Geoglifos do Acre (AC)

Os geoglifos do Acre são estruturas de terra escavadas no solo e formadas por valetas e muretas que representam figuras geométricas de diferentes formas. Esses recintos foram encontrados na região sudoeste da Amazônia ocidental, mais predominantemente na porção leste do estado do Acre, estando localizados em áreas de interflúvios, nascentes de igarapés e várzeas, associados em sua maioria aos rios Acre e Iquiri.

Atualmente, no estado do Acre, constam identificados 306 sítios arqueológicos do tipo geoglifo que estão compostos por 410 estruturas de terra. Porém, com o desenvolvimento de pesquisas arqueológicas no estado o crescimento do número de sítios localizados vem aumentando de forma vertiginosa.

Os primeiros registros desses sítios remontam à década de 1970, quando o pesquisador Ondemar Dias, no âmbito do Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas da Bacia Amazônica (Pronapaba), localizou oito estruturas de terra no estado do Acre. Contudo, foi somente a partir dos anos 2000 que esses sítios arqueológicos tiveram projeção midiática e foram alvo de intervenções científicas sistemáticas.

As pesquisas arqueológicas nessas áreas, ainda que esparsas, se considerarmos que o número de geoglifos aumenta constantemente, dão conta de informações importantes sobre o manejo da paisagem amazônica por grupos indígenas que habitaram a região entre, aproximadamente, 200 AC - AD 1300, e sugerem um novo paradigma sobre o modelo de ocupação da Amazônia por densas sociedades pré-coloniais.

Considera-se que a peculiaridade de transformação da paisagem, as formas, técnicas e dimensões dos geoglifos representam motivos de interesse para a divulgação de um patrimônio arqueológico singular do ponto de vista da ocupação pré-colonial na Amazônia. Apesar de não haver uma interpretação única entre arqueólogos e demais pesquisadores que investigam o tema sobre a função e uso dos geoglifos, as conjecturas gerais parecem convergir para a ideia de que se tratam de espaços sociais coletivos para uso cerimonial, simbólico, ritualístico ou ainda para moradia.

O estudo dessas estruturas de terra cada vez mais confirma que o processo de ocupação e povoamento da região amazônica, no primeiro milênio da era cristã, foi empreendido por grupos indígenas numerosos e com grande capacidade tecnológica para modificar o ambiente de terra firme e várzea, imprimindo na paisagem características de sua identidade.

Pela sua excepcionalidade e relevância para a compreensão da agência humana no período pré-colonial, tais sítios representam um exemplar único do patrimônio histórico e social que conduz a novas perspectivas de preservação, gestão e divulgação desses bens culturais. Possuem, ainda, grande relevância para a identidade amazônica por se constituir em uma paisagem cultural resultante de marcas sociais e simbólicas que expressam não apenas a capacidade tecnológica de manejo do meio ambiente, mas, acima de tudo, a paisagem com características indígenas.

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