Caminho do ouro em Paraty e sua paisagem (RJ)

Antes da chegada dos portugueses ao Brasil, os tupinambás e os guaianás usavam trilhas na atual região de Paraty, no Rio de Janeiro, para cruzar a Serra do Mar. Essas rotas também foram usadas pelos bandeirantes durante as suas expedições em busca das riquezas da então colônia. O percurso tornou-se um elo importante entre as cidades do Sudeste brasileiro, passando a integrar a rota do ouro, quando o metal foi descoberto em Minas Gerais. O caminho também serviu para o escoamento da produção de café, no século XVIII, e hoje serve a população local e ao turismo histórico e ambiental.

O município localiza-se no extremo oeste do litoral do Estado do Rio de Janeiro, junto à divisa com o Estado de São Paulo e é constituído pelas áreas íngremes da Serra da Bocaina (trecho da Serra do Mar), pelos vales de inúmeros rios que dela descem, e por uma estreita borda litorânea. O trecho do litoral é caprichosamente recortado, com pontas, baías, promontórios, angras, estuários de rios, onde se sucedem graníticos por vezes cobertos por vegetação, praias de areia branca e planícies sedimentares. Em uma dessas planícies sedimentares está Paraty.

A arquitetura dominante na cidade é característica da segunda metade do século XVIII e primeiras décadas do século XIX. Paraty é formada por importante núcleo com construções do período colonial e está localizada à beira-mar. Seus logradouros formam uma trama quase ortogonal e as ruas paralelas à praia possuem um formato arqueado. As construções, alinhadas umas encostadas às outras, compõem massa edificada compacta que envolve, inteiramente, os quarteirões e lhes empresta monumentalidade, apesar das limitadas dimensões.

A geometria simples de sua composição urbana é realçada por uma arquitetura que utiliza grandes planos cegos de alvenaria, simplesmente rebocados e caiados, ou alternâncias de cheios e vazios que imprimem na paisagem natural, envolvente o ritmo característico da ação humana.

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