Itacoatiaras do Rio Ingá (PB)

O termo itacoatiara, originário da língua Tupi-Guarani e com o significado de escrita ou desenho na pedra, vem sendo utilizado no Brasil como sinônimo para a expressão gravura rupestre. O sítio de arte rupestre das Itacoatiaras do Rio Ingá localiza-se na zona rural do município de Ingá, cuja cidade sede encontra-se a cerca de 105 km de distância da cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba. O município é parte da depressão sertaneja, unidade geoambiental típica do semiárido nordestino.

O sítio encontra-se protegido como patrimônio cultural pelo Iphan desde maio de 1944, com inscrições no Livro de Tombo das Belas Artes e no Livro do Tombo Histórico, sendo o primeiro monumento de arte rupestre protegido no Brasil e o único reconhecido também pelo seu conteúdo artístico, além da importância histórica.

O sítio das Itacoatiaras do Rio Ingá congrega o mais representativo conjunto conhecido desse tipo de gravura no Brasil, que se notabiliza pelo uso quase exclusivo de representações não figurativas na composição de grandes painéis de arte rupestre e que exprimem o gênio criativo de um grupo humano que se apropriou de padrões estéticos abstratos como forma de expressão, e possivelmente, de conceitos simbólico-religiosos, diferentemente de outras culturas que, em sua maioria, utilizou-se de representações antropomórficas e zoomórficas.

Tais padrões estéticos abstratos estiveram presentes desde os primórdios do desenvolvimento cultural dessas populações e perduram ao longo de todo o período de utilização do sítio, inclusive influenciando os demais registros rupestres da região. O sítio é testemunho significativo do processo de ocupação do nordeste sul-americano, integrando a tradição itacoatiaras, formada por gravuras sobre pedras localizadas em planície de inundação do leito dos rios. Constitui o mais representativo conjunto de gravuras rupestres desta tradição, não só pela concentração, mas também pela configuração em grandes painéis com excepcional qualidade estética e técnica.

Os pesquisadores da área ainda reconhecem que a ampla distribuição de gravuras rupestres afiliadas ao sítio, especialmente entre o município de Campina Grande, no Estado da Paraíba, e a Região do Seridó Oriental, no Estado do Rio Grande do Norte, pode, no futuro, por meio de estudos mais conclusivos, possibilitar o reconhecimento de uma “subtradição Ingá”. Essa denominação decorre do seu sítio de arte rupestre mais expressivo, as Itacoatiaras do Rio Ingá, em face de sua complexidade estética e requinte técnico dentro do conjunto que configuraria a subtradição.

As características do sítio o transformam em um excepcional testemunho no conjunto de elementos tangíveis que caracterizam o processo de ocupação humana nessa região do continente americano. O sítio é o mais representativo exemplo da forma como os grupos humanos associados à “tradição itacoatiaras” se apropriaram de um ambiente natural específico, formado a partir da interação direta entre rochas e água, ainda preservado, e o transformaram para finalidades sociais, religiosas culturais e artísticas e nele expressaram um conteúdo estético próprio, cujas gravuras encontradas demonstram o domínio de rica técnica de expressão que estes grupos alcançaram.

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