Centro Histórico de Salvador (BA)

O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico, contido na poligonal do centro histórico de Salvador, é um dos mais importantes exemplares do urbanismo ultramarino português, implantado em acrópole, se distinguindo em dois planos: as funções administrativas e residenciais no alto e o porto e o comércio à beira-mar. Aliada a uma topografia singular, a paisagem dessa área é formada basicamente por edifícios dos séculos XVI ao XIX, na qual se destacam os conjuntos monumentais da arquitetura religiosa, civil e militar.

Pela riqueza de suas construções, foi inscrita no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico em 1984. Em 5 de dezembro do ano seguinte, sua inscrição na Lista do Patrimônio Mundial foi ratificada pela Unesco. A cidade de Salvador, fundada em 1549, foi a primeira capital do Brasil (1549 a 1763). Edificada sobre uma colina, dominando uma imensa baía em ponto estratégico da costa brasileira, teve como objetivo centralizar as ações de Portugal, na América, e facilitar as transações comerciais com a África e o Oriente.

Histórico - Tomé de Sousa, colonizador, chegou ao Brasil em 1549 com ordens do Rei de Portugal para fundar uma cidade fortaleza na Baía de Todos os Santos. Nascia assim São Salvador, a sede do Governo-Geral, por muitos anos a maior cidade das Américas. Para ajudar na fundação e povoação de Salvador, vieram, com o governador geral, cerca de mil homens entre artesãos, voluntários, marinheiros, soldados e sacerdotes. No ano seguinte, desembarcaram na costa baiana os primeiros escravos, logo empregados na cultura da cana-de-açúcar e na produção de algodão, tabaco e gado na região do Recôncavo Baiano.

Entre os séculos XVI e XVIII, além de desempenhar um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano, a cidade foi o centro do desenvolvimento econômico, cultural e político da colônia e passagem obrigatória das embarcações vindas da África e da Ásia. Mesmo com a transferência da capital para o Rio de Janeiro, em 1763, Salvador manteve sua importância, reforçada pela abertura dos portos brasileiros ao comércio com outras nações, em 1808. Sua relação comercial e cultural com a costa ocidental da África foi alimentada pelo tráfico de escravos, em troca principalmente de cacau, fumo e cachaça. A cidade, que herdou costumes e tradições desse intercâmbio, tornou-se o mais interessante exemplo da sincrética cultura afro-brasileira, cuja riqueza e diversidade são expressas pelas festas populares, pela musicalidade e culinária.

Patrimônio - O centro histórico de Salvador apresenta grupos de construções e espaços que permitem a leitura do modelo das cidades fundadas pelos portugueses no além–mar. Os limites da primeira cidade (morfologicamente planejada e ortogonal), a sua expansão (de características menos rigorosas, formada por ruas constituídas por um casario uniforme, entremeado por conjuntos de arquitetura monumental) e, principalmente, a distinção entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa garantem a identificação de uma paisagem herdada do período colonial.

Com a riqueza gerada pela lavoura açucareira, em meados do século XVII, iniciou-se a chamada fase monumental da arquitetura baiana, apoiada na transição do estilo Renascentista para o Barroco. Datam dessa época, a construção dos principais edifícios, entre os quais estão a Igreja dos Jesuítas (atual Catedral de Salvador), Igreja e Convento de São Francisco, Igreja do Carmo, Igreja e Convento de Santa Teresa (atualmente, o mais importante museu de arte sacra do Brasil), Igreja e Mosteiro de São Bento, Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, e o Palácio do Governador.

Os espaços públicos de Salvador – Praça Municipal, Terreiro de Jesus, Caminho de São Francisco, Largo do Pelourinho, Largo de Santo Antônio e Largo do Boqueirão – decorrentes dos traçados de suas ruas, ladeiras e becos, formam um dos mais ricos conjuntos urbanos de origem portuguesa. Os sobrados de dois ou mais andares e as soluções de implantação em terrenos acidentados são exemplos típicos da cultura lusitana.

Entre 1938 e 1945, vários monumentos do centro histórico foram tombados como patrimônio nacional, para garantir a preservação do Largo do Pelourinho e do seu entorno imediato. Esse instrumento não impediu, no entanto, a progressiva degradação da área, sobretudo a partir de 1960, quando o centro perdeu importância para as novas áreas de expansão urbana. 

Declaração Retrospectiva
Dossiê de Candidatura
Avaliação Icomos 

Salvador (BA)

  • Convento do Carmo
    A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, embora Carmelita, apresenta planta típica dos jesuítas, com a nave única, capelas intercomunicantes e transepto
  • Altar da Igreja de Nossa Senhora do Carmo
    O interior da Igreja de Nossa Senhora do Carmo é neoclássico, onde se distingue a sacristia rococó com forro em caixotão
  • Igreja de São Francisco
    Um cruzeiro fronteiro integra o conjunto da Igreja e Convento de São Francisco
  • Igreja de São Francisco
    A fachada da Igreja de São Francisco é influenciada por igrejas dos jesuítas, dividindo o corpo retangular em cinco partes, com duas ordens de pilastras superpostas
  • Interior da Igreja de São Francisco
    O interior da Igreja de São Francisco é um exemplo do barroco setecentista, onde destaca-se a talha dourada que reveste suas paredes e o forro da nave, em caixotões apainelados
  • Ordem Terceira da Igreja de São Francisco
    A Ordem Terceira também integra o conjunto do Convento e Igreja de São Francisco
  • Irmandade de São Pedro dos Clérigos
    A Irmandade de São Pedro dos Clérigos apresenta planta típica das igrejas baianas do começo do século XVIII, com corredores laterais e tribunas superpostas
  • Forte de São Marcelo
    O Forte de São Marcelo foi construído afastado da costa, em 1650, com a função de impedir a invasão da cidade, cruzando fogo com outros fortes da região
  • Pelourinho
    A parte alta do Núcleo Histórico de Salvador foi destinada às funções administrativas e residenciais desde a fundação, seguindo o modelo português de cidade
  • Porto de Salvador - Vista aérea
    A parte baixa do Núcleo Histórico de Salvador abriga os edifícios e estrutura do porto
  • Pelourinho
    A paisagem de Salvador dá-se em ruas de desenho orgânico, intercaladas por praças e largos, que se adaptam ao sítio
  • Casarios de Salvador
    O conjunto arquitetônico é constituído por edifícios do século XVIII, XIX e XX, onde se destacam monumentos da arquitetura religiosa, civil e militar
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