Centro Histórico de Diamantina (MG)

A cidade de Diamantina, situada no nordeste do Estado de Minas Gerais, é um importante testemunho da ocupação do interior do País, demonstrando como no século XVIII os aventureiros à procura de riquezas e os representantes da Coroa Portuguesa adaptaram os modelos europeus a uma realidade americana, criando uma cultura original. O centro histórico foi tombado pelo Iphan em 1938. O reconhecimento como Patrimônio Mundial, pela Unesco, ocorreu em dezembro de 1999.

O centro histórico de Diamantina, tão perfeitamente integrado à paisagem severa e grandiosa, é um belo exemplo da mescla de aventureirismo e refinamento ocorrido nas Américas. A cidade apresenta com muita clareza características singulares e representativas de sua condição única de implantação de um núcleo colonial português, território dos diamantes, dentro do complexo geográfico da Serra do Espinhaço, sem que isto alterasse a disposição do colonizador em reproduzir seus hábitos culturais de origem.

Os atributos elencados como fundamentais em seu reconhecimento estão bem preservados no seu traçado urbano e padrão arquitetônico, amoldado na encosta do lado oposto da Serra dos Cristais, formando uma expressiva composição de cultura e natura. A sua implantação sobre uma encosta rochosa cuja variação de altitude na cidade resulta em até 150 metros de diferença, combina-se com a reprodução do programa português para suas cidades originárias do ciclo da mineração durante o século XVIII.

História - A descoberta das minas de ouro no Brasil, no final do século XVII, promoveu a formação de uma rede de aglomerados urbanos inédita na América Portuguesa. Diamantina surgiu neste contexto, no início do século XVIII. Embora sua formação tenha ocorrido em função da exploração do ouro, o crescimento e consolidação decorreu da descoberta de diamantes na região, em 1720. Criou-se, então, uma ordem administrativa especial para o território, estabelecida com a Demarcação Diamantina, em 1731, que incluía o antigo Arraial do Tijuco e outros arraiais de extração.

A organização administrativa foi instalada em 1734, com a criação da Intendência dos Diamantes, que controlava a forma de extração e comercialização do diamante. Inicialmente, isso se deu por meio de contrato, quando a exploração era monopólio particular. O sistema foi substituído pela instalação da Real Extração do Diamante, entre 1771 e 1845. Devido ao papel que desenvolveu na região, o Tijuco (como Diamantina era conhecida), foi elevado de vila à cidade, em 1838.

Em 1845, o arrendamento das jazidas tornou-se livre, mas sob a fiscalização da Inspetoria dos Terrenos Diamantinos, extinta por sua vez em 1906. Nesse período foram instaladas as primeiras companhias estrangeiras de mineração mecanizada, além de serviços de lapidação. Mas, em meados do século XIX, a atividade de produção de diamantes decaiu com o descobrimento de jazidas abundantes e de melhor qualidade na África do Sul.

No final do século XIX, a instalação de manufaturas têxteis criou o conjunto de Biribiri - um assentamento industrial idílico com paisagem rural de forte apelo cenográfico - que passa a representar parcela significativa da economia local. Em 1914, com a construção do ramal de Diamantina, da Estrada de Ferro Central do Brasil (desativada em 1973), a cidade consolidou o seu papel de centro econômico e de circulação para toda a região.

As igrejas mais antigas, Santo Antônio e Rosário, com a Casa da Intendência e a Casa do Contrato, estruturaram o sítio urbano. As igrejas do Amparo, de São Francisco, Bonfim e Mercês consolidaram a cidade dos diamantes, onde reinou a mítica Chica da Silva, escrava e amante do todo poderoso contratador João Fernandes de Oliveira. O contratador construiu para ela o sobrado que recebeu o seu nome e delimita dois dos principais caminhos da cidade setecentista – a Rua Direita e a Rua do Contrato.

No século XIX, o Colégio da Glória, a Igreja da Luz e a Santa Casa da Caridade estruturraam os espaços periféricos e, no século XX, a ferrovia definiu o novo eixo de expansão, que atingiu a parte alta da colina onde está a cidade. Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1955 a 1960, natural de Diamantina, inaugurou o Modernismo na cidade, nos anos 1950, pelos projetos de Oscar Niemeyer – clube, escola e hotel – que qualificaram espaços estruturados anteriormente.

O território viveu, ao longo dos séculos, um contínuo processo de transformação caracterizado pelo nascimento e desaparecimento de pequenos arraiais, ao sabor do descobrimento e esgotamento das jazidas de diamantes.

Patrimônio - Diamantina foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII, condição que se refletiu na evolução da cidade, desfavorecendo a formação de um espaço urbano arquitetônico na forma de uma praça representativa do poder político e religioso, como era então regra geral.

Sua arquitetura civil tem referência especial pela extrema homogeneidade do seu casario. Possui uma estética sóbria, simples, porém refinada se comparada com outras cidades de sua época. Suas fachadas são bem geometrizadas e seu padrão foi sistematicamente reproduzido pela cidade, não havendo rupturas estilísticas importantes. Essas edificações apresentam evidentes testemunhos da reprodução do modelo cultural de origem portuguesa.

As igrejas estão implantadas de forma contínua ao casario, inclusive em suas cores e materiais, favorecendo a coesão do conjunto. Como característica de sua singularidade, os templos setecentistas não possuem a decoração em cantaria típica do barroco em sua concepção, mas frontões em madeira apresentando diversas cores e elementos talhados.

O conjunto urbanístico e arquitetônico encontra-se bastante íntegro, sendo possível reconhecer, na atual malha urbana, o núcleo de povoamento do século XVIII. Além dos monumentos significativos para a história da arte e arquitetura dos séculos XVII, XVIII e XIX, a cidade guarda em três obras de Oscar Niemeyer -  a marca do século XX.
 

Declaração retrospectiva
Dossiê de candidatura
Avaliação Icomos

 

Diamantina (MG)

  • MG_Diamantina_natureza_e_construcoes
    Os atributos do Centro Histórico de Diamantina estão bem preservados no seu traçado urbano e padrão arquitetônico, amoldado na encosta do lado oposto da Serra dos Cristais - Serra dos Cristais.
  • MG_Diamantina_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Rosario
    A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é um dos templos mais antigos de Diamantina. A igreja foi construída no centro de uma ampla praça e dotada de um espaçoso adro revestido de pedra
  • MG_Diamantina_Igreja_e_casario
    As igrejas estão implantadas de forma contínua ao casario, inclusive em suas cores e materiais, favorecendo a coesão do conjunto - Casa da Chica da Silva. Fachada da Capela de Santa Quitéria
  • MG_Diamantina_Casario
    As fachadas dos casarios são bem geometrizadas e seu padrão foi sistematicamente reproduzido pela cidade - Vista da Rua Direita.
  • MG_Diamantina_Casario
    Diamantina possui uma estética sóbria, simples, porém refinada se comparada com outras cidades de sua época - Vista da Praça Joubert Guerra.
  • MG_Diamantina_Casario
    A Arquitetura civil da cidade tem referência especial pela extrema homogeneidade do seu casario - Vista da Rua do Carmo
  • MG_Diamantina_Centro_Historico
    Vista da cidade; em destaque, Igreja de São Francisco de Assis
  • MG_Diamantina_Casarios
    Rua da Quitanda, com vista para a Catedral Metropolitana.
  • MG_Diamantina_Catedral_Metropolitana
    A atual Catedral Metropolitana da cidade foi construída no local em que era localizada a Igreja Matriz de Santo Antônio
  • MG_Diamantina_Mercado
    Feira de produtores nas instalações do Mercado.
  • MA_Sao_Luis_Passadico_da_Casa_da_Gloria
    Um passadiço liga as duas edificações da Casa da Glória, que já abrigou o colégio das irmãs vicentinas.
  • MG_Diamantina_Mercado
    Antigo Marcado dos Tropeiros, construído na primeira metade do século XIX.
  • MG_DIAMANTINA_Casario_na_Rua_Direita_A_Ridel_sd_antiga
    Rua Direita, em foto antiga.
  • MG_DIAMANTINA_Casa_à_Praça_Juscelino_Kubitschek_Antiga(1)
    Antiga Sé; em primeiro plano, edifício atual do Fórum.
  • MG_DIAMANTINA_Conjunto_Arquitetônico_e_Urbanístico_Antiga(2)
    Largo da Catedral.
  • MG_DIAMANTINA_Conjunto_Arquitetônico_e_Urbanístico_Antiga(1)
    Beco Zé do Lota; ao fundo, antiga Sé.
  • MG_DIAMANTINA_Mercado_de_Diamantina_Antiga(2)
    Antigo Mercado dos Tropeiros
  • MG_DIAMANTINA_Casa_de_Chica_da_Silva_(14)
    asa da Chica da Silva, aquarela de José Wasth Rodrigues, 1918
  • MG_DIAMANTINA_Casa_de_Chica_da_Silva_Antiga(1)
    Casa da Chica da Silva, em foto antiga
  • MG_DIAMANTINA_Casa_de_Chica_da_Silva_Antiga(2)
    Casa da Chica da Silva, em foto antiga
  • MG_DIAMANTINA_Mercado_de_Diamantina_Antiga(1)
    Antigo Mercado dos Tropeiros
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Normalistas_do_Col_N_Sra_das_Dores
    Normalistas do Colégio Nossa Senhora das Dores.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Restauracao_Mercado_Municipal__1938_1940
    Antigo Mercado dos Tropeiros.
  • MG_DIAMANTINA_conjunto02
    Torres da Igreja do Bonfim, Igreja de São Francisco de Assis e Catedral.
  • MG_DIAMANTINA_diamantina1
    Praça Juscelino Kubitschek.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_diamantina2
    Igreja de São Francisco de Assis.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Casario_na_Rua_do_Amparo
    Rua do Amparo, em foto antiga.
  • MG_DIAMANTINA_conjunto01
    Atual Fórum; em meados do século XIX, este edifício abrigou a Casa de Câmara e Cadeia.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_conjunto04
    Vista do casario; em destaque, Igreja do Amparo.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_conjunto03
    Vista do casario; em destaque, Igreja de São Francisco de Assis.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Centro_Historico_007
    Antigo Mercado dos Tropeiros,
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Centro_Historico_006
    Passadiço da Glória.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Centro_Historico_005
    Vista do Hotel do Tijuco, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Centro_Historico_004
    Vista da Rua do Contrato.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Centro_Historico_003
    Vista da Rua do Amparo.
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Centro_Historico_002
    Diamantina MG
  • MG_MAT_DIAMANTINA_Centro_Historico_001
    Vista do Hotel do Tijuco, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer
  • MG_Diamantina
    Em Diamantina (MG), dois casarões ligados por um passadiço formam a Casa da Glória, atual Instituto de Geociências da UFMG.
  • MG_Diamantina
    A Igreja de Nossa Senhora do Rosário (século XVIII) é uma das mais antigas de Diamantina (MG)
  • Centro Histórico de Diamantina (MG)
    Centro Histórico de Diamantina (MG)
  • Centro Histórico de Diamantina
    O Centro Histórico de Diamantina integra-se à paisagem dessa região mineira, com suas construções do período colonial.
  • Diamantina MG
    Detalhe do casario, à Praça Barão de Guaicuí.
  • MG_Diamantina_passadico_da_gloria
    Suspensa sobre a rua, a pitoresca passagem liga dois sobrados históricos e pode ser percorrida por dentro.
  • MG_Diamantina_Centro_Historico
    Centro Histórico de Diamantina, em Minas Gerais, Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1999
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