ICOMOS e IUCN apoiam o reconhecimento de Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial

Paraty

O Brasil tem tudo para ter mais um bem reconhecido como Patrimônio Mundial, em 2019. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) recebeu hoje, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), parecer técnico favorável ao reconhecimento de Paraty e Ilha Grande, em Angra dos Reis, como sítio misto de excepcional valor universal. A candidatura defende que, além de sua riqueza cultural, o sítio encanta por sua exuberante beleza natural.

A inscrição será apreciada pelo Comitê do Patrimônio Mundial, de 30 de junho a 10 de julho, em Baku, no Azerbaijão. Com base no parecer emitido pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), órgãos assessores da Unesco, a expectativa é de grande otimismo. 

“O que faz de Paraty e Ilha Grande tão singular é que será o primeiro sítio misto da América Latina onde encontramos uma cultura viva. Todos os demais sítios mistos da região, como Machu Picchu, no Peru, são sítios arqueológicos em uma paisagem natural excepcional”, comemora Marcelo Brito, diretor de Cooperação e Fomento do Iphan. 

O sítio abrange um território de 204 mil hectares, em que o centro histórico se cerca de quatro áreas de preservação ambiental. Com áreas cobertas de vegetação primária, ali estão o Parque Nacional da Serra da Bocaina; o Parque Estadual da Ilha Grande; a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul; e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. Desde a Baía da Ilha Grande, são 187 ilhas cobertas de vegetação primária. Nesse extenso território, encontra-se um sistema cultural baseado nas comunidades tradicionais onde vemos estreita relação entre cultura e biodiversidade.

A candidatura é fruto de parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, Iphan, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Prefeituras Municipais de Paraty e de Angra dos Reis, Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Fórum das Comunidades Tradicionais e Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina. Os órgãos responsáveis pela candidatura estão construindo, em parceria, um plano de gestão compartilhada do sítio, envolvendo diversas representações locais.

Saco do Mamanguá, em Paraty (RJ)Expectativa de reconhecimento
O Brasil defende o reconhecimento da paisagem espetacular com montanhas cobertas de densa floresta primitiva, em área de reserva da biosfera da Mata Atlântica. O local abrange um sistema cultural de comunidades e festas tradicionais, como a Festa do Divino Espírito Santo de Paraty e o próprio centro histórico, em uma paisagem cultural singular excepcional.

A IUCN aponta que o sítio possui uma grande variedade de plantas endêmicas representativas biodiversidade da Mata Atlântica, com 57% do total de espécies de aves endêmicas do bioma. Segundo o parecer do ICOMOS, a área ilustra a interação excepcional entre pessoas e natureza ao longo do tempo, onde os testemunhos culturais incluem o centro histórico e uma variedade de sítios arqueológicos locais, incluindo a antiga Rota do Ouro e comunidades que mantêm sua relação ancestral com a paisagem, todos formando um sistema cultural estreitamente relacionado com o meio ambiente. 

Ali estão comunidades tradicionais, como dos Quilombola, Guarani e Caiçara, que mantêm o modo de vida de seus antepassados, preservando seus ritos, religiões e festividades. A relação com o meio ambiente está enraizada na tradição local. O núcleo urbano guarda a história de rotas coloniais, que se abrem para o mar e para a terra, em contato com comunidades tradicionais em ambiente nativo. 

O reconhecimento de Paraty e de toda a região da Baía da Ilha Grande como Patrimônio Mundial poderá representar avanços importantes para a região. Além de dar visibilidade internacional a esse importante destino brasileiro, o título cria um compromisso do país perante a comunidade mundial, na proteção do sítio histórico e natural. Por exemplo, o Conjunto Moderno da Pampulha recebeu o reconhecimento da Unesco em 2016. Desde então, o sítio recebe cerca de 50 mil visitantes a mais, por ano.

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