Benin

Projeto de Cooperação Técnica Gestão do Patrimônio Material e Imaterial no Benim: Inventário dos Bens Culturais de origem brasileira 

Assinado em 30 de julho de 2010, por ocasião da realização de 34ª Sessão do Patrimônio Mundial da UNESCO, em Brasília, o projeto prevê a realização de um inventário sobre os bens de origem brasileira de interesse para a preservação no território do Benin, bem como a capacitação de técnicos beninenses para o aprendizado da metodologia dos inventários de patrimônio material e imaterial desenvolvida pelo IPHAN.

O projeto foi proposto para um período de dois anos, mas vem sendo prorrogado para que seja concluído o inventário. A iniciativa fortalece as referências culturais entre os dois países ao mesmo tempo em que permite o resgate do patrimônio cultural, material e imaterial, compartilhado entre os dois países.

O maior contingente africano vindo para o Brasil durante o período escravagista, partiu de Benim. A partir do século XVII, os portugueses estabeleceram entrepostos no litoral beninense, conhecido então como Costa dos Escravos, mas foi principalmente no século XIX que ocorreu o envio de grande quantidade de pessoas escravizadas para o Brasil e Caribe.

É indiscutível as influências transversais e o patrimônio compartilhado entre os países africanos e o Brasil, particularmente o Benim, cuja história comum está documentada por seus patrimônios culturais, materiais e imateriais, tanto aqui quanto na África. No Brasil, grande parte dos bens imateriais já reconhecidos pelo Iphan tem origem africana, como o ofício das baianas do acarajé, o tambor-de-crioula do Maranhão ou a capoeira.

Após a abolição da escravatura, a interseção entre as duas culturas – brasileira e africana – ocorreria no sentido inverso, quando grupos de libertos ou seus descendentes retornaram aos seus países de origem na África. Eram emigrantes brasileiros, levando de volta ao continente africano costumes e formas européias moldadas no Brasil.

Os construtores e artesãos mestres que retornaram para o Benim para criar e construir, não dispunham de esboços para guiar seus trabalhos. Até hoje, um grande número de edificações na região continua sendo construído sem se apoiar em desenhos, numa perpetuação do trabalho comunitário ético ou étnico, que constrói as formas e os espaços das tradições formadas por suas culturas. As "casas brasileiras", como são conhecidas até hoje, foram construídas em sua maioria durante o século XIX.

Última atualização em março de 2015.

Marco Legal

Acordo Básico de Cooperação Técnica e Científica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Benim, assinado em Brasília, em 11 de agosto de 2005.

Ajuste Complementar ao Acordo Básico de Cooperação Técnica e Científica para a implementação do Projeto “Gestão do Patrimônio Material e Imaterial no Benim”, assinado em Cotonou, em 13 de março de 2009.

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