Brasília (DF)

O conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília, construído a partir do Plano Piloto de Lucio Costa, foi inscrito no Livro de Tombo Histórico pelo Iphan em 14 de março de 1990. Sua inclusão na Lista do Patrimônio Mundial ocorreu em 11 de dezembro de 1987.

Brasília foi concebida, projetada e construída entre 1957 e 1960, data de sua inauguração. Seu conjunto urbanístico se constitui no principal artefato urbano produzido em consonância com os princípios urbanísticos e arquitetônicos do movimento moderno. Inserida no projeto nacional de modernização do país conduzido pelo então presidente Juscelino Kubitschek, sua construção e consolidação como capital do Brasil compõem um fenômeno geopolítico e social de grande desdobramento para a história brasileira.

Esses atributos, que conferem valor universal excepcional à Brasília, presentes no Plano Piloto são: o cruzamento dos dois eixos e a hierarquia do sistema viário, a setorização da cidade com seus respectivos gabaritos e usos, o sistema de espaços livres e verdes, a Esplanada dos Ministérios e edifícios representativos que compõem o Eixo Monumental, além das superquadras organizadas nas unidades de vizinhança. Soma-se a isso a arquitetura de Oscar Niemeyer para os edifícios mais representativos.

Histórico e evolução
As ideias de transferência da capital do Brasil remontam ao período colonial. Já em 1761, o Marquês de Pombal, então primeiro-ministro de Portugal, propunha mudar a capital do império português para o interior do Brasil Colônia. Mais tarde, a centralização da capital foi defendida pelos Inconfidentes. Propostas semelhantes foram feitas ao longo do século XIX, chegando-se a chamar a futura cidade de Brasília.

A primeira institucionalização da ideia veio apenas com a Constituição Republicana de 1891, que fez referência a uma área no Planalto Central a ser “demarcada, para nela estabelecer-se a futura capital federal”. Essa definição até começou a ser feita em 1892 com a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, mas a interiorização só voltou a ser discutida após o fim do Estado Novo, em 1945. Em 1950, foi realizado o levantamento aerofotogramétrico de uma área de aproximadamente 5,8 mil quilômetros quadrados, que corresponde ao atual Distrito Federal.

Eleito presidente, Juscelino Kubitscheck de Oliveira estabeleceu a construção de Brasília como meta-síntese de seu Plano de Metas. Em 1956, foi criada a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e publicado o edital do Concurso do Plano Piloto, o qual já estabelecia os contornos do Lago Paranoá e a localização do futuro aeroporto e do Palácio da Alvorada, residência da Presidência da República. O arquiteto e urbanista Lucio Costa sagrou-se vencedor do concurso. Oscar Niemeyer foi nomeado diretor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Novacap. Roberto Burle Marx foi o responsável pelo paisagismo de diversos edifícios e espaços públicos da cidade

Plano Piloto
A proposta de Lucio Costa, única a levar em consideração que a cidade deveria estar funcionando em apenas três anos, apresentou objetivamente o posicionamento, a dimensão e a forma geral das edificações. Isso deu à Novacap a agilidade necessária para assumir o gerenciamento da implantação, sem alterar a imagem projetada da cidade. O projeto se adequou também à topografia no planalto central, com horizontalidade e apenas o centro marcado por edifícios de maior altura.

O plano foi dividido em quatro escalas - monumental, residencial, gregária e bucólica -, cortado por dois eixos que se cruzam. As ruas e esquinas foram substituídas por pistas ou eixos, de onde sobressaem os trevos e as passagens de nível, eliminando-se os cruzamentos e separando-se a circulação de pedestre da de veículos.  

A Escala Monumental se configura ao longo do eixo homônimo e é onde se concentram as principais atividades administrativas federais e locais, confere à cidade o caráter de capital. A Praça dos Três Poderes contém em cada um de seus vértices, simbolizando o equilíbrio entre eles, os poderes fundamentais da República: o Palácio do Planalto, sede do poder executivo; o Supremo Tribunal Federal, sede do poder judiciário; e o Congresso Nacional, sede do poder legislativo, todos projetos por Niemeyer. Ele também projetou a Esplanada dos Ministérios, o Palácio Itamaraty, a Catedral, o Teatro Nacional e o Museu Nacional da República. Lucio Costa assinou a Torre de Televisão e a Plataforma da Rodoviária.

Já a Escala Residencial tem como espinha dorsal o Eixo Rodoviário, ao longo do qual estão localizadas as Unidades de Vizinhança, com superquadras que reinventam a forma de morar, já que além dos blocos de pilotis, há áreas destinadas a escolas, clubes, bibliotecas, igrejas e outros equipamentos urbanos. A Escala Gregária, localizada no cruzamento dos dois eixos, confunde-se com o centro da cidade, onde se situam os setores bancário, hoteleiro, comercial e de diversões. A Escala Bucólica, permeando as outras três e se tornando mais presente na orla do Lago Paranoá, é formada pelas áreas livres e arborizadas, conferindo a Brasília o caráter de cidade-parque.

Patrimônio
A integração entre o urbanismo, a arquitetura e as artes plásticas é uma das marcas de Brasília. Ao Meteoro do artista Bruno Giorgi, que marca o espelho d’água do Palácio Itamaraty, juntam-se os Evangelistas de Alfredo Ceschiatti, que compõem o conjunto da Catedral Metropolitana, e os sólidos geométricos de Athos Bulcão, nas empenas do Teatro Nacional. Obras de Marianne Perretti, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Emanuel Araújo, Franz Weissman, Manabu Mabe, Maria Martins, Mary Vieira, Pedro Américo, Rubem Valentim, Sérgio Camargo, Victor Brecheret e outros marcam edifícios da cidade, reafirmando sua modernidade.

A inscrição do Plano Piloto de Brasília na Lista do Patrimônio Mundial deveu-se, sobretudo, à sua singularidade, à manutenção de seus princípios fundadores e ao caráter universal de sua concepção. A cidade encontra-se em processo de consolidação de acordo com seu caráter de cidade-capital, em função dos equipamentos que progressivamente vão sendo instalados. Os setores urbanos preconizados em sua concepção estão sendo complementados e, por assim dizer, concluídos, mantendo os seus princípios urbanísticos norteadores, transformações estas que não comprometeram a integridade do valor singular e excepcional do Plano Piloto de Lucio Costa, que estão mantidos física e simbolicamente.

 

Declaração retrospectiva
Dossiê de candidatura
Avaliação Icomos

 

Conjunto Urbanístico de Brasília

  • Vista aérea da Esplanada dos Ministérios
    O conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília foi construído a partir do Plano Piloto de Lucio Costa
  • Supremo Tribunal Federal
    As curvas do Supremo Tribunal Federal, sede da maior instância do Judiciário do país, foram projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer
  • Congresso Nacional
    O Congresso Nacional, situado na Praça dos Três Poderes, é um das obras do arquiteto Oscar Niemeyer
  • Plano Piloto
    A Escala Residencial tem como espinha dorsal o Eixo Rodoviário
  • Lago Paranoá
    O Lago Paranoá é um dos locais de prática esportiva e ambiente de lazer dos brasilienses
  • Lago Paranoá
    A Escala Bucólica é mais presente na orla do Lago Paranoá, em Brasília (DF)
  • Ponte JK
    A Ponte JK é um das pontes que transpassam o Lago Paranoá
  • Catedral Metropolitana
    A Catedral Metropolitana foi um projetos elaborados pelo arquiteto Oscar Niemeyer para a capital federal
  • Superquadras
    As Unidades de Vizinhança representam uma nova forma de morar, pensada através do Plano Piloto de Lucio Costa
  • Palácio da Alvorada
    A localização do Palácio da Alvorada estava prevista desde o edital do Concurso do Plano Piloto
  • Esplanada dos Ministérios em construção
    Com sua horizontalidade, Brasília se adequou a topografia suave do Planalto Central
  • Palácio da Alvorada
    O Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, é uma das obras projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer
  • Praça dos Três Poderes e Palácio do Planalto
    A Praça dos Três Poderes é um dos símbolos da arquitetura e simbolismo da capital federal. Ao fundo, o Palácio do Planalto
  • Construção do Congresso Nacional
    A construção de Brasília ganhou forma durante o governo de Juscelino Kubitscheck, que incluiu as obras no seu Plano de Metas
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