Reservas do Cerrado: Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas (GO)

Os parques nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas foram declarados Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, em 2001. As duas regiões são áreas protegidas do cerrado brasileiro, um dos ecossistemas tropicais mais antigos e diversificado do mundo. Por milênios, esses locais têm servido de refúgio para várias espécies durante os períodos de mudanças climáticas e será vital para a manutenção da biodiversidade da região do cerrado durante futuras flutuações climáticas.

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Criado em 11 de janeiro de 1961, pelo Decreto nº 49.875, o Parque corresponde a 65,5 mil hectares. Localizada entre as latitudes 13º 51’ a 14°10’ Sul e longitudes 47°25’ a 47°42’ Oeste, a área compreende um cerrado de altitude, que abrange vários municípios do nordeste goiano, entre os quais São João d’Aliança, Alto Paraíso, Colinas do Sul e Cavalcante. As altitudes variam de 600 a 1650 metros e abrigam diversas formações vegetais, rochas com mais de um bilhão de anos e cânions de até 300 metros de altura. O clima típico da região é o tropical sazonal, caracterizado por uma estação seca e outra chuvosa. O período seco dura, em geral, de três a cinco meses. Durante a estação chuvosa, podem ocorrer períodos de seca, chamados veranicos.

A Chapada dos Veadeiros é o divisor de águas das bacias dos rios Paraná e Maranhão, afluente mais alto do rio Tocantins, portanto já na bacia Amazônica. Os rios que cortam o parque formam corredeiras encaixadas, quedas d’água e poços profundos. O Preto, também afluente do Tocantins, é o principal curso d’água dentro do parque. Quando as chuvas se intensificam, pode ocorrer um imprevisível fenômeno da natureza: a cabeça d’água. Grandes nuvens, normalmente sem raios e trovões, chegam a tocar o topo das serras do Planalto Central. Ao se encontrarem com as nascentes altas, formam uma forte e imensa onda capaz de provocar inundações. Esse fenômeno ocorre geralmente no rio São Miguel, devido à formação estreita do seu leito.

Nas áreas de reduto do parque, como veredas, matas ciliares, campos cerrados, cerrados abertos e matas de galeria, encontram-se todas as classes de animais e plantas. As árvores possuem, em geral, caules sinuosos, e muitas espécies são cadufólicas, ou seja, perdem as folhas durante a estação seca para economizar água. No Cerrado de altitude, existem fitofisionomias raras como o rupestre (acima dos 900 metros), onde é abundante a canela-de-ema. Além de árvores como copaíba, pau-d‘arco-roxo, aroeira, tamanqueira, jerivá, babaçus e buritis, típicas das partes baixas, antúrios, filodendros, bromélias, e orquídeas, concentram-se nas rochas. Das 6.429 espécies de plantas do bioma cerrado, foram identificadas 1.476 no parque, entre as quais 139 gramíneas, 69 quaresmeiras e 39 orquídeas.

Cinquenta espécies da fauna existentes no parque são classificadas como raras, endêmicas ou sob risco de extinção. Entre os mamíferos, podem ser encontrados o veado-campeiro, a onça-pintada, o lobo guará, atualmente ameaçados de extinção; além do tapeti, tatu-canastra, tamanduá-bandeira, capivara e anta. Das 30 espécies endêmicas de aves do cerrado, 13 habitam o parque, estando oito ameaçadas de extinção.

Entre as aves, destacam-se a ema, o urubu-rei, o tucano-de-bico-verde, o gavião brites e o raríssimo pato–mergulhão, que vive no encachoeirado rio Preto. Mais de mil espécies de borboletas e mariposas e 33 de répteis ocorrem na unidade. Já foram registradas ainda 160 espécies de abelhas, sendo que seis só são encontradas na Chapada. Completam a fauna 49 espécies de peixes abundantes nos rios e córregos que nascem ou passam pela unidade de conservação.

Parque Nacional das Emas

O Parque foi criado através do Decreto nº. 49.874, de 11 de Janeiro de 1961, posteriormente revisto pelo Decreto nº. 70.375, de 6 de Abril de1972. Localiza-se na divisa de Goiás com os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, entre as coordenadas 17° 50’ a 18° 15’de latitude Sul e 52° 30’ a 53° 10’ de longitude Oeste.

Com uma área de aproximadamente 132 mil hectares, abrange parte dos municípios de mineiros Chapadão do Céu e Serranópolis, no estado de Goiás, e de Costa Rica, no Mato Grosso do Sul. Devido a sua extensão, integridade de habitats, riqueza faunística e presença de espécies raras e ameaçadas de extinção, a reserva representa uma das mais importantes unidades de conservação do bioma cerrado, tendo sido recentemente incluída nas ações prioritárias para conservação da biodiversidade do Cerrado e do Pantanal.

A altitude da região varia entre 350 e 1000 metros e os terrenos mais elevados concentram-se na Serra dos Caiapós. Com um relevo suavemente ondulado e solo predominantemente arenítico, o Parque é atravessado por rios de algumas das principais bacias hidrográficas do Brasil, tais como Taquari, da Bacia do Paraguai, e o Araguaia, da Bacia do Tocantins. Os rios Formoso e Jacuba, tributários da Bacia do rio Paranaíba, são os principais responsáveis pela drenagem do Parque.

A unidade possui várias tipologias do bioma Cerrado, como: mata ciliar, vereda, campo rupestre, campo úmido, cerradão, campo cerrado, campo sujo e campo limpo. As palmeiras indaiá constituem uma espécie dominante na paisagem das terras baixas, sendo que nos campos sujos predomina a roupala. Nos trechos de cerrado típico, as árvores variam em torno de cinco a seis metros, com formas retorcidas. Os campos arbustivos formam 70% da vegetação do Parque, sendo que 1,2% é formado por matas.

A fragmentação do habitat natural fez com que a área se tornasse refúgio para muitos exemplares da fauna nativa. São 350 espécies de aves e inúmeras espécies de mamíferos, entre as quais onça-pintada, onça-parda, tatu-canastra, queixada, lobo-guará, anta, veado-campeiro, jaguatirica, cachorro-do-mato e ema. A população de jararacas gira em torno de um milhão de indivíduos, que se somam a outras cobras como sucuris, corais, cipós e jiboias.

Uma peculiaridade do Parque das Emas é a presença de cupins luminescentes, o que ocorre entre os meses de dezembro a março. São centenas de cupinzeiros espalhados pela vegetação, que hospedam também outras espécies como corujas, cobras e tatus. O Parque forma uma ‘ilha’ de cerrados preservados imersa em uma área predominantemente agrícola. Daí sua importância para a conservação da diversidade do bioma cerrado, reconhecida pela Unesco por sua inclusão na lista do Patrimônio Mundial.

 

Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas (GO)

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    O rio Formoso é um dos principais responsáveis pela drenagem do Parque
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    O parque é atravessado por rios de algumas das principais bacias hidrográficas do Brasil
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    O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, assim como o das Emas, é um dos ecossistemas tropicais mais antigos e diversificados do mundo
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    A região abriga diversas formações vegetais, rochas com mais de um bilhão de anos e cânions de até 300 metros de altura
  • GO_PARNA_Chapada_dos_Veadeiros
    Os rios que cortam o parque formam corredeiras encaixadas, quedas d’água e poços profundos
  • GO_PARNA_das_Emas
    O Parque Nacional das Emas constitui uma ‘ilha’ de cerrados preservados imersa em uma área predominantemente agrícola
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    O Parque Nacional das Emas representa uma das mais importantes unidades de conservação do bioma cerrado
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    O veado-campeiro está entre os mamíferos da região ameaçados de extinção
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