Exposição comemorativa dos 100 anos de Burle Marx está em cartaz no Rio de Janeiro

publicado em 15 de dezembro de 2008, às 15h38

 

A exposição “A permanência do instável”, realizada em celebração ao centenário de nascimento de Roberto Burle Marx, estará aberta à visitação até o dia 22 de março de 2009 no Paço Imperial, Rio de Janeiro, com entrada franca. Inaugurada em 11 de dezembro, a mostra fecha a trilogia sobre nosso modernismo - iniciada em 2002 com a mostra "Lúcio Costa: 100 anos", e, em 2007, com "Oscar Niemeyer 10|100"- e ocupa os três andares do Paço, uma das instituições realizadoras do evento em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O patrocínio é do Itaú Cultural.

Autor de mais de três mil projetos de paisagismo em 20 países, Burle Marx também era pintor e designer de joias, ceramista, tapeceiro, autor de cenários e figurinos para teatro e óperas, músico e ecologista desde os anos 70. Ele nasceu em São Paulo em 1909 e faleceu no Rio em 1994. 

A curadoria é de Lauro Cavalcanti, que se propôs a realizar um mapeamento da múltipla produção artística de Burle Marx - pintura, desenho, gravuras, tecido, tapeçaria, cerâmica, joias, muranos e projetos paisagísticos-, que é também considerado um dos maiores paisagistas do século XX e criador da linguagem moderna do paisagismo no mundo.

Ao todo, serão expostos 335 itens, entre os quais 80 pinturas em tela; 95 guaches sobre papel; 30 guaches de cenários e figurinos para o Balé Petrouchka (SP, 1954) e Ariadne Aux Naxos (RJ, 1988); O retrato de Dorian Gray e decoração de carnaval; 3 tapeçarias; 5 muranos; 34 projetos paisagísticos; 26 maquetes e 12 joias.

Histórico
Roberto Burle Marx era autodidata em paisagismo. Estudara pintura na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, com Cândido Portinari, e com Degner Klemn, em Berlim, em 1928, quando começou a se interessar por plantas.

Lauro Cavalcanti diz que o artista usava a planta "como pigmento". O que se confirma nas palavras de Burle Marx: ".... No momento em que vou combinar plantas, estou pensando em cor, volume e ritmo. Decidi-me a usar a topografia natural como uma superfície para a composição e os elementos de natureza encontrada - minerais, vegetais - como materiais de organização plástica, tanto e quanto outro artista procura fazer sua composição com a tela, tintas e pincéis."

O curador ressalva, porém, que "seria enganoso considerar seu paisagismo simples transposição da pintura". Nos anos 1930 e 1940, suas telas traziam figuras, enquanto o abstracionismo impregnava os projetos paisagísticos. Além disso, seus conceitos de teoria da pintura seriam inválidos sem o profundo conhecimento botânico das espécies.

Reconhecido internacionalmente, em 1991, Burle Marx teve a primeira exposição dedicada a paisagismo da história do Museu de Arte Moderna de Nova York.

O sítio Santo Antônio da Bica, em Guaratiba (RJ), lugar de plantio, pesquisa e experimentos com espécimes vegetais, e residência de Burle Marx até o fim de sua vida, foi doada por ele ao estado do Rio. Hoje, a propriedade pertence ao Iphan, funciona como museu e reúne uma das mais importantes coleções de plantas tropicais do mundo, com cerca de 3.500 espécies brasileiras e de localidades como Indonésia e Havaí.

Alguns projetos
Uma preferência de Burle Marx era a realização de projetos de grandes áreas. Ele acreditava que isso trazia liberdade de escolha de opções e desenvolvimento de novas ideias que dessem qualidade de vida aos habitantes da cidade grande.

Segundo ele, o paisagismo deve atender a "uma necessidade estética que não é luxo nem desperdício, mas necessidade absoluta da vida humana, sem o que a própria civilização perderia sua razão estética".

Entre essas obras estão o City Centre Park, de Kuala Lumpur, Malásia, em 1993, sua última obra; o Parque Del Este, em Caracas, Venezuela; Parque do Flamengo e Calçada da Atlântica no Rio de Janeiro; Parque do Ibirapuera e Jardim Botânico, em São Paulo, do Parque Zoobotânico, em Brasília, jardins da Pampulha, e do pioneiro Parque de Araxá, realizado nos anos 40.

No mundo, estão os jardins da Unesco, em Paris; o Biscayne Boulevard, em Miami, em que criou áreas para circulação de pedestres e usou a flora tropical na constituição de campos abstratos de cor; os jardins do prédio do Centro Georges Pompidou, em Paris; o Jardim Memorial na Praça Rosa de Luxemburgo, em Berlim; o Jardim das Nações, em Viena, e os jardins do edifício da Organização dos Estados Americanos [OEA], em Washington.

Desenho da exposição
O térreo do Paço Imperial terá um jardim projetado por Burle Marx para uma área interna do Museu Nacional de Belas Artes (RJ), adaptado por Isabela e Haruyoshi Ono, este sócio-colaborador, herdeiro e atual responsável pelo Escritório Burle Marx & Cia. Ltda.

No primeiro pavimento estão as pinturas, obras em papel, joias, muranos, em ordem cronológica inversa. As duas primeiras salas abrigam a produção dos anos 90, 80 e 70; seguidas da das décadas de 60 e 50 e, na quarta galeria, os anos 40 e 30. Duas outras salas exibem obras sobre papel: desenhos, guaches, aquarelas, gravuras, cenários e figurinos.

Para cada década, há um painel com projetos exemplares da época correspondente. Por exemplo, 90|80|70 - Av. Atlântica, 60|50 - Parque do Flamengo, 40|30 - MEC.
Burle Marx usou tecidos como suporte para a pintura. Foi sua experiência com suportes flexíveis. Essas pinturas-estandartes flutuam no espaço de música do Paço, acompanhadas de gravações de Schubert, Brahms, Mahler, Wagner e Beethoven, compositores da preferência do artista.

As quatro galerias do segundo pavimento são dedicadas à sua obra paisagística, com desenhos, guaches e fotografias, começando pelos grandes projetos públicos realizados no Rio de Janeiro, sua terra "adotiva": Ministério da Educação e Saúde, de 1938, o imenso Parque do Flamengo, de 1961, e a calçada e jardins da Avenida Atlântica, de 1970.

Em seguida, vêm os projetos públicos de outras regiões, como os jardins da Pampulha, de 1942, e o Parque do Ibirapuera, de 1953, os jardins da Unesco, em Paris, de 1963, o Parque Del Este, em Caracas, de 1956, e a Biscayne Boulevard, em Miami, de 1988.

O paisagismo para residências mostra como Burle Marx transpôs "lógicas de organização da pintura contemporânea para o paisagismo, e procurou refletir, ecoar e fazer uma transição com a natureza circundante", avalia o curador, "ao incorporar os elementos do próprio micro-clima". Em alguns casos, ele usa elevações da escola inglesa e manchas de cor se espalham em volumes de alturas diversas. Em outros, a geometria prevalece.

Uma vitrine agrupa maquetes de painéis, esculturas, equipamentos públicos e suportes de plantas de formas, cores, materiais e elementos diferentes, que exemplificam a diversidade da produção de Burle Marx. Ainda nesta última sala, está a relação de gêneros e plantas descobertas por ele ou cujo nome prestam-lhe homenagem, e uma Ilustração botânica da Heliconia burle-marxii, desenhada por sua grande amiga, Margaret Mee. Dois filmes sobre o artista encerram a exposição.

Serviço: 
Exposição “Roberto Burle Marx 100 anos- a permanência do instável”. 
Abertura:
11 de dezembro, 19h.
Visitação: de 12 de dezembro de 2008 a 22 de março de 2009.
Horário: terça a domingo - das 12h às 18h.
Local: Praça 15 de novembro, 48 - Centro Rio de Janeiro 
Entrada franca

Informações: (21) 2533-4407
www.pacoimperial.com.br

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