécies arbóreas de grande porte, tais como timbaúba, cedro, peroba-rosa, angico, canela, cabreúva, figueira-brava, pau-marfim e ipê. Apesar das medidas de proteção e dos esforços conservacionistas, a integridade biológica do parque encontra-se ameaçada pela ação de caçadores, extração ilegal de palmito e, até mesmo, pelo modelo de exploração do solo no entorno da área protegida. 

 

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